Lost Books: Edição infantil

Alô cults (adaptei, viu, Glorinha)! Que Lost acabou e deixou milhões de perguntas sem respostas todo mundo já está insatisfeito de saber. Mas o que ninguém pode deixar de lado é a capacidade que a série tinha de ampliar suas tramas para além da televisão. Mensagens subliminares, códigos, imagens secretas e até mesmo referências a obras clássicas da literatura. Foram tantas as formas de extra-entretenimento que a série disponibilizou, que sempre é bom dar uma investigada nesses pontos mais a fundo.

E como a The Box Is On The Table é a coluna mais flexível desse Box (olha a audácia!), hoje trago a vocês resenhas de duas obras do gênero infantil citadas por Lost, e com um quê de Caixa Preta, também mostro o que esses livros tinham a ver com a trama da série. Por isso, pessoas cultas, encham-se da luz da sabedoria com o que vos trago essa semana, afinal, a piada iluminada ainda faz rir sim!

Alice no país das maravilhas: “Cortem-lhe a cabeça!”

O inglês Charles Lutwidge Dodgson, ou como é mais conhecido por todos, Lewis Carroll, em um passeio de barco pelo rio Tâmisa, começava a narrar uma história a três pequenas garotas, filhas de seu amigo Henry George Liddell, sobre um fantástico mundo fantasioso, onde o surrealismo e o ilógico eram a sustentação daquele conto cheio de referências a amigos e inimigos do próprio contador.

Anos mais tarde, Carroll decidiu dar de presente o manuscrito daquela mesma história a uma das ouvintes — a qual se chamava Alice Pleasance Liddell. E assim, em 1865, nasceu o clássico Alice No País das Maravilhas, já que pessoas próximas a Carroll não paravam de aconselhá-lo a publicar a incrível história da garota que caía em um mundo um tanto quanto onírico, após seguir um coelho branco até sua toca.

Não apenas um livro infantil, mas sim uma reflexão sobre coragem, amizade e imaginação, Alice No País das Maravilhas é uma obra fantástica que nos proporciona diversão, e principalmente, um vasto leque de interpretações para situações ou problemas do cotidiano. Trazendo personagens que nunca serão esquecidos, como o Gato de Cheshire com seu sorriso bizarro, o Chapeleiro Maluco e sua mente confusa ou mesmo a Rainha de Copas com o famoso bordão “cortem-lhe a cabeça!”, Alice No País das Maravilhas é simplesmente a personificação da palavra clássico e é por essa abrangência que o livro dispõe, que muitos outros formatos — nesse caso, séries de TV — geralmente, tendem a citá-la.

A literatura na Ilha: A começar pelos títulos dos episódios (White Rabbit, The Man Behind the Curtain e Through the Looking Glass), Lost já adicionava referências da obra de Lewis Carroll a sua trama. No episódio White Rabbit (Coelho Branco, got it?), Jack é aconselhado por Locke a procurar solucionar as visões que ele andava tendo, e a SEGUI-LAS, uma alusão a Alice seguindo o coelho branco, logo no início da história, a fim de descobrir o que seria aquilo.

Já em The Man Behind the Curtain, as referências ficam claras que nem luz! Vemos o personagem Ben usar um coelho branco para se assegurar de que a floresta após a cerca sônica é segura. Aparece também no mesmo episódio, em forma de flashback, a mãe de Ben usando um vestido bem parecido com o da Alice de Carroll, especialmente pelas cores: azul e branco.

Após a publicação de Alice No País das Maravilhas, Lewis Carroll deu continuidade a história, com a obra Alice Through the Looking Glass and What Alice Found There (Alice Através Do Espelho E O Que Ela Encontrou Lá), e este foi um título de mais um episódio de Lost fazendo referência ao autor, no qual a série mostrou o personagem Charlie sendo preso por uma estação da Dharma que possuía o nome de O Espelho.

O Mágico de Oz: “There’s No Place Like Home”

O Mágico de Oz está para a cultura norte-americana, assim como Alice no País das Maravilhas está para a inglesa. Sendo considerado um dos livros mais influentes dos Estados Unidos — tanto que já ganhou diversas versões e muitas continuações de sua narrativa — O Mágico de Oz é uma história infantil criada por L. Frank Baum, que conta as aventuras de uma garota chamada Dorothy Gale na terra encantada de Oz.

Dorothy vivia numa fazenda no Kansas com seus tios Henry e Emm Gale, quando, a procura de seu cachorro Totó, ela se esconde em uma pequena casa por causa da vinda de um ciclone. Sendo sugada por este, Dorothy e a casa são jogados para um local desconhecido e lá Dorothy descobre que caiu em cima de uma Bruxa e, consequentemente, a matou, o que lhe concedeu o título de heroína pelos seres que viviam ali. Como Dorothy queria voltar para casa imediatamente, ela é aconselhada por todos a procurar, através da estrada de tijolos amarelos, pelo Mágico de Oz, ser que se encontrava na cidade das esmeraldas, começando assim sua jornada.

É incrível como não se fazem mais histórias infantis como as de antigamente, aliás, O Mágico de Oz talvez nem seja um livro somente para crianças, pois o texto aborda tantos temas complexos, que fica até impossível limitá-lo a esse gênero. As características dos personagens estão sempre cheias de moral e a questão da amizade e da lealdade são as bases da história. Da mesma forma que Lewis Carroll, L. Frank Baum se usa do surrealismo e do sonho para tornar real metáforas da vida e, ocasionalmente, é esse o ponto de referência da obra mais utilizado por variados formatos.

A literatura na Ilha: Em Lost, reza a lenda que um homem chamado Henry Gale tentou cruzar o Oceano Pacífico em uma balão de ar, porém ele acabou caindo na ilha e morrendo logo após, tendo o seu corpo enterrado ao lado do balão. Quem conta essa história é o personagem Benjamin Linus, um membro dos Outros, que disse a todos na ilha que seu nome era Henry Gale. O interessante é que Henry Gale é também o nome do tio de Dorothy no livro de L. Frank Baum. Outra referência é que no livro, o mentiroso Mágico chegou a Oz por meio de um balão de ar.

Sabe o episódio intitulado The Man Behind the Curtain (O Homem por de trás da cortina)? Este nome lhe foi dado porque em Lost, Locke achava que Ben era o mentor por trás dos Outros, e assim ele fala: Você é o homem por trás da cortina… o Mágico de Oz!” Awesome right?!

Há outras peculiaridades espalhadas na trama de Lost que também recordam O Mágico de Oz. O título do episódio There’s No Place Like Home é uma referência explícita a famosa frase que Dorothy diz ao calçar os sapatos prateados: “Não há lugar como nosso lar.” Tem uma cena, no episódio Lockdown, em que Henry Gale chega perto de Locke preso a uma porta e este diz: “Você voltou.” Daí, Henry responde: “Claro que sim. O que você acha, que eu iria te deixar aqui?” Essa parte é bem conhecida no diálogo entre o Homem de Lata e Dorothy.

Eu bem sei que deu vontade de rever as temporadas de Lost só para pegar todas as referências que você, fã um pouco mais desatento, perdeu, certo? Aproveita a dica e acrescente também um pouco mais de leitura após essa maratona. Agora fiquem com meu adeus, e os agradecimentos aos iluminados Caio Focheto e LostPédia (porque você não achou que eu saberia tudo isso só de assistir a série, né?).

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