Latitudes 1×07 — Buenos Aires

A culpa é um tema complicado.” — o ex-amor de Olívia

E o mundo de Olívia desmoronou de vez. Logo ela que parecia tão confiante, tão livre. Dois baques seguidos, dois tombos, duas sambadas bonitas que mostraram que ela é tão insegura e imatura como cada um de nós.

Mais uma vez o outro protagonista não estava presente fisicamente falando, mas José estava ali, em cada frase certeira, ou em cada olhar desviado de Olívia. As semelhanças com o outro episódio também estavam presentes no cansaço dela. Cansaço esse que já não me permitia que ela fingisse ou se defendesse.

Nesse episódio conhecemos o (ex) amor de Olívia, e foi só isso que soubemos dele. Sentado em “um lugar de verdade, com gente de verdade”, nem descobrimos seu nome, mas concordamos com tudo que ele disse. Afinal, quem conhece melhor Olívia do que alguém que foi criado por um representante da mesma espécie?

Você precisa aprender a parar.” — Ele

latitudes 7

Toda a história do seu pai, tudo que ele narrou, a insatisfação crônica (#WoodyAllenFeelings), a alma sem raízes… foi impossível para nós que conhecemos Olívia há tanto tempo, não reconhecermos cada pedacinho de sua personalidade no relato d’Ele.

Michel Noher — perfeito no papel — fez praticamente um monólogo, dizendo para Olívia tudo aquilo que José — e que até nós — gostaríamos de dizer a ela. Ela, inerte, só observou, assim como a cidade que também não se manifestou. Em uma paisagem única, quieta, nublada, silenciosa, nem Buenos Aires quis ajudar nossa protagonista. O roteiro, mais uma vez redondinho, não teve pena de Olívia, e praticamente deixou-a nua na nossa frente, sem defesa. Ela parecia mais vulnerável que José, no seu supra citado episódio.

Na mistura perfeita de atuação e roteiro, “ele” se tornou indispensável, elegante, e principalmente, sábio. Um homem maduro, inteligente (e lindo, pelamor), que sabe interpretar sinais que qualquer observador bem desatento também descobriria. Ele não gritou, não perdeu a razão, diferente da Aline histérica de Elisa Volpato, cheia de nuances superficiais. “Ele” foi mais, foi superior.

Você está dificultando as coisas.” — Olívia

Não, sabe o que está dificultando as coisas? Essa sua tentativa patética de achar que está no controle,quando você não sabe nem onde quer estar nos próximos 5 minutos. Nem com quem.” — Ele

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E já nem importa se ele bisbilhotou ou não o celular. Só importa que ele finalizou o xeque-mate que José tinha iniciado em Olívia ainda em Portugal. O que resta para nós, depois desse furacão em Buenos Aires, é lembrar que o próximo destino é o último, e o nosso casal preferido não poderia estar mais separado.

Machucados, destruídos, não consigo realmente imaginar como será o fim disso tudo. Se será possível juntar todos os pedaços e viver a vida normalmente. Assim como eles, não quero o fim (quem quer?), mas também não consigo evitar a ânsia pelo último destino.
Chega logo quarta-feira.

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