Lost, uma série de altos e baixos (nessa ordem)

Adeus, Days Of Your Life, bem vinda O Melhor e o Pior De…, coluna na qual, obviamente, serão listadas as qualidades boas e ruins das séries de TV, uma por semana.

Pra começar, Lost. A série mais malhada neste ano de 2010. O motivo de chover no molhado é simples: ressaltar as muitas qualidades que este clássico da TV atual tem, tanto que deixarei o lado bom por último, para gravar melhor na cabeça.

Vamos começar pelo que está na moda e logo passa, falar mal de Lost.

O final

Muita gente reclama. Eu digo que me emocionei. A história chamou atenção por fazer dramaturgia com teorias científicas difíceis em TV aberta. Isso não é para qualquer um. Os caras do roteiro até estavam conseguindo levar a gente com todo aquele papo de viagem no tempo e tudo mais… O problema é que o final foi um enrosco de credos.

Nas primeiras temporadas, os produtores sempre martelaram que Lost é ciência, que finais clichês como ‘eles estão no purgatório’ estavam descartados. E estavam mesmo, mas não 100%. No final, a gente descobriu que era tudo místico e religioso. Isso foi triste…

A falta de respostas

Vamos nos ater a uma das características que mais deixou os fãs de Lost loucos: a busca por respostas. Tudo que era jogado na série acabava sendo analisado frame a frame. Comunidades compartilhavam conhecimento sobrea série, buscando pistas em qualquer possibilidade.

Eles tentavam entender, acreditando que suas próprias teorias poderiam contribuir para a série, ou então ser pura bobagem. Quem acompanhava a onda de Lost, pode ler teorias incríveis, algumas até melhores do que o que a série virou. E é difícil aceitar a ideia de que os tais produtores super antenados não acabaram caindo em competição com sua própria audiência, ao invés de abraçá-la e ver nas ideias dela uma possibilidade de encerrar tudo de forma decente. Eles quiseram ser geniais, mas não foram.

Todos acreditavam que as respostas viriam. Alguns diziam que elas não fariam sentido. Outros, se bobear, apostaram até a mãe de tão confiantes. No final, não era certo e nem errado e o maior suspense de Lost foi ter deixado para sempre no ar a principal pergunta ‘O que é a ilha?’… Se você tem uma resposta, saiba que ela é e sempre será apenas uma teoria.

O romance

Não era bom e isso é indiscutível. Os casais eram clichês e não empolgavam… Jack-Juliet-Sawyer-Kate-Looping… Não descia, mas ok! Lost foi muito mais uma série de ação do que um romance. Porém, este foi um elemento constante para dinamizar a série. O problema é que não convencia. Nenhum casal convencia!

Charlie e Claire? Boring! Penny e Desmond? Booooring! Sun e Jin?? Opa! Estes sim tinham certo carisma. O problema é que bem na reta final, quando todo mundo já imaginava os dois saindo vivos e felizes para sempre, os roteiristas optam por matá-los. Pô, sacanagem! Quem sobra? Rose e Bernard… Romance da terceira idade que ninguém merece.

As atuações

Vamos ser sinceros, vai… O romance de Lost só não é pior do que a grande maioria do elenco da série. Tira Michael Emerson, Terry O’Quinn e raríssimas outras exceções de Lost e o que temos senão atores do cacife de CW? Matthew Fox indicado ao Emmy foi pura vergonha. Nem ele mesmo deve ter entendido o que estava fazendo ali. Josh Holloway ganhava pelo corpo, Naveen Andrews nem isso.

Yunjin Kin só fazia cara de susto com aquela boca aberta e o olho arregalado. Elizabeth Mitchell fazia Juliet ficar tão brava quanto feliz o tempo todo. A gente tinha que se esforçar um pouco para aceitar algumas atuações dali.

O começo

Apesar do final bem inesperado (no mau sentido), o começo de Lost foi primor total. A série engrenou um mecanismo de suspense e mistério empolgante desde seu começo. A trilha sonora, construída literalmente com restos de aviões para dar um som metalizado e frenetizar o suspense funcionou.

Os efeitos visuais em qualidade cinematográfica surpreenderam qualquer um. Se eu tivesse na Comic Con quando Lost foi exibido, acho que teria pirado ali mesmo. É um dos melhores pilotos já apresentados na TV.

Os mistérios

Apesar da falta de algumas respostas (até importantes, eu concordo), pode-se dizer que Lost soube muito bem se aproveitar dos mistérios para engrenar sua narrativa. Em todas as temporadas, tudo o que você queria era grudar um episódio no outro e seguir vendo até suas dúvidas serem saciadas, a medida em que eram cada vez mais aguçadas.

Fazer mistério se tornou um dispositivo de movimento de roteiro muito bem utilizado. O problema é que uma hora as respostas teriam que vir e todos foram enganados por uma campanha de divulgação que espalhou ao mundo que o sexto ano seria o da ‘temporada de respostas’. O mistério está no DNA de Lost e, não fosse este golpe de marketing, poderia ter ido até o penúltimo episódio deste jeito.

A ação

Enquanto Lost peca pelo romance, vence pela ação. O ritmo eufórico de acontecimentos deixa você tão no clima, que é difícil perceber um fato: todas aquelas cenas do pessoal correndo pela selva na ilha eram gravadas com eles parados, se mexendo muito rápido.

Pois é, puro truque de câmera escondido pela agilidade de quem estava dirigindo e gravando, somado ao roteiro corrido com um elemento explosivo amarrado ao outro. Lost foi aventura, foi ficção, foi fantasia… Mas acima de tudo, foi uma série de muita ação, explosões e armas. De tirar o fôlego.

A narrativa

Desbravar a internet como meio para se contar histórias em paralelo a uma mídia essencial já havia sido feito por Matrix no cinema e até por Dawson’s Creek na TV. Mas ainda estou para ver algum produto áudio-visual que mobilize tanto a web como Lost mobilizou. Websódios, ARGs, fóruns…

E não só a internet! A série ainda contou sua trama em videogames e livros, revolucionando a maneira de se contar uma história tão complicada e densa. No final, quem ganhou foi a audiência, que teve uma experiência muito mais completa, de acordo com a base onde consumia Lost. Chega a ser democrático!

E é isso! Lost acabou, mas nunca vai acabar. Exatamente por ter todas essas qualidades tão antagônicas. Na semana que vem, tem outro post trazendo o bom e o ruim de uma série. Se quiser, joga uma série aí no campo de comentários para que ela seja tratada aqui, na próxima edição.

Até lá.

Originalmente publicado em 15 de setembro de 2010.

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