Narcos: Uma aula de história sobre o império do pó

Em superprodução do Netflix, Pablo Escobar entra para a galeria dos anti-heróis que amamos odiar

Plata o plomo” — ESCOBAR, Pablo

Muito se falou sobre Narcos desde que a Netflix anunciou a sua produção. Para nós brasileiros a curiosidade é maior, pois a série conta com nomes de peso do nosso cinema nacional que encabeçam elenco e direção. José Padilha (Tropa de Elite) dirige os dois primeiros episódios e Wagner Moura dá vida a Pablo Escobar, o mais emblemático e poderoso traficante de todos os tempos.

A espinha dorsal de Narcos é a ascensão de Pablo Escobar e seu Cartel de Medellín no controle do narcotráfico mundial. Engana-se quem acha que Escobar seja o protagonista da série. Esse papel cabe ao agente da DEA (Drug Enforcement Administration), Steve Murphy (Boyd Holbrook), outro personagem real. Steve é o narrador dos fatos dando à série um tom contemporâneo do eterno jogo gato x rato.

O episodio piloto de Narcos tratou logo de apresentar seus personagens em uma edição ágil fazendo um resumo dos acontecimentos do final da década de 70 e início dos anos 80, onde de fato começa nossa história. A produção desse primeiro episódio lembra em muito o filme Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990), de Martin Scorsese, onde um narrador faz as honras da casa e apresenta os principais nomes da trama e o que será contado a partir disso.

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Por meio da ascensão de Pablo Escobar, que chegou a figurar na lista da Forbes de 1987 como um dos homens mais ricos do mundo, Narcos mostrará como o narcotráfico ditou as regras da política externa americana, os comportamentos sociais e os interesses políticos e econômicos da década. Afinal quem são os mocinhos e os bandidos dessa história?

Mesmo que a pretensão da série não seja contar a história de Pablo Escobar em detalhes, fica impossível não colocá-lo como estrela do show. O piloto foi dele. Todos os olhos se voltam para essa figura amada pela sua família e por boa parte dos colombianos, odiado e temido pelo resto do mundo. Intencional, ou não, Narcos nos presenteia com mais um anti-herói para a galeria desses personagens interessantes.

Toda essa primeira impressão de fascínio em torno da figura de Escobar se deve em muito à entrega de Wagner Moura. Mais uma vez uma interpretação visceral somada ao carisma natural do ator. O resultado disso? Ao final do primeiro episódio dificilmente você lembra o nome do agente do DEA e seus conflitos. Queremos mais Pablo Escobar e suas estratégias, seu sangue frio, sua oratória, seu grau de convencimento, seu poder.

Foi um episodio introdutório ágil e dinâmico. Passou longe de ser cansativo graças à direção, fotografia e elenco. Cumpriu o papel de dar a tônica para o que veremos no decorrer dos 10 episódios. A tensão cresce proporcionalmente ao crescimento do Cartel de Medellín. O final dessa corrida de gato e rato já sabemos e, seu desenrolar é responsável por toda engrenagem assustadora que vemos até hoje quando se trata de narcotráfico e políticas externas.

A Netflix disponibilizará todos os episódios da 1ª temporada de Narcos a partir do dia 28 de agosto de 2015.

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