Leave JK Rowling Alone!

Esperamos, esperamos e esperamos e Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald estreou nos cinemas. Todas as críticas antes feitas a Johnny Depp e David Yates agora repousam nas costas de JK Rowling, que leva os créditos de roteirista da franquia e possivelmente uma baita escoliose.

“Como assim que inseriram a McGonagall nesse filme?! Pq JK quer criar um irmão que o Dumbledore nunca teve logo agora?”

Pois se você é um dos potterheads que esbraveja frases como esta, calma lá. Você pode estar sofrendo da Síndrome do Eu Sei Mais Do Que O Próprio Autor.

JK Rowling é uma autora de sucesso conhecida principalmente pelos sete livros de literatura juvenil que formam a obra canônica Harry Potter. A partir do sucesso dos livros, a obra se tornou um projeto multimídia que transcende sua proporção canônica.

Com a cine franquia Animais Fantásticos, ficou evidente a existência de um Universo Cinematográfico de Harry Potter. Agora ele se chama oficialmente Wizarding World e já conta com muito dinheiro investido em marketing. Afinal, expandir esse universo é uma maneira de prolongar a existência de uma das franquias mais lucrativas da atualidade. E o mais importante: muito dinheiro para os envolvidos. Nunca se esqueça que tudo se resume a isso.

Você deve ter se familiarizado com o conceito de universo cinematográfico a partir de grandes eventos da cultura pop, como os filmes da Marvel e até mesmo de Invocação do Mal – inclusive fiz um vídeo mostrando que esse é o UC mais lucrativo da atualidade.

Mas vamos tomar os filmes da Marvel como exemplo. Os arcos do cinema pouco têm a ver com os dos quadrinhos, apesar de respeitar o básico e principal, como a origem dos personagens e seus grandes eventos. Mas isso não impede que no cinema alguns personagens sejam substituídos ou aglutinados, ou que enredos sejam ligeiramente distorcidos para ganhar dinâmica num filme de ação, ou momentos de suspense.

Afinal, qual a graça de assistir a algo que você já sabia?! Não tem surpresa aí…

Mas o universo cinematográfico de Harry Potter não passou a existir com Animais Fantásticos. Ele surgiu nos oito primeiros filmes, conforme a história nas telas se distancia da história nos livros, de maneira muito singela e tímida.

São apenas sete livros e uma multidão de fãs que se organizaram em uma comunidade facilitada pela internet. E com isso eles têm a capacidade de estabelecer uma linha do tempo interligando acontecimentos de filmes e livros, como se tudo fosse a mesma coisa.

Breaking news: NÃO É!

Imagine os fãs da Marvel tentando fazer uma linha do tempo de cinema e HQ, com a quantidade absurda de HQs e heróis que existem. Isso seria impossível. Portanto, pegam muito mais leve quando detalhes são alterados neste universo cinematográfico do que a base de fãs do Wizarding World.

Sendo que ambos são universos cinematográficos. Ou seja, possuem sua própria linha do tempo e regras independentemente do que dizem os livros, sites oficiais, HQs e o que mais for.

Podemos dizer que os filmes de Harry Potter se distanciaram dos livros de forma muito competente, ainda que a linha do tempo de ambos fosse muito parecida. O grosso da saga literária nunca foi alterado. Algumas passagens e personagens foram deixadas de lado, assim como alguns detalhes e até capítulos. Mas as linhas gerais se mantiveram intactas.

Isso por muitos anos deixou os fãs muito satisfeitos… E mal acostumados. Agora eles se encontram numa crise existencial, num impasse que incomoda e faz aflorar machismo, misoginia e muito comportamento criança-adulta mimada.

“JK Rowling está louca, caduca. Internem esta mulher. Ela está estragando meu Harry Potter”!

Pare, apenas pare.

Tirando a parte na qual a chamam de louca, a frustração é compreensível.

Antes, quando algo do filme irritava, a culpa era do roteirista ou do diretor. Agora temos JK Rowling assumindo os roteiros. Então num pensamento simplista, com o qual discordo, a culpa é dela.

Na real, JK está seguindo tudo que foi estabelecido nos filmes anteriores, inspirado em seus livros, mas não necessariamente idêntico ao que foi estabelecido na literatura – e isso inclui o pottermore.com. E sabe o motivo?

Livro é livro, filme é filme.

Eu poderia encerrar esse texto aqui, pois acredito que esta afirmação é suficiente para você analisar sozinho uma série de coisas. Mas vamos lá.

Qual dos oito filmes disse quando Minerva McGonagall nasceu? Qual dos oito filmes mostrou de fato o que aconteceu com o pai de Dumblebore após ele ter sido enviado para Azkaban??? Isso mesmo, nenhum. E é a partir disso que JK está ampliando o universo cinematográfico de Harry Potter, dos filmes.

Quando esse UC começa a ganhar forma e estabelecer seus próprios elementos, o fã chora. Afinal, ele precisa mostrar o quanto sabe mais sobre a obra do que a própria autora. Tá passando vergonha. Mas é típico da era em que vivemos.

Agora pare e pense: quanta informação de Harry Potter você tem na sua cabeça? Você realmente consegue distinguir o que foi estabelecido em filme e livro? É natural ficar confuso. Só não é natural xingar a JK.

Então releve o seu apego e saudosismo e embarque em novas aventuras e pontos de vistas. Aproveite a oportunidade de viver na mesma era em que uma JK Rowling te apresenta novidades dos personagens que você ama, sem que um detalhe minúsculo numa séria inacabada te faça chamar de louca uma das mentes mais criativas da nossa era.

Sobre o Autor

Caio Fochetto

Fundador do site BOXPOP, profissional de mídia e comunicação com experiência em TV aberta, TV paga, portal web e rádio. Potterhead sonserino com muito orgulho e apaixonado por cultura pop.

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