Mimimizentos? Bitch Please!

Mimimizentos? Bitch Please!

Recentemente, a revista Time publicou uma matéria que chamou a atenção de boa parte da imprensa. A reportagem traçava o perfil dos jovens e chegava à seguinte conclusão: eles são mimimizentos. Isso mesmo, a sua, a minha geração é taxada como chata e mimada. Ok, alguns até podem ser tudo isso — e mais um pouco — porém, basta olhar para o novo cenário midiático e notar que não é bem assim, pois somos responsáveis por um dos momentos mais representativos da comunicação.

Poderíamos pautar essa coluna com um dos grandes cases da história recente da social media. O Movimento Passe Livre personificou as teorias de Pierre Lévy e sambou na cara de qualquer um que dizia que o sofativismo era coisa de gente conformada. Mas nosso foco são as séries de TV, e elas também têm provado que essa geração dita como egocêntrica e preguiçosa vem zerando a interwebs há tempos.

Antes da máxima ‘Saímos do Facebook’ ir parar nas ruas e ganhar cunho político, os fãs dos seriados já se engajavam através das redes sociais para alcançar seus objetivos. Prova incontestável dessa mobilização por meio de hashtags é Fringe. Desde que a trama de J.J Abrams começou a ter quedas bruscas na audiência, a Fox foi categórica e disse que o programa estava com os dias contados. Diante da iminência de ter sua série favorita cancelada, os espectadores criaram uma ação para chamar a atenção dos executivos da emissora americana.

A cada episódio uma hashtag era lançada com a finalidade não só de unificar e engajar o público, mas de trazê-lo de volta para Appointment Television (TV com hora marcada). Não demorou muito para que as # entrassem nos Trending Topics e ocupassem as páginas de grandes blogs especializados em mídias digitais. O resultado todo mundo já conhece, Fringe foi renovada para sua temporada final graças à mobilização do público nas redes sociais.

A Fox topou dar a Fringe uma temporada final, e ainda incluiu hashtags oficiais a cada novo capítulo da trama de ficção cientifica.

Outro exemplo inesquecível que materializa o perfil do novo espectador é o projeto colaborativo de Veronica Mars que, em menos de cinco horas, conseguiu arrecadar 5,7 milhões de dólares para ajudar no financiamento do longa da extinta série da CW. Além poder ver o retorno da atração protagonizada por Kristen Bell, os colaboradores ainda tiveram direito a alguns mimos como: cópia do roteiro, agradecimento especial nos créditos e até a chance de dividir a cena com a atriz.

No atual ecossistema de conectividade que vivemos, o espectador assume o papel de participante. Ou seja, saímos do marasmo das programações engessadas e passamos a produzir, divulgar e compartilhar conteúdo por conta própria. Hoje as histórias — fictícias ou não — são contadas por qualquer um, em qualquer lugar e de infinitas maneiras. A tal geração ‘mememe’ está transformando os scripts pré-definidos e mudando para sempre as regras do jogo.

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