Masters of Sex 3×03 — The Excitement of Release

Masters of Sex toca em assuntos incômodos e vai além da polêmica.

Esperamos ter estimulado sua curiosidade, se não estimulamos nada mais” — MASTERS, Bill.

Bill Masters é um personagem que desperta sentimentos ambivalentes. Seu profundo egoísmo e miopia sobre suas atitudes nos fazem detestá-lo em alguns momentos. Porém em outros, ele mostra sua humanidade de forma tão inocente, que voltamos a amá-lo. O primeiro caso acontece quando ele passa por cima das necessidades de Virginia e exige dela mais do que pode dar no momento, ou quando não enxerga o desconforto de Libby e nega-se a uma aproximação com sua esposa ou filhos.

Mas há momentos em que tudo muda, pois ele consegue demonstrar o quão atencioso e carinhoso pode ser (e parece que nesse episódio fica claro que a desculpa de o relacionamento de Bill e Virgnínia ser exclusivo para o estudo já não existe mais), ou quando ele demonstrou sua amizade por Barton (como este personagem fazia falta!). A aceitação do relacionamento de aparências (mesmo diante do evidente incômodo) ou a defesa apaixonada de seu amigo diante a humilhação sofrida, são exemplos de como Masters supera a si mesmo. Tomara que Barton aceite o convite de Bill para trabalharem juntos, será algo interessantíssimo de se ver novamente, pois estarão em posições invertida, sendo Masters agora o chefe de Scully.

Outra coisa que Masters defende furiosamente é seu livro. A ideia de tê-lo como obra didática para uma disciplina nas universidades é excelente, mas como foi dito no episódio, ainda não existe espaço para esse tipo de debate na academia. O livro é uma obra prima, mas é controverso, despertando admiração e aversão. Por isso a ideia de Betty parece mais aceitável para o momento. As reuniões para negociação entre Betty, Virginia e possíveis investidores foram deliciosas de se ver, as duas são uma dupla muito boa em cena.

Masters of sex

Apesar de sermos inclinados a sempre concordar com Virginia, é compreensível a relutância de Masters em associar seu estudo à revistas Playboy, diante da polêmica que já causa, resta agora aguardar para ver quais serão os frutos de sua associação a Dan Logan (Josh Charles) e seu desejo de se fabricar “a fragrância da sedução”.

Libby é outra personagem que se encontra em um conflito interno: deseja ardentemente manter-se em seu ideal de família, mas consome cada vez mais conteúdo que fala sobre a liberação feminina, o que se afirma na citação ao Mística Feminina (livro que embasa o feminismo da década de 1960) e em sua postura desafiadora.

Em um caminho aparentemente inverso, vemos Virgínia, que vem perdendo a força que tinha nas temporadas anteriores. Sua insegurança em relação corpo (algo que não parecia tão evidente para ela antes) e inabilidade para lidar com seus conflitos em casa, as exigências de Masters e agenda de trabalho demonstram uma postura mais passiva e nos leva a desejar uma explosão que rompa as amarras nas quais ela se colocou.

E finalmente, precisamos falar sobre Tessa. De todos os pecados de Virgínia, sua miopia em relação á sua filha mais velha é o que mais pode gerar consequências negativas para ambas. Tessa é uma adolescente que, apesar da raiva e desprezo demonstrados, espelha-se na antiga Vigínia: liberal, independente, sem medo de falar o que pensa, mas não tem maturidade para lidar com suas emoções. Pedindo por atenção a todo o momento, utiliza a fúria contra sua mãe como escape para suas angústias.

Apesar de acusar Virgínia e seu trabalho, pelo bullying que sofre, não hesita em desfilar com o livro pela escola e usá-lo como arma de sedução. Aliás, vemos que ela faz uso de sua sexualidade como forma de chamar atenção desde o primeiro episódio. Nada disso porém pode ser usado como justificativa para o abuso que sofreu de seu namorado. Sim, ela foi abusada sexualmente. Foi forte, incômodo. Talvez mais angustiante pela situação em que ela está, uma sociedade em que não pode protestar sem ter mil dedos apontados para ela, culpabilizando-a (quase nada mudou com o passar dos anos, como podemos perceber).

É um assunto delicado (ainda hoje o é) e Masters of Sex o tratou de maneira primorosa (diferente de Game of Thrones, por exemplo), pelo incômodo e não apenas como elemento para chocar a audiência. Em todo os momentos nos sentimos angustiados pela vítima, sua revolta contida e seu silêncio. As cenas foram bem dirigidas e a atuação de Isabelle Fuhrman foi de aplaudir de pé. Aguardando para ver como esse plot se desenrolará.

Ps1.: A passagem de tempo é um ponto forte da série, mas ás vezes é fácil se perder nos fatos. Em que momento Bárbara saiu de cena e Jane retornou para a vida de Lester, ou, quando Bill passou a frequentar a casa de Virgínia de forma tão confortável?

Ps2.: As cenas da intimidade de Bill e Virgínia sempre são lindas de se ver.

Segue promo do próximo episódio:

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