Não cante mais essa canção!

Antes de começar a nossa #GONGSHOW de hoje, quero que vocês assistam a esse singelo vídeo:

O tema de hoje é música. Mais especificamente as canções interpretadas pelos nossos intrépidos candidatos em realities shows musicais. Acho um tanto quanto engraçado que os antigos shows de calouros, tão perpetuados pelo Sílvio Santos e pelo Raul Gil, tenham evoluído em competições musicais de alto escalão, como o The Voice, o American Idol, o The X-Factor.

Sai o amadorismo, entra a mega produção, mas a espinha dorsal é a mesma: desconhecidos do grande público tentam a sorte interpretando canções de outras pessoas. Até aí tudo bem. Todo mundo tem o direito de cantar o que quer cantar. Se a Maria Gadu cantou “Baba” da Kelly Key, porque é que o Marcos Lessa não pode cantar “Arrastão” da Elis Regina?

Por uma razão muito simples: “Arrastão” NUNCA PODERÁ SER CANTADA POR OUTRA PESSOA QUE NÃO SEJA A ELIS REGINA. É uma versão icônica, única, singular, gravada no coletivo das pessoas. Não pode ser profanada em praça pública, muito menos em cima de um palco do The Voice Brasil. Certas canções não podem ser cantadas. É sacrilégio! A versão do carinha lá pode ter sido razoável, mas futuro candidato de reality show: NÃO CANTE UMA MÚSICA QUE TEM UMA VERSÃO ÚNICA! É sacrilégio, meu povo.

Agora fiquem com outro vídeo:

Por que eu coloquei a Whitney? Muito simples, meu futuro lindo candidato: NÃO CANTE NENHUMA MÚSICA DA WHITNEY. Pelo amor de Deus! Até quando seremos obrigados a aguentar cantores medíocres destruindo a obra dessa diva absoluta da música mundial? E pior nem é cantar as canções dela. O pior é querer soar como ela. E daí é uma chuva de gritos, firulas, vibratos, vocalizações e uma pobre Whitney se revirando no caixão. Acordem. Vocês nunca serão Whitney Houston. No máximo, uns 2% do que ela já foi. Convivam com isso.

E mais recente, temos essa nova diva aí embaixo:

Adele vendeu milhões, ganhou todos os Grammys possíveis, ganhou Oscar, perdeu um namorado, ficou grávida, continuou gordinha. E não, você não pode se comparar a ela. E não adianta tentar que o seu alcance vocal sempre ficará à sombra da voz da inglesa. E ainda que, supostamente, cante melhor, a canção já foi feita. E outra: as canções foram tocadas à exaustão, que ninguém mais tem paciência pra ligar a TV e ver alguma mulher se esgoelando para atingir as notas de Someone Like You, Rolling in the Deep e afins.

Outra coisa: deveria haver uma lista de canções proibidas nesse tipo de programa. A primeira que eu colocaria seria At Last, da Etta James. A música ERA linda até acabarem com ela. Façam uma pesquisa rápida no Youtube e vocês vão ver que TODOS os realities shows, em TODAS as temporadas, alguém cantou At Last. Só nesse ano, Sasha Allen, na quarta temporada do The Voice US, e Will Champlin, na quinta, entregaram suas versões.

Man in the Mirror, do Michael Jackson, também não poderia mais ser cantada. Só no The Voice US dois já cantaram. E outra busca rápida no Youtube vão te mostrar muitas apresentações, inclusive uma no The Voice das Filipinas e no The X Factor da Austrália. Qual a necessidade disso?

Os próprios produtores deveriam tomar esse cuidado. Alguns programas têm uma vida muito curta para suportar dois candidatos entregando versões diferentes de uma mesma canção. Ainda mais quando uma das apresentações foi muito marcante. Como é o caso de The Dog Days Are Over do Florence + The Machine. Cee LoGreen colocou duas candidatas cantando a mesma canção: uma na primeira temporada e outra na quinta.

E eu nem vou falar de Se Eu Não te Amasse Tanto Assim, que até em karaokê de batizado de boneca Susie toca e um infeliz se esgoela com voz esganiçada cantando uma versão medonha da música e todo mundo, num surto coletivo, diz que é a oitava maravilha do mundo.

Pedro-Lima-1

Se lembrarem de mais alguma canção que deveria ser proibida de ser cantada em reality show, deixem aí no comentário que podemos fazer uma #GONGSHOW parte dois.

Será que não existem músicas suficientemente boas para dar uma folga ao público? Acho que sim. O que existe é certo comodismo em ousar e investir em algo diferenciado. Gritar ainda parece ser sinônimo de cantar bem.

P.S.: A coluna de hoje aproveita para lançar mundialmente o seu novo selo, produzido pelo meu fofucho BoxBoy Pedro:

Selo Whitney

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