Minha História no Box de Séries

Eu imagino as pessoas que leem essa coluna (e várias delas falam como se fosse uma coisa reconhecível pelo nome, como se todo mundo lesse), e fico pensando se alguma delas sabe quem eu sou.

Não que elas deveriam — é exatamente o contrário. Mas é que, quando você ouve o Rubens Edwald Filho falando sobre cinema, você acredita que ALGUÉM soube o que fez quando colocou aquele cara pra falar sobre o assunto.

Aqui é a mesma coisa: você lê qualquer coisa e assume que ele saiba o que está falando. O que eu quero dizer é que, pra escrever num site sobre séries, você precisa entender sobre séries.

Não é o meu caso.

Se você, alguma vez imaginou como uma pessoa que escreve tanta asneira acabou sendo contratado por um site como esse, a história é a seguinte:

Eu tinha um blog. Ele era dedicado a escrever nobres histórias sobre heróis mitológicos que enfrentaram árduas tarefas e provaram o seu valor frente à sociedade. Eventualmente, eu fiquei com preguiça e o conteúdo do blog se transformou em um monte de lixo sem graça.

No meio desse lixo, eu publiquei um sério artigo sobre a participação da Britney em Glee — que foi um dos grandes acontecimentos daquela época distante.

Um dos donos desse site leu isso aí, e achou que seria legal me contratar pra escrever pro site dele. Quem sou eu pra julgar as pessoas? Se o chefe está maluco, ele continua sendo o chefe.

Então ele me chamou para um jantar à luz de velas no Fasano e me seduziu.

Na época, eu ainda não tinha comprado um DS — logo, eu não tinha mais o que fazer. Então eu aceitei.

Que erro…

Eu devia saber que esse negócio ia dar errado quando eu disse pra uma amiga que eu ia escrever pra um site de séries. A resposta dela foi:

“Mas você não entende nada de séries”

E era verdade. Eu digo “era”, porque estou narrando um evento passado, mas se quisesse falar sobre a minha pessoa hoje, não seria muito diferente.

A coluna ia se chamar Gongshow, por causa do programa que o Chuck Barris inventou pra poder rir de idiotas na televisão.

A gente achou que o nome deixaria claro que a coluna era um espaço pra se falar MUITO MAL de QUALQUER série que passasse pelo meu caminho. Mas acho que ninguém entendeu isso, e o que quer que eu escrevesse era entendido como uma afronta à moral, aos bons costumes e a algumas séries ruins que faziam sucesso.

A minha chefe descreveu essa reação com a frase:

“As pessoas leem a sua coluna como se fosse o Financial Times.”

Claro que eu escrevo como um animal, né? Eu era tipo o Rafinha Bastos das séries, exceto que eu não estava na televisão e só uma meia-dúzia de pessoas liam o que eu escrevia — então eu nunca fui processado por nada (embora meus chefes morram de medo e liguem para os advogados toda quarta-feira — só por precaução.)

Com o povo entendendo ou não, eu continuei escrevendo, porque… mano, por favor, né? Falar MAL de QUALQUER coisa é MUITO fácil. Então até eu conseguia.

Claro que, no começo, eu realmente me esforcei: minha primeira coluna falava de uma dúzia de estreias (que incluíam o remake de Hawaii Five-O, de que eu falei MUITO mal… e que acabou sendo a série mais assistida da temporada).

Só que as ÚNICAS séries que eu assistia eram Two and a Half Men e House. E SÓ porque essas séries passavam TRÊS VEZES POR DIA. Era quase impossível de perder!

Mas hoje eu sou uma pessoa dedicadíssima: eu assisti TODAS as temporadas de The Office — menos a última, porque o Michael Scott foi embora; eu sei o que acontece em Fringe e The Walking Dead; sei de cor os diálogos do episódio do aborto de Family Guy; sei que a Blair foi encontrar com o Chuck no topo do Empire State (mesmo que tenha chegado atrasada) e sei que o Dustin Hoffman fez uma série de presente pra ele mesmo.

Mesmo assim… sinceramente, né? A coisa mais séria que eu assisti foi Game of Thrones e essa série terminou a temporada com UMA MINA ENTRANDO NA FOGUEIRA E SAINDO COM VÁRIOS DRAGÕES, então…

A conclusão é a seguinte…

Se você acha que é uma boa ideia contratar alguém, faça a seguinte pergunta ao candidato:

-Você acha que Charlie Sheen é uma boa pessoa?

Se ‘não’, contrate — vai ser um incrível autor/funcionário/colaborador/escravo.

Se ‘sim’, faça um favor a si mesmo, e continue procurando. Porque, quando essa pessoa estiver falando mal de Glee e achando que Spartacus é uma série feita pra héteros, você VAI se arrepender.

Isso meio que define o caráter de qualquer um.

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