Mad Men 7×14 — Person To Person [Series Finale]

Mad Men encerra sua trajetória com o brilhantismo em entrelaçar ficção e realidade.

Eu gostaria de ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia”. — Coca- Cola.

Apenas, Bravo!

E finalmente a AMC levou ao ar uma de suas mais premiadas series, Mad Men. E esta será uma obra que fará falta no quadro de programação da emissora e que pelas habilidosas mãos de Matthew Weiner, já alçado ao Olimpo dos showrunners, fez um marco na história da TV americana, da criação de obras de ficção e de suas reflexões promovidas.

Person to Person veio com a missão de encerrar um show não só aclamado pela crítica, mas também muito aguardo pelos fãs. Escrito e dirigido pelo próprio showrruner, Weiner conseguiu trazer significativas resoluções aos seus personagens e ao mesmo tempo lançar mensagens de amor e otimismo.

O episódio inicia-se poucos meses depois de The Milk and Honey Route e conseguiu reunir, mesmo que as vezes em poucas cenas, grande parte de seu elenco, trazendo até Ken Cosgrove e Harry Crane em pequenas pontas, porém os sócios fundadores da falecida SC&P tiveram seus finais com mais destaque, finalizando sua obra em novembro de 1970.

Mad Men 7x14 [1]

É claro que o episódio trouxe fortes emoções, porém Weiner consegui balancear estes tensos momentos com outros mais leves e até divertidos, e houve muitas conversas ao telefone.

Se me perguntam-se, leitores, quais os tipos de cenas que gosto, responderia sem hesitar que qualquer produção audiovisual que tenha cenas com bicicletas e telefones me agrada e digo sem pestanejar que o filme francês Dans Parris com direção de Cristopher Honoré é o que possui a cena ao telefone que mais me encanta. Agora adiciono a lista a cena criada por Weiner entre Don e Betty.

O showrunner consegui dar o tom certo neste momento da projeção em que visualizamos Don — após saber através de Sally que Betty está morrendo — ter com sua ex-mulher uma conversa honesta, quando a mesma afirma que Don não é a melhor opção de família para os filhos quando ela se for e quer que após sua morte os meninos sejam criados pelo seu irmão, mas ao mesmo tempo cheia de ternura, pela história entre eles vividas quando os dois, por receios e magoas acumuladas engolem um visível “ Eu te amo”, e as únicas palavras pronunciadas por ela é “querido” e por ele “Birdie”. Emocionante!

Emocionante também foi como Weiner conduziu os diálogos, também ao telefone, entre Peggy e Don e posteriormente entre Peggy e Stan.

Confesso que muito me agrada a situação do diálogo entre Don e Peggy que nos leva a um entendimento precipitado da situação. Após ser abandonado pela sobrinha de Ana, Stephanie, no acampamento hippie (falarei desta situação mais abaixo). Don percebe que não há mais ninguém em sua vida, não há casa, nem carro, mulher, filhos, ex-mulher, e a única pessoa que ele se recorda é Peggy, a discípula e amiga. John Hann é visceral em sua atuação, na cena que implica em um possível suicídio de Draper quando, por telefone, confessa a Peggy todos os seus erros — incluindo roubar a identidade de outra pessoa na guerra- e finaliza a ligação com um: “ — Eu liguei para dizer adeus! ”.

Após este tenso momento Elizabeth Moss protagoniza uma das cenas mais engraçadas do show na figura de Peggy quando ela escuta de seu amigo Stan uma confissão apaixonada de um amor que ele — Jay. R. Ferguson em ótima performance — visivelmente nutria pela chefe e que era demostrada de forma bem sutil em temporadas passadas.

Joan e Roger também tiveram seus momentos ternos, assim como Peter, que após se reconciliar em Trudy está visivelmente querendo ser um homem melhor e solta a Joan um dos elogios mais inesperados e o mesmo faz a Peggy.

A ruiva, que tanto sofreu por ser uma mulher em sua época, trouxe neste episódio, com o seu final, uma otimista mensagem de feminismo ao através de Ken Cosgrove montar sua própria empresa e se ver livre das amarras de patrões e colegas machistas.

E então chegamos a Draper. Gradativamente Weiner foi construindo sua narrativa e o despindo de toda a imagem que ele mesmo construío durante os anos, e o que sobrou?

Sobrou o que Don Draper/ Dick Whittman sempre foi, um home com grandes ideias, porém alguém assustado, com medo e cansado de sentir-se invisível e menosprezado. Assim dando continuidade à sua road trip, Draper volta a Califórnia e entrega a Stephanie o anel de noivado que pertencia a falecida Ana.

Stephanie, é interessante analisarmos está em frangalhos, pois após sua gravidez ela entregou o seu bebe a adoção. A personagem não consegue lidar com as emoções misturas que sentem, e emoção é isso, as vezes tem nome, as vezes não, nunca é um elemento puro como a luz branca ou a Coca-Cola. E assim os dois se juntam a um retiro hippie em uma tentativa conjunta de recolherem os cacos. Notem que Stephanie não consegue e faz o que Don fez em episódios passados e foge.

E neste momento que Weiner se mostra genial. Quando tudo caminhava para um possível suicídio Don percebe que ele não é a única pessoa no mundo que se sente assim, solitário e não compreendido e tudo em uma cena muito bem construída ambientada em uma terapia de grupo.

Como diretor Weiner em elegantes travellings nos dá um último vislumbre do que aconteceu aos seus personagens e então utiliza um recurso mais que interessante, a ideia da suposição.

Jon Hamm as Don Draper - Mad Men _ Season 7, Episode 14 - Photo Credit: Justina Mintz/AMC

Em sua última cena visualizamos Don meditando no acampamento hippie com uma narração em off sobre se encontrar e ter novas ideias. Don sorri, temos um corte seco e visualizamos a mais famosa campanha da Coca-Cola.

Notem que aqui o showrunner dá a cada expectador o direito de através de seus repertórios sociais, culturais e políticos construírem os seus próprios finais do que aconteceu no intervalo de uma cena a outra. Porém o mesmo não deixar de ser sutil em sua mensagem ao dizer que por mais que tenha mudado, Don Draper é um homem de ideias, e que será sua a ideia da Campanha HillTop promovida pela Coca-Cola Company em 1971, que não só lançou a marca para o âmbito global como foi fundamental na construção do ideal da marca enquanto produto.

Matthew Weiner trouxe ao seu show um final tão poético, abordando através da indústria do consumismo uma mensagem que não há como negar o seu poder poético. Afinal não só Weiner e a Coca-Cola , mas este que voz escreve também gostaria de ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia. Obrigado por nos acompanharem.

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