Narcos 1×03 — The men of always

A megalomania de Pablo Escobar o coloca no congresso colombiano e na mira da opinião pública, aliados e inimigos.

Imagine um Estado governado por nós? Imunidade para todos” — ESCOBAR, Pablo

A história de Pablo Escobar talvez seja mais um exemplo — acredito ser o mais impactante do realismo mágico colombiano. E Narcos se utiliza disso para contar a sua história com um pezinho, também, no documentário. Pablo realmente acredita que é o Robin Hood paisa da Colômbia e que todos os seus atos são perdoados ou explicados por meio dessa máxima.

Ficar ao lado das comunas, dar aos pobres aquilo que os homens de sempre não conseguem cumprir em suas promessas é a formula usada por 10 entre 10 tiranos, populistas ou, trazendo para nossa realidade, os chefes dos morros cariocas. Pablo prometia e podia cumprir, afinal dinheiro e influencias nunca lhe faltaram.

Sendo assim, não é de estranhar que a política fosse um sonho a ser realizado. Tendo a seu lado a mídia corrupta, aqui representada pela jornalista Valéria Velez e pelo interlocutor político, Fernando Duque, vislumbrar uma cadeira no congresso colombiano nunca foi tão fácil.

Querer ser a voz dos pobres colombianos, em um primeiro momento pode até parecer um gesto nobre de Escobar. Mas o narcotraficante enxerga além desse ato altruísta. Fazer parte do Congresso o deixa imune perante a justiça. O seus negócios estariam a salvo. E é aí que mora o perigo. Com a entrada de Pablo no congresso, os olhos se voltam para aos demais “sócios” do Cartel de Medellín, esses não imunes a nada. Primeiro abalo de Escobar com seus parceiros.

– Você irá encontrar com os políticos e não com os mafiosos — Escobar
– E não é a mesma coisa, patrão? — Poison”

narcos1x03

Na outra ponta desse realismo fantástico, o DEA se encontra de pés e mãos atados. A política colombiana nesse período fecha os olhos para a entrada de Escobar no seu meio, policia comprada, mídia comprada. A forma encontrada é trabalhar sem muitos recursos e no momento certo jogar as cartas na mesa.

E foi o que aconteceu. Na melhor estilo do “jeitinho americano”, sim, eles também o tem, o DEA consegue a atenção do Ministro da Justiça colombiano, Rodrigo Lara Bonilla, e assim vemos Escobar sendo humilhado em sua “estreia” no Congresso. Pela primeira vez, o narcotraficante é colocado em dúvida para aqueles que o idolatram: o povo.

O resultado desse ato foi o inicio do terror na Colômbia por Pablo Escobar. O pontapé inicial foi o assassinato, em abril de 84, do ministro Rodrigo Lara, pelos sicários do narcotraficante. A partir de então, o país viveu os seus piores anos. Pablo foi atrás dos homens de sempre e assassinatos, sequestros, incêndios à prédios públicos, perseguição à jornalistas se tornaram rotina na vida dos colombianos.

Pablo enterra nesse momento o seu Robin Hood paisa e dá lugar ao terrorista de uma década inteira. Eliminar os seus inimigos tornou-se prioridade na vida de Escobar o que abre as portas para a concorrência nos negócios. Medellín já não reina sozinha. Cali está batendo à porta.

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