MoS 3×01 — Parliament of Owls

Masters of Sex inicia sua terceira temporada distribuindo todas as peças no tabuleiro.

… nós somos a revolução sexual” — JOHNSON, Virginia

No Jogo da Vida de Masters e Johnson temos três jogadores básicos, os demais são apenas peças que ajudam a estabelecer os papéis na história. A terceira temporada de Masters of Sex começou de maneira magistral colocando todas as peças em um mesmo espaço físico, trazendo questões que mais lembram um ambiente de terapia familiar, já que não existem mais divisões entre as duas casas.

O tempo passou. O mundo mudou. Culturalmente, a década de 1960 foi um caldeirão que possibilitou a efervecência dos anos 1970. Sem muitos arrodeios, somos levados diretamente para 1965, o ano da “Revolução Sexual”. As passagens de tempo da série são um grande acerto, que não permitem fillers história contada. Após 12 anos, finalmente o estudo está pronto para ser publicado e a cena em que os dois estão cientistas dormindo juntos e abraçados (algo que nunca foi mostrado em Masters e sua esposa) mostra claramente, que a parceria entre os dois cientistas já está consolidada em todos os âmbitos de suas vidas.

Virginia Johnson é um paradoxo. Desde o início da série, ela busca se mostrar como uma mulher à frente de seu tempo, tanto que foi capaz de associar sua imagem à um estudo do qual muitas mulheres fugiriam. Independente, decidida, abandonou um marido e uma vida medíocre para possibilitar uma vida melhor aos seus filhos. Até o momento em que foi consumida por sua carreira, abrindo mão do que lhe era mais precioso: seus filhos e sua liberdade.

MoS 3x01

É bastante clara a confusão entre o que lhe pertence e aquilo que é de Bill. Na verdade, com o tempo sua vida fundiu-se ao estudo e a ele. Torna-se irônico que uma mulher tão liberal não consiga lidar com a puberdade de seus filhos. Virginia é extremamente humana, treme diante das perdas, ou das possibilidades delas (como no alistamento de seu filho). Não sabe lidar com a liberdade de seus filhos, que estão crescendo. Como se ela só fosse bem sucedida, como mãe, ao tratar com crianças. E sua gravidez, que embora demorada seja surpreendente, devido às questões de Masters, é uma reviravolta interessante para o relacionamento à três.

Libby sempre foi o elo mais frágil deste triângulo. Apesar de sua tentativa de reação, na temporada anterior, o peso da relação (ou falta dela) com Masters era algo que, a qualquer momento traria suas consequências. Percebe-se sua tentativa desesperada de manter aquilo que lhe é mais importante — sua família cada vez maior (perdemos o momento em que conseguiu ser mãe mais uma vez). Assumiu a simbiose da relação entre Bill e Virginia, bem como as consequências para sua sanidade mental. Ao anular-se, mesmo que sob efeito de medicação, consegue minimamente fazer parte da relação entre os dois cientistas. Então torna-se totalmente plausível seu desespero diante do atropelamento de Henry e seus desabafos com Virginia, onde garante que não perderá ninguém, ou será excluída.

Bill torna-se então o mais complexo jogador. Afundado em seu egoísmo e conformismo tenta observar da margem as situações, mas na verdade está no centro de todas elas. Desde seu acesso de fúria com seu filho mais novo — reproduzindo comportamentos que mais desprezava em seu próprio pai — até sua imobilidade diante do assédio de Tessa, podemos perceber que ele é o que se encontra mais perdido dentro do jogo. O sucesso do estudo lhe garante autoconfiança suficiente para manter o profissionalismo (e torna-se muito clara a discrepância entre seu comportamento na coletiva de imprensa e na gravação do documentário da temporada anterior).

Bill não sabe lidar com a dependência (disfarçada de liberdade) de Virginia, e nunca esteve confortável com a fragilidade de Libby, sendo aquele deve conter a maior gama de emoções diante de um muro de indiferença e personagens distintos. Com sua esposa, ele pode ser o provedor, aquele que impõe a lei, uma rocha, enquanto com sua parceiraamante é capaz de expor suas fragilidades e buscas, assumindo uma postura muito mais leve. Dos três, ele é o que tem mais motivos para virar o tabuleiro. Talvez a gravidez de Virginia venha a ser o catalizador para que isso aconteça.

Em tempo, é preciso parabenizar toda a produção pelos figurinos, fotografia e cenários. A caracterização da época está um primor! O elenco infantil e de apoio também deu um show, acompanhando os adultos… E, ah, e como é bom ver Betty de novo!

Segue promo do próximo episódio:

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Será que a Elsa se assumiu lésbica cantando e ninguém percebeu?

Curiosidades de Euphoria, a série BAFOOOO da HBO.

Viajamos no verdadeiro trem do Harry Potter! Na vira real!!! Veja como foi a experiência neste vídeo.

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER