MasterChef Brasil — Candidatos ao ponto?

Para quem não conhece a franquia MasterChef, a edição brasileira merece realmente o sucesso que anda fazendo. É na atualidade o melhor reality da TV brasileira. Sucesso nas redes sociais e nas rodas de conversa. Isso se deve muito ao processo crescente do interesse do brasileiro pela gastronomia. Feito esse advindo da avalanche de programas gringos dedicados à boa mesa.

Quanto a dinâmica do programa não tem muito que falar. Ela segue a cartilha das demais franquias. Nossa maior inspiração é o MasterChef Canadá onde tudo acontece em um mesmo programa e os chefs estão mais para carrascos do que exemplos a serem seguidos. Quem dera se os chefs do MasterChef Brasil fossem como os da Austrália, que estão ali mais como mentores do que julgadores do seu prato.

Pois bem, só que essa dinâmica entra em uma única contradição quando a colocamos em contato com os candidatos brasileiros. Salvo algumas exceções a maioria do nosso time de competidores são bem amadores. Mas, o programa não é feito para amadores? Sim, mas calma lá, amadores que deixam queimar o arroz ou que servem frango cru, merecem outra classificação, não acham?

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O que quero dizer com isso é que soa estranho o time de chefs exigindo técnicas e pratos bem elaborados para um time que requer um preparo, um conhecimento maior. Jacquin não pode exigir de cara do Marcos um ótimo tartar porque dali não vai sair um prato digno de nota. Mas ele podia ensinar, podia dar dicas e não ficar somente tocando o terror. Isso é ótimo para a audiência, porém, o público mais sensível já sacou que essa formula é furada.

No programa de terça (14/07) tivemos boas amostras desse despreparo dos candidatos. Para a maioria não foi surpresa a volta da Isabel, uma vez que um spoiller foi dado um mês atrás relacionado a essa candidata. E, mesmo sem esse spoiller, a própria Band vacilou semana passada ao mostrar um VT dessa semana onde Isabel já circulava entre os que continuariam na disputa. Realmente a volta tinha que ser dada a ela ou Murilo, os únicos que justificaram por meio dos seus pratos o merecimento de permanecerem. O que foi aquele prato do Capitão Hamilton? Gente, sério! Como uma pessoa em sã consciência quer voltar para o jogo com aquele prato? Se for para nivelar por baixo, aí tudo bem.

Outro momento crucial para separarmos o joio do trigo é que pela primeira vez ficaram na prova de eliminação aqueles que são os mais fracos, se olharmos a dinâmica do programa e a exigência dos três chefs. Não é que Cristiano, Marcos, Iranete, Lucas e Sabrina não saibam cozinhar, sou louco para saborear a comida da Iranete, comidinha caseira, gostosa, bem temperada. Mas, quando os chefs os pedem para fazerem ceviche ou tartar, dois pratos clássicos da culinária mundial, pela exigência dos mesmos, são esperados um nivelamento de pratos. E não foi o que aconteceu. Como assim não colocarem coentro em um ceviche clássico? Todo mundo precisa saber disso? Não. Os concorrentes, sim!

O cozinheiro amador Lucas, merece um destaque especial. Ele fez o triste comentário que a comida peruana é zuada, ao se referir ao ceviche. Que pena. Para ele que quer ser um chef, em primeiro lugar deve saber que toda comida merece o respeito. Você não precisa gostar e nem colocar no seu menu, mas respeito é fundamental. O ceviche é um prato típico da culinária peruana e, por trás dele, tem toda uma história da cultura daquele país. Será que ele ficaria feliz ao escutar algum gringo falando mal da nossa feijoada? Acredito que não. E, talvez ele ainda não saiba, mas deveria, a gastronomia peruana é a queridinha do momento.

No final esses 5 tinham que acertar o ponto da carne. Outra prova que exige técnica e um bom conhecimento. Uma prova difícil! Todo chef a qualquer momento pode errar o ponto de uma carne. A etapa final era o ponto bem passado. Eu e muitos achamos que o melhor ponto foi o da Iranete e o pior o do Lucas. Porém, os chefs chegaram à conclusão que Iranete era quem deveria devolver o avental.

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Uma pena, porque Iranete sempre foi uma candidata boa para o reality. Nunca pesou para o lado do coitadismo e sempre foi uma concorrente confiante nos pratos que serviu. Pode ainda não ter a técnica, mas ganha de lavada de muitos ali quando analisamos o amor por aquilo que faz.

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