MoS 2×03 — Fight

Quero ver como acaba.” — JOHNSON, Virginia

Antes que eu assistisse Fight, uma amiga reclamou da infinidade de diálogos presentes no episódio. Logo fiquei mais descrente ainda, três episódios ruins em sequência desanima demais. Entretanto, eu estava completamente enganado e depois de assistir, afirmo com toda certeza, foi um dos melhores episódios que já vi. Uma narrativa tão gostosa de se ver, me fazendo viajar e relembrar de filmes como Antes do Amanhecer.

Quinze rounds. Teoricamente seria o tempo necessário para Virgina e Bill exporem seus desejos e fraquezas. Mas foi muito mais que isso. Foi além de uma simples noite de sexo e troca de confissões. Foi uma noite de entrega, em que não dá para se esquivar do gancho de direita do amor. Ali estavam presentes dois seres humanos que não precisavam se tocar para saber que desejavam um ao outro.

O título do episódio encaixou-se perfeitamente à trama. Mas a qual briga estamos nos referindo? Ao boxe? Ao desentendimento do Dr. Masters com um pai machista que não aceita o filho hermafrodita? Ou seria ao combate interno de Virginia em não mais acreditar em contos de fadas? Podemos apostar também na negligência do pai de Bill. Quer luta mais desonesta do que um pai contra um filho?

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Enquanto isso, o nosso casal protagonista fica se encarando, andando em círculos, soltando insultos um conta o outro. Se essa tensão entre eles fosse realmente uma disputa, seria frustrante, porque nenhum dos dois pode ser o vencedor. Não há ganhador quando se trata do jogo do amor. Aliás, por que ser tão romântico? Por que existir apenas um vencedor? No sexo, ambos possuem um ao outro. Quer vitória mais honesta do que essa?

O jogo de mentiras foi bastante esclarecedor. Enquanto fingiam ser marido e mulher e trocavam falsas confidências, ambos iam se entregando. Vivendo uma fantasia que estavam quase implorando para que fosse realidade. E quando um era ofendido pelo outro, os dois se olhavam e sabiam que aquilo poderia ser resolvido, porque eles se amam. Dr. Holden, o grande radiologista, sabia que sempre poderia amar e idolatrar sua caipira de Louisville.

Existe um livro chamado Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?. Eu nunca tive curiosidade em lê-lo, mas o título cria uma boa indagação. Mas, na minha opinião, não existe essa distinção. Lembra lá na sua adolescência, em que todos discriminavam os tais rótulos? Sexo e amor são nada mais que palavras taxativas para o ato de entrega entre dois amantes.

Seja marido e mulher, namorados, ou com seu colega do Tinder, quando há entrega e desejo você chega ao seu ápice de felicidade. É claro que entre Bill e Gini existe uma boa dose de amor, mas antes disso, eles se desejam de uma forma absurda. A conexão dos dois é invejável e ninguém sabe como isso vai acabar. O importante é que apesar das dúvidas eles estão sendo felizes e também não querem um vida normal. Eles só desejam ser Dr. Holden e Lydia se amando em um quarto de hotel.

Fight foi um dos melhores episódios do ano até agora. Não mostrou nada de novo, mas fez com maestria o que se propôs a fazer. Palmas lentas ao dois atores, Michael Sheen e Lizzy Caplan, que deixaram minha noite mais feliz.

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