My Mad Fat Diary: A Adolescência nos anos 90

Aviso: Leia este texto ouvindo Wonderwall da banda Oasis.

Infelizmente já tenho um amante que me faz parecer grávida. Comida.” EARL, Rae

São Paulo, 19 de agosto de 2014.

Querido diário… Digo, leitores, eu tenho um vicio: séries de TV! (Ah não me diga!) Mas, mais do que isso, eu tenho um apego especial pelas séries britânicas adolescentes, e com o fim de Skins, uma das séries adolescentes mais legais que já vi, ficou um buraco, um vazio em meu coração, mas que logo foi preenchido pela nova série My Mad Fat Diary.

Produzido pela Tiger Aspect Production e criado por Tom Bidwell, a série para TV é inspirada no livro biográfico My Fat, Mad Teenager Diary, de Rae Earl (interpretada pela ótima Sharon Rooney), uma adolescente de 16 anos, obesa e recém-saída de um hospital psiquiátrico, após ficar internada por quatro meses devido a problemas mentais e de autoestima.

Rae se vê de volta a um mundo em que não se sente a vontade, tentando enquadrar-se e fazer novos amigos e ao mesmo tempo lidar com sua excêntrica mãe nos anos 1990, registrando tudo em seu diário.

My Mad Fat Diary

O mérito todo de My Mad Fat Diary é a excelente junção de roteiro visceral, elenco cativante, trilha sonora saudosista e montagem criativa.

A começar pelo roteiro, que de forma orgânica trata de assuntos clichês do gênero adolescente sem soar piegas. Com o típico toque do humor britânico, cada personagem tem seus dilemas, frustrações e conflitos tratados com profundidade e seriedade ao longo das temporadas. Ainal, como não se compadecer de Rae e suas manias de automutilação ou de outros temas tão bem abordados através dos outros personagens, como o bullynig, gravidez, aborto, drogas, sexualidade e aceitação.

Já o elenco é outra pérola a parte. Fugindo do estereótipo de que todo gordinho é engraçado, Sharon Rooney dá um peso (sem trocadilhos) dramático a Rae Earl que não uma, mas duas, três vezes me vi com lágrimas nos olhos ao contemplar como a personagem se sente só, infeliz e faz de tudo para se sentir aceita. O mesmo vale para os atores Dan Cohen, que dá vida ao tímido e geek Archie; Jodie Comer, que faz a bitch Chloe; e Sophie Wright (um achado à parte), que faz a sensível Tix , a única amiga de Rae, que ainda vive no hospital; além do veterano Ian Hart, que interpreta o sensível psicólogo de Rae, o Dr. Kester.

Tudo isso é composto por uma excelente montagem, que evidencia os pensamentos da protagonista através de animações para lá de divertidas. Com por exemplo quando a própria Rae se vê como Mulher-Maravilha após um ato de autoestima ou um ônibus atropelando os Backstreet Boys em uma discussão sobre gostos musicais.

A gangue

Músicas estas que, embalados por uma trilha sonora de indie rock e pop britânico dos anos 90 que eu, você e torcida do Corinthians (#sqn) cresceu ouvindo na escola, nas rádios e nas fitas K7 dos walkmans amarelos e azuis, dá um ar saudosista à série. Pincipalmente aos leitores que eram adolescente nos anos 90 e escutavam muito Oasis, Blur, Placebo, The Cardigans, Weezer e por aí vai.

Exibida pelo canal E4, My Mad Fat Diary segue à risca os modelos de séries britânicas com a média de seis a sete episódios por temporada, finalizando no primeiro semestre de 2014 seu segundo ano. Aqui no Box você pode conferir as reviews da segunda temporada. Vale muito a pena! Confiram a baixo o vídeo promo da segunda temporada.

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