Masters of Sex 3×02 — Three’s a crowd

Masters of Sex mostra o preço a se pagar por ser mulher

Bill consegue o que quer. Tudo o que Bill deseja, se torna realidade. Se quiser acreditar em algo, ele dará um jeito.” — MASTERS, Libby.

Não é incomum ouvir desabafos sobre o quão difícil é ser mulher: cólicas, dores do parto, modificação do corpo, incapacitação para o trabalho pré e pós gravidez. Obviamente, somos frutos da batalha para emancipação feminina, começada há pouquíssimo tempo, se formos considerar a história humana. Somos a geração de mulheres que querprecisa ter uma vida profissional bem sucedida, independente do desejo (ou não) de ser mãe. No fim, somos herdeiras de Virginia Johnson.

O tempo voa em Masters of Sex. O que em outra série poderia tomar uns 5 episódios, é apresentado e resolvido em um só, porque não é ação em si que importa, mas as consequências que traz para o relacionamento dos personagens. Esta semana temos uma troca de papéis no jogo Masters-Johnson, pois a fragilidade que Bill demonstrou no episódio anterior some. Aqui ele arquiteta e movimenta as peças, de forma que seu filho com Virgínia — o livro — se sobreponha a criança que ela concebeu com George. E que atuação maravilhosa a de Michael Sheen e Lizzy Caplan na cena em que discutem o destino da gravidez.

É sabido que Bill não tem vocação para a paternidade, mas sua reação ao saber que Virgínia estava grávida de George, e não dele, foi de cortar o coração. Havia tanta decepção, disfarçada em profissionalismo em seu olhar, quanto embaraço, disfarçado de desafio, no dela. Caitlin Fitzgerald também deu um show de interpretação ao fazer sua Libby sair da resignação para a batalha, a fim de resgatar sua família. E George (Mather Zickel) pode até não ser o personagem mais amado da série, mas a posição em que foi colocado nesse episódio, com certeza, desperta um pouco de empatia da audiência.

Masters of sex

Quanto às histórias paralelas, era esperado que a presença de outra profissional, que não Virgínia, ao lado de Bill não funcionaria. Já a situação do casal real apenas deixou mais explícita discussão que envolvia a gravidez de Virgínia: qual o papel da mulher naquela sociedade?

Gerar filhos é a função natural da mulher? E quando ela não pode fazê-lo, o que lhe resta? E quando ela não exerce bem seu papel de mãe? Diante do ruído de comunicação que tem com seus filhos, Virgínia desejou ardentemente uma segunda chance (e me surpreendeu a naturalidade com que eles trataram a possibilidade do aborto nesse episódio, que ainda é um assunto tão tabu). Por isso ela retornou algumas casas no tabuleiro, submetendo-se a um casamento de aparências e contradizendo algumas de suas atitudes anteriores. Não basta ser eficiente no trabalho, é preciso que isso se estenda para todas as outras esferas de sua vida.

E mesmo assumindo uma atitude, aparentemente submissa, é ela quem detém o comando do jogo. Mesmo que Bill movimente as peças, Virgínia movimenta Bill, mesmo sem perceber. Percebe-se pela maneira suave ansiosa com que ele a conforta antes do parto (a cena em que ele canta é impagável!). O tom de voz dele muda e os argumentos que usa mostram o quanto ela é importante, não para a pesquisa, mas para ele. Masters é um fã de Johnson.

Um destaque para a poesia da cena espelhada, onde ela e George contemplam sua filha pelo vidro do berçário, e Bill admira o filho que tiveram pela vitrine. Um belíssimo paralelo das motivações do casal.

Segue promo do próximo episódio:

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