Muito obrigado, Power Rangers!

A nostalgia ganha toques bem feitos de originalidade no retorno do grupo de heróis coloridos ao cinema.

ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers do novo filme dos Power Rangers.

Eu chorei assistindo Power Rangers.

Parece bobeira se você considerar a série dos anos 90, na qual os heróis saiam faísca ao invés de sangue. Mas, quase 25 anos depois da estreia de Mighty Morphin Power Rangers na TV, o mundo é outro — precisamos de um novo grupo de heróis.

Agora não é a sua vez, Tommy.

A essência desta refilmagem não mudou: um grupo de cinco adolescentes (sim, agora eles são realmente jovens) que se unem para proteger o universo de uma ameaça intergaláctica. Os elementos nostálgicos também estão lá: Alpha 5 e seu humor não-intencional, Zordon, Rita Repulsa, os zords… A diferença é que, para competir com grandes franquias como Os Vingadores, A Liga da Justiça, Os Transformers, os Power Rangers precisavam dar um giro de 360º se quisessem atrair a nova audiência do cinema. E assim foi feito.

Em 1993, quando Power Rangers estrearam, a série encantou pela cultura dos super-heróis, mas não tinha a profundidade que temos hoje. Embora simplório, construiu uma base de fãs. Alguns atualmente com 20 ou 30 anos de idade, olham para trás em com um carinho tão primordial como aqueles que cresceram com os filmes de John Hughes. A nova versão tem por objetivo ser mais ambiciosa, mais tecnológica, se inserir no mundo atual — e conhece muito bem.

É a nossa vez de salvar o mundo.

Agora, não basta apenas ter as moedas do poder, ou até mesmo ser escolhido por Zordon: para ser um Ranger, deve-se desenvolver a questão humanitária, a união, o zelo um pelo outro, realmente entender o que ser herói significa. Não é mais entretenimento, é também uma lição. O grupo deve então equilibrar suas diferenças de popularidade e os medos próprios, para enfim vestirem suas armaduras e enfrentar Rita Repulsa.

O novo grupo contém tipos bem comuns de adolescentes: o jovem rebelde que só quer um pouco de atenção e cuidado, a menina popular mas preocupada com o bem comum, o garoto irônico com um coração de ouro, a moça durona mas que tem um coração de ouro. Mas a fórmula não fica batida? É disso que o filme precisa, no final das contas. Se fossem excelentes esportistas, estudantes populares, filhos de ouro da família, talvez não aprendessem a responsabilidade de salvar o planeta — e nem a de ensinar algo para o mundo.

Não posso deixar de falar do destaque real do filme: Billy Cranston. Um garoto que, por estar no espectro autista, exige um zelo maior, mas é responsável por unir este grupo de pontos tão distantes — não é atoa que é ele quem morfa antes dos outros. É a mostra de como somos frágeis, e se não nos apoiarmos, podemos perder a chance de fazer o que é certo. Depois do filme, aposto que muitos irão querer ser o Ranger Azul.

Para o primeiro (nova) desafio dos rangers na telona, a vilã extraterrestre Rita Repulsa até que cumpriu bem o seu papel. Perigosa e vingativa, ela não quer dominar o mundo, ela quer extingui-lo, o ódio era necessário e Elizabeth Banks caiu bem no papel.

São cerca de 2 horas explorando o que é ser um herói, e por fim como que funciona toda essa coisa de Power Rangers. Valeu a pena. Há nostalgia (que faz os olhos brilharem e o grito de UHUUUUL!!! sair bem alto da boca), há drama, há comédia, assim como há “Defeitos” visuais e enredos rasos, mas por fim, há um desejo de satisfação, a vontade de quero mais, a prova de que uma reciclagem as vezes faz bem.

Eu chorei assistindo Power Rangers. Pelo respeito que tiveram com um clássico que sou fã, e o cuidado em expandir um universo quando foi necessário. Foram lágrimas de alegria.

GO, GO, POWER RANGERS!!

Sobre o Autor

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

The Handmaid's Tale voltou!!! O que rola de novo nesta temporada? Descubra mas SEM SPOILER!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!