Mas, a Amy não devia ter sido indicada ao Oscar?

Reza a lenda, que um não pode existir enquanto o outro não tiver ganho sua estatueta… E serão anos de expectativa até que isso aconteça. Muito sangue (cenográfico) suor e lágrimas precisarão deslizar por sua pele; milhões serão investidos, linhas e mais linhas escritas pelos críticos até o momento em que o discurso de agradecimento encerará uma era para que outra se inicie.

Se até o ano passado acompanhamos a era “Leonardo Dicaprio”, hoje vemos a esnobada da Academia inaugurar oficialmente a era “Dêem um Oscar para Amy Adams”.

Seja bem-vinda, Amy!

Amy encantou o mundo com seu ar angelical e sorriso doce, mas sua carreira amadureceu. Cada vez mais versátil nas escolhas dos papeis, em 2016 ela nos presenteou com duas atuações impecáveis.

Sabemos que o trabalho do ator é transmitir emoções o que se torna mais fácil (apenas “mais fácil”, mas ainda assim, sempre difícil) em papeis com excesso de diálogos, sorrisos e lágrimas, porém, as personagens de A Chegada e Animais Noturnos passam distante disso. Atuando com sensibilidade e intensidade, Amy Adams conseguiu transparecer (e até contagiar) o público com o olhar, a postura, a respiração, o tom de voz, transformando Louise e Susan em seres humanos verdadeiros e profundos .

A Chegada já pode ser colocado ao lado de clássicos como Contato, por exemplo. Muito maior do que um “filme sobre invasão alienígena” ele evoca uma reflexão sobre o peso que as escolhas que fazemos trazem para nossa história. E Amy presenteou a Dra. Louise com esse ar melancólico, nostálgico e até cansado que somente os grandes sábios (aqueles que enxergam além do momento presente) carregam em seu olhar.

Confesse que você prendeu a respiração junto com ela.

Já em Animais Noturnos, um dos personagens diz (e isso não é necessariamente um spoiler) que Susan tem um “olhar triste” e sim, Amy carrega esse olhar durante toda a projeção. Se, quando jovem, sua tristeza evoca idealismo, os anos transformam essa dor em algo próximo ao tédio. E toda essa mudança é palpável, mesmo acontecendo em pequenos gestos e expressões.

Concentre-se nessa imagem. Admita que você ficou, no mínimo, melancólico.

Transmitir tantas emoções em performances comedidas como a que ela sustentou nos dois filmes merecia sim, ser reconhecido pela Academia. Por isso críticos e público não conseguem entender o porquê de ela ter sido esnobada nas duas possibilidades em que podia ter sido indicada.

Mas, também segundo a lenda, essa é parte da jornada. Chegará o dia em que Amy Adams interpretará um personagem cuja dor irá dilacerar a alma do mundo inteiro, cuja resiliência fará com que os créditos finais sejam precedidos de uma grande vitória. Críticos, público e Academia exultarão o seu nome e seu discurso de agradecimento encerrará mais uma era dando espaço para o próximo, que já deve estar iniciando seu caminho, em algum estúdio por aí.

Fica triste não, Amy. Sua hora vai chegar!

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