Mad Men 7×09 — New Business

Toda arte vende alguma coisa”. RYAN, Pima

Quando, aos dezoito anos de idade, no longínquo ano de 2007, iniciei o curso de Graduação em Produção Cinematográfica, fazia como parte da grade curricular da universidade a matéria Historia da Arte. E naquela matéria, se não me falha a memória, o professor em questão nos ensinou que arte abstrata é extremamente difícil de ser analisada, afinal, como uns rabiscos que facilmente podem ser feitos por uma criança ainda não letrada poderiam valer tanto? A arte abstrata não deve ser compreendida, e sim sentida, foi o que me disseram na época.

É com esta explicação, caro leitor, que digo o mesmo sobre Mad Men. Esta é uma série tão brilhante que deve ser sentida nos mínimos detalhes, como arte abstrata, e sorvida aos poucos como um bom vinho envelhecido pelo tempo e não como uma cerveja em um botequim qualquer.

New Business é um episódio que à primeira vista possa parecer pacato, monótono e sem muitos acontecimentos. Já digo que não o é. E um segundo olhar mais preciso — e sentido — lhe mostrará, leitor, a grandeza deste episódio.

Mad Men 7x09

O roteiro, escrito pelo showrunner Matthew Weiner em parceria com Tom Smuts, tem a sutileza de mostrar que tudo mudou, dando a impressão de que nada de importante aconteceu.

Em seus primeiros segundos, vemos em uma linda alusão o que Don Draper poderia ter tido, em um bem executado plano falso, ao preparar um milk shake para os filhos na cozinha com Betty entrando logo em seguida. E este sentimento de nostalgia, ou de “a vida que poderia ter tido”, fica mais evidente na significante interpretação de John Hann no momento em que ele deixa o cômodo.

Smuts e Weiner, ainda na tarefa de mostrarem a nós, espectadores, o que o seu personagem perdeu pelas atitudes que tomou, trouxeram para dar um ponto final Megan — a sempre estonteante Jessica Paré — acompanhada de sua irmã e sua mãe, que juntas renderam boas cenas.

Fato é que, nas temporadas passadas, ao dar um passo em ser uma mulher independente e se mudar para Los Angeles, uma vida na qual Don não tomaria parte, Megan ameaça a posição de “macho-alfa” de Draper, o que, de certa forma, já prevíamos, acabaria com o fim deste relacionamento, muito mais por falhas de Don do que de Megan, sou claro em analisar. E Don sabe disso, tanto sabe que tentou amenizar sua culpa com um milionário cheque para a ex-mulher. No fim, é mais um relacionamento que Don Draper perde, é mais um “a vida que poderia ter dito” que se vai. E nessa onda, até os móveis vão embora também, em uma divertida vingança de Marie.

Porém, reparem leitor, e não posso deixar de citar que neste episódio somos apreciados com um desfile de personagens secundários que poderiam ter dado a Draper “a vida que poderia ter dito”. Até os Rosen aparecem novamente em uma pequena cena no elevador, e agora a sofrida garçonete Diana é a possibilidade da vez. Se irá durar? Creio que não.

Michael Uppendahl, que retorna à direção, é muito feliz ao retratar como a SC&P cresceu ao se juntar com a McCann na ótima cena em que Peggy apresenta a Stan a renomada fotógrafa Pina Ryan. Reparem que Uppendahl faz questão de mostrar em Planos Gerais que, agora com fluxo de caixa, as produções das campanhas são feitas em estúdios maiores e com artistas renomados.

É claro e bem óbvio que o foco de New Business é o ponto final da relação Don-Megan. Porém, ao retratar a insatisfação de Stan com seu trabalho, a dupla de roteiristas poderia ter dado uma melhor abordagem — ou uma melhor decupagem -, sendo este talvez o único problema no ritmo deste episódio, mas que longe disso não tira o seu brilhantismo, principalmente em sua última cena, em mostrar — e sentir — que nem sempre merecemos a “vida que poderíamos ter dito” e que no fim todos poderão ir embora, até os móveis.

Fiquem com a promo do próximo episódio.

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