Looking 2×06 — Looking for Gordon Freeman

Você (Patrick) é, literalmente, o gay menos divertido que eu conheço.” — Dom

Toda série, comédia ou drama, é merecedora de ter seu próprio episódio com seu protagonista (e até outros personagens) bêbado. Você pode pensar em um milhão de exemplos, lembrar com carinho de momentos hilários ou de densas atmosferas. A verdade é que, como na vida real, uma enchente de cachaça pode terminar de dois jeitos: ou destruindo tudo ou lavando tudo.

O amistoso começo do episódio deixou claro, graças as atuações de Russel Tovey e Jonathan Groff, o clima pesado. Como diria Pablo, “eu juro que queria aquele olhar de perdão no ar” — dividido entre o amor próprio e o suposto amor por Kevin, Patrick mal sabia como reagir a notícia da partida de Kevin e Jon. Olhar para a pessoa que você ama e não tê-la é difícil. Mas será que não olhar é pior? Ou melhor?

Depende do seu objetivo amoroso com ela. Independente disso, a forma como o Kevin passou a se tornar parte contínua da vida do Paddy foi, para nós, telespectadores, como ver um acidente de carro. Em câmera lenta. E sem poder fazer nada. Tava na cara que as chances de fracasso eram maiores que as de sucesso. Ainda assim, torcemos. E claro, momentaneamente, nos decepcionamos. Faz parte.

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Quando o episódio curvou para a relação nebulosa de Agustín e Eddie, voltamos para aquilo de sempre: se você visse uma sinopse desse plot, imaginaria que a maior dificuldade deles dois é de um ter que lidar com o fato do outro ter AIDS. Mas não é. A falta de comunicação entre os dois, a pressão dos momentos psicológicos diferentes… Nada flui! A história, que começava a se tornar interessante, parou, na inabilidade dos personagens de apresentarem algo de novo.

E por falar em evolução, que deleite ver a Doris regredindo para o comportamento de colegial americana. Toda aquela insegurança em relação ao Malik é natural: ela é (ou parece ser) uma mulher forte, daquelas independentonas 100% nem aí, mas no fundo sabe que não é tão difícil assim de se apaixonar, claro, quando a hora certa chega. O papo que ela levou com o Dom foi mega especial. Assim como o papo que o Dom levou com o Malik! Aliás, Dom é O cara.

O Patrick estava num misto tão grande de frustração que foi difícil sentir o mínimo de empatia por ele. Não foi aquela frustração meiga e fofa! Foi aquela bizarrice bem passiva-agressiva que ninguém suporta. As piadinhas, indiretas… tudo foi constrangedor. Mas porque o Patrick realmente é um cara constrangedor. Mas dessa vez, como eu já disse, não de um jeito legal.

Olhar para o futuro e se imaginar pensando no passado pode ser perigoso. Quando Patrick realizou essa ação, não se tocou de que, talvez, ele tivesse a chance de mudar o roteiro da sua própria vida. O problema é que ele tentou fazer isso na marra. E bêbado. Ninguém olhou a cena do discurso bobo com aquele sentimento de “Isso! Bota pra fora! Mandar a ver.” — ou olhou? Fiquei mais com vontade de mandar ele descer e ir dormir. Quando a escada se tornou protagonista, a luz da esperança reacendeu e quase cegou quem assistia o episódio. Looking provou que mais do que fôlego, também tem ânimo para continuar. Se foi enchente boa ou ruim, ainda vamos demorar para saber.

P.S. A trilha sonora, como sempre, matadora. O episódio foi encerrado ao som da espetacular Monster Mash.

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