Magnífica 70 1×11 — Episódio 11

Magnífica 70 perde a oportunidade em ousar com roteiro e linguagem mais subjetivos.

A gente precisa salvar este filme.” VICENTE.

Devo confessar, leitor, que ao finalizar a projeção eu não sabia como classificar este Episódio 11. É, de fato, um episódio interessante que oscila e assim avança na ousadia, mas retrocede pelo medo de ousar de mais.

Com uma janela no tempo dramática entre um episódio e o outro, começamos a projeção com a noite de estreia de Minha Cunhada é de Morte. A premissa do uso desta linguagem visual muito me agradou, pois não só demostrava uma diretriz mais solta pelos diretores, Carolina Jabor e Claudio Torres, como também o uso de detalhes do tempo presente para que o público, através do seu repertorio histórico, cultural e político, preenchesse as lacunas ao seu bel prazer. Uma linguagem muito usada- e com maestria- por Matthew Weiner em Mad Men.

Porém, toda essa ousadia de linguagem se esvai no mesmo instante em que o uso do flashback é feito de forma didática, para preencher as lacunas da trama, mostrando receio da direção em arriscar em linguagens mais subjetivas. Uma pena!

Com isto posto, e também pela linguagem estética já estabelecida, temos um episódio em sua maior parte em preto e branco. Em reviews passadas, eu já havia exposto meu descontentamento com esta linguagem, que mais atrapalha do que ajuda, diminuindo o impacto dramático de algumas cenas, além de mostrar uma decupagem visível dos tempos dramáticos. Colorido é presente. Preto e branco é passado. Como se o espectador não fosse capaz de distinguir qual tempo dramático esta em voga.

Magnifica 70_ep 11

Apesar destas observações, o Episódio 11 trouxe interessantes dinâmicas com seus personagens. Já na reta final de sua conclusão, conseguimos distinguir que duas storylines são o motor gerador da série. Trazer a tona os crimes cometidos pelo General Souto, liderado por Vicente, e o roubo a Magnífica direcionado por Dora, e ambos usam o filme Minha Cunhada é de Morte para conseguir estes objetivos.

Devo destacar a evolução de Vicente, que de um personagem morno e sem graça, influenciado pelas mulheres de sua vida, Isabel, Angela e Dora, em diferentes etapas — e formas, por que não?!-, mostra um interessante poder de persuasão.

No episódio passado, já havíamos tido um vislumbre desta característica quando o mesmo narra os motivos de proibir Minha Cunhada é de Morte. Agora, o mesmo se mostra muito hábil ao usar o dinheiro do próprio Estado para produzir e filmar as cenas finais e assim lançar seu filme, que supriram suas necessitadas artísticas para a necessidade da denúncia.

Assim, Magnifica 70 nos entrega um episódio que supre nossas necessidades de informações sobre os avanços do roteiro, mas que poderia ousar mais, se a mesma se permitisse. E nesta atual conjectura do cenário do audiovisual nacional, ousar nunca será demais.

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