Magnífica 70 1×06 — Episódio 06

Magnífica 70 acerta no embate entre diretor e produtor mas erra ao trazer roteiro machista

Eles acham que estão fazendo arte, e pela arte topam qualquer coisa. E aquilo ali é só mais um filme de sacanagem.” HELENA.

Se na review do episódio passado eu apontei a falta de carisma do personagem principal de Magnífica 70, neste Episódio 06 tivemos uma pequeno avanço para, infelizmente, cair nos mesmos erros e trazer ainda traços de machismo, que dissertarei mais abaixo.

O Episódio 06 inicia-se com uma janela temporal de semanas entre o Episódio 5. Se no anterior acompanhávamos o início das gravações de Minha Cunhada é de Morte, neste atual episódio vemos o seu último dia de gravação e as conseqüências que este traz aos seus personagens.

Magnífica-70-1x06

Vicente, finalmente firma-se como diretor, uma evolução segura que é visivelmente sentida na interpretação de seu ator, Marcos Winter, que se mostrou mais à vontade e seguro de seus trejeitos nesta nova fase de seu personagem.

A partir desta premissa o roteiro marca pontos positivos ao trazer uma interessante abordagem, a rivalidade entre diretor VS produtor.

Por razões pessoais e de cartases emocionais, Vicente vê no filme que dirige um vértice para expor todo o seu lado artístico e expurgar sua culpa. O roteiro deixa bem claro ao mostra o personagem fazendo cortes de cena, dizendo quais lentes gostaria de usar, mesmo que isso ultrapasse o orçamento inicial do filme, querendo assim transformá-lo em “filme de arte”.

Em contraponto temos Larsen, em uma participação mais ativa de Stepan Nercessian, como o produtor que por motivos de renda e lucro quer manter o filme no viés dos “filmes de sacanagem”, o que fica bem explicito quando o mesmo comparece ao set de gravação apenas para ver a cena de beijo lésbico ou até mesmo quando Manolo, por motivações pessoais, boicota a cena em que o Contador deveria brochar no filme, o que do ponto de vista mercadológico é compreensível. Afinal como atrair o público alvo do filme, se o personagem principal brocha? É vender não só a ideia de “filme de sacanagem”, como a de um homem viril e ideal.

É ai que o roteiro perde força ao trazer a objetificação feminina, que vêem crescendo na série, culminando em sua protagonista, Dora Dumar. Todos, de uma maneira o de outra a desejam. Vicente a deseja por a mesma lembrar sua falecida cunhada, Manolo acredita que Dora é a mulher destinada a acabar com o feitiço da bruxa paraguaia e devolver sua virilidade, Dario vê na irmã seu passaporte para a liberdade e o pagamento de sua dívida, Larsen mostrou seus interesses assediando sua atriz e até Helena, que apesar de não a desejar sexualmente como os demais, mostra um visível ressentimento e inveja da colega.

Reparem, leitor, que estas nuanças de objetificação e de desejos e disputas por Dora, tornam-se mais intensas e digo, estranhamente psicóticas, com o surgimento de Walter no set de filmagem, justamente na cena de estupro do filme Minha Cunhada é de Morte, com direito a ameaças veladas em forma de atuação de coadjuvante.

Estes aspectos machistas e chauvinistas, característicos da década de 70, ainda mais no período ditatorial, tornam os personagens masculinos do universo de Magnifica 70 — com exceção de Inácio- antipáticos e rasos. Nem Vicente, que é tido como um personagem sensível, escapa de atos falhos de machismo, quando o mesmo ocasionalmente afirmar que Helena irá sossegar agora que tem um namorado.

Até mesmo Isabel, que esta avulsa das atividades centrais em uma storyline paralela de auto-descoberta, não escapa de um machismo velado , tendo sua descoberta ligada ao sexo como meio de manipulação.

Magnifica 70 entregou mais uma vez um roteiro interessante a respeito da metalinguagem cinematográfica, mas peca nas relações interpessoais de seus personagens e nos argumentos machistas sem deixar claro se são críticos ou não.

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