Lost e sua viciante narrativa transmídia

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Pleno ano de 2014 e ainda há muita confusão sobre transmídia, convergência de mídias e narrativa transmidiática. Tudo culpa dos termos, que dão margem à diferentes interpretações por não serem tão literais quanto o entendimento dessa geração necessita.

Vários produtos da TV tentam se definir através de um desses termos, sem nem mesmo ter o apelo e a natureza necessária para se manifestar como um deles. Há 10 anos o seriado Lost nascia como uma obra de ficção. Seu carisma com os fãs foi instantâneo e logo os executivos da ABC viram as possibilidade de uma narrativa transmidiática para a série. Tiro certeiro!

Nascia ali o maior case do tipo. Com um mecanismo de mistério avassalador, por espontânea vontade os fãs se reuniam para buscar respostas e criar teorias. Com a ajuda de novos meios eles praticamente formaram uma religião. Até que a própria emissora entrou na jogada e passou a explorar o universo de Lost nos mais variados meios. E é exatamente isso que transforma uma história em uma narrativa transmidiática.

Tendo a TV como base principal, os “donos” da série iniciaram uma expansão que chegou aos livros, HQs, consoles de videogame e ARGs, entre outros. Tudo isso foi fruto de um universo misterioso gerado por três pilares principais: a queda de um avião que deixa vários sobreviventes e uma ilha misteriosa com propriedades nunca antes vistas. Estes dois fatos/pilares não teriam força sem o terceiro, que é o mecanismo do mistério da série.

As pessoas querem saber como um avião cai e deixa tantos sobreviventes. As pessoas querem saber o que faz daquela ilha um lugar tão especial. E as informações passadas nos episódios são tão ricas que é preciso se juntar em grupo para decifrar.

Os personagens são pontos que nos conectam com a história principal, conduzida pela TV. Mas essa uma hora semanal não é o bastante. Queremos nos envolver ainda mais. Nossa cabeça é tomada pela febre da ilha. O universo de Lost é tão rico e envolvente que passamos a investigá-lo nessas 167 horas que restam da semana. Assim nos aproximamos de uma marca que se torna cada diz mais forte. Nos engajamos com ela, como nunca antes.

Além de seduzidos, somos provocados. Deixamos os fóruns de teorias para buscar informações em sites “reais”, como o da Oceanic Airlines. A empresa da série passa a existir ainda que de maneira virtual. Podemos ligar, podemos buscar informações no site. Nossos celulares são invadidos por mobvídeos e a sede de informações é tamanha, que os fãs novamente se reúnem, mas não para criar teorias e sim organizar informações.

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A série provocou uma maré de influências, tanto do universo Lost sobre os fãs, como dos fãs sobre o universo Lost. E nessa maré, as ondas vão e vêm. É gerada uma via de mão dupla que torna os produtores do programa em verdadeiros astros. É com eles que queremos conversar, tirar dúvidas e até fazer sugestões.

A série que nos influencia, passa a ser influenciadas. Afinal, os roteiristas também estão interessados no comentamos por aí. Tanto que eles criaram podcasts para se comunicar com os fãs, tamanha era a quantidade de detalhes e dúvidas que estes detalhes geravam.

Tanto envolvimento resulta em uma busca continua por uma experiência como aquela. Vivemos com Lost algo que não conseguimos experimentar mais. Os fãs, os produtores e obviamente os executivos querem ter a “a nova Lost” e reviver a sensaçõ. As reações que vieram com a série deixaram a todos com abstinência. E nada mas faz sentido. Nada é tão viciante. Nada nos instiga mais como antes. Não somos mais preenchidos. E nunca seremos enquanto esperarmos mais da mesma coisa.

Lost foi uma narrativa transmidiática como nenhuma outra. Gerou a maior e mais satisfatória convergência entre TV e internet. Migrou das telas para livros, games e outras mídias como nenhum outro produto, respeitando seu universo e expandido a experiência do leitor enquanto aumentava sua própria mitologia.

Apesar de continuar viva em cada um dos fãs, a experiência Lost acabou. É chegada a hora de deixá-la ir para a luz, para que novos produtos tenham a oportunidade de criar uma experiência tão instigante e inédita quanto Lost criou em cada um de nós. Novos meios surgiram e se fortificaram e novas histórias poderão se aproveitar deles para nos envolver ainda mais com essa paixão chamada TV.

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