Nashville 2×01 — I Fall To Pieces

Nashville 2×01 — I Fall To Pieces

Agora eu tenho que competir com uma santa em coma.” Juliette

Nashville retornou para a sua segunda temporada, mais “novelão” do que nunca. Diversas tramas paralelas se desenvolvendo, relações despedaçadas, muitos destinos incertos e muito, muito drama.

A trama dessa season premiere se focou nas duas semanas seguintes ao acidente de Rayna e Deacon, que colocou a cantora em coma. Achei elegante a decisão dos roteiristas de não se concentrarem no momento exatamente seguinte aos acontecimentos do season finale. Retomamos a trama num momento em que há mais calma, menos ansiedade e mais conformismo. Participamos da longa espera pela recuperação da cantora country, com seus familiares, da indefinição, das incertezas.

nashville 2x02 i fall to pieces connie britton

Maddie quase não saiu do lado da mãe, sentindo-se culpada por tudo aquilo, já que o comportamento autodestrutivo de Deacon recomeçou com a revelação de que é seu pai biológico. Toda essa experiência deve ser um divisor de águas na vida da garota e sua entrada na vida adulta, apesar da ainda pouca idade. Tandy está cuidando dos aspectos práticos, como é sua vocação. A irmã de Rayna se vê agora dividida entre dar algum alento ao seu orgulho ferido ou ser fiel à família, mais especificamente ao pai que, além de corrupto, pode esconder um lado assassino. A morte da mãe de Rayna e Tandy pode ter sido um caso de homicídio (olha o passado voltando mais uma vez com força total para desenhar o presente de Nashville). Lamar assumiu a condição de pai arrependido. Ver Rayna por tanto tempo numa cama de hospital o faz repensar suas decisões e suas brigas com a cantora. Surgem paralelos, mais uma vez, com toda a situação que ele viveu com a esposa, anos atrás. Embora o sofrimento dele pareça genuíno, é natural desconfiarmos de suas intenções.

Ted está prestes a cair no famoso “babytrap”, já que Peggy perdeu o bebê e, ao invés de informá-lo sobre o aborto, decide mentir a respeito. Agora é de se esperar que ela faça de tudo para laçar o prefeito de Nashville o mais rápido possível. Afinal, quando se trata de Peggy, Ted Conrad tende a tentar fazer a coisa certa, sempre e sempre cai numa cilada.

Do outro lado da Cidade da Música, a jovem Scarlett se encontra pronta a iniciar uma nova vida. Ou nem tão pronta assim, mas sem outra opção melhor. Novo endereço, nova carreira, pela primeira vez sozinha — já que, como mesmo apontou a amiga Zoey, nova personagem fixa da história, a loirinha emendava um namoro atrás do outro, o que a deixa ofuscada pelas figuras masculinas de sua vida. Justo ela, que tem mais talento do que 70% do elenco da série reunido. Scarlett, pelo visto, continuará sendo disputada por dois caras que não sabem aceitar um não como resposta. Gunnar, desiludido por ter seu pedido de casamento negado, ainda parece sem rumo na vida. Já Avery entrou no período de redenção da personalidade bad boy. Depois de se estrepar em seu relacionamento, de afastar os verdadeiros amigos e de ferrar o início de sua carreira, ele teve que regredir a um ponto anterior do que se encontrava e recomeçar. Ser o atual bandleader de Juliette pode ser uma boa chance, mas o rapaz só terá algum futuro como astro do pop country quando desistir de pular etapas (e ele já parece bem conformado com isso).

O melhor número musical do episódio foi, com certeza, Why Can’t I Say Goodnight. A performance foi uma lembrança para nós e para todos os envolvidos na cena de que Scarlett e Gunnar funcionam muito melhores juntos do que separados. A letra fala do momento em que você está com alguém e não quer que a noite acabe. Uma curiosidade: a canção foi escrita por Kim Richey e Angelo Petraglia há mais de 10 anos! Ela não é simplesmente inserida na trama, ela conta uma parte da história, é um momento emblemático no Bluebird, daqueles que os presentes contarão às gerações futuras! E os dois juntos é algo mágico toda vez.

Mas Will, o novo BFF de Gunnar, está decidido a tirar Scarlett do pensamento do amigo — embora não da maneira que demonstrou na primeira temporada. Gunnar, o ícone do bom-mocismo, mostrou-se compreensivo com a relutância que o aspirante a astro tem de sair do armário. Como Will é agora um personagem fixo da série, será o representante de algo que todos sabemos que existe na indústria do entretenimento: a pessoa que esconde quem realmente é para atender a exigência do mercado. Lembrando que ele vendeu para Rayna a imagem de um cowboy — e o protótipo do cowboy é o machão, o pegador. Pense com você: quantos cantores country gays você conhece? E quantos devem existir na vida real?

Enquanto isso, sendo coerente com a descida ao fundo do poço que iniciou ao saber que era pai de Maddie, Deacon continua seu comportamento autodestrutivo. Assumiu a responsabilidade por um acidente que era sua culpa “apenas” indiretamente, para se punir das formas mais pesadas possíveis. Para o músico, punições não são suficientes, ele ainda quer afastar pessoas e o pouco de bom que sobrou em sua vida. Como fez menos de 15 anos atrás, conforme os flashbacks a que assistimos. Embora os cabelos e as roupas desses flashes tenham sido de gosto duvidoso, foi bom ver os personagens naqueles momentos (Connie Britton com um rosto tão novinho!). Um passado triste que desaguou num presente ainda mais triste. O que evitou que Rayna fosse arrastada para o fim do poço com Deacon naqueles anos foi a sua gravidez. Mas não foi um impedimento real, foi apenas um desvio, já que ambos se encontram agora em situações críticas decorrentes daquilo tudo. Tudo o que Rayna e Deacon estão enfrentando a partir do acidente se originou no passado. Embora a prisão (ambiente hostil, com tantos presos e guardas fãs de Rayna doidos para conhecer o drogado que supostamente a colocou em coma) pareça ruim, o verdadeiro carma de Deacon está apenas começando: o acidente deixou sequelas em sua mão — que, imagino, não ter recebido o tratamento devido durante as duas semanas passadas. Além de perder o amor da sua vida, a sua sobriedade, suas chances de um relacionamento real com a filha, ele pode agora perder sua carreira. Aliás, vocês perceberam que ele machucou a mão justamente no desespero de se soltar de qualquer jeito e tirar Rayna do carro o mais rápido possível?

Sobre Rayna, não temos muito o que falar neste episódio, em que ela só teve duas falas praticamente. Quem brilhou mesmo foi Juliette Barnes.

Em meio ao lançamento de um novo álbum, ela se vê mais uma vez ofuscada pelo legado de Rayna James, a verdadeira Rainha do Country. Seus novos hits vão vender menos que os antigos sucessos da cantora em coma, já que os americanos têm uma cultura de demonstrar mais apoio a artistas mortos do que aos em atividade. Justo agora que Juliette deixou de ser uma simples “fábrica de fazer dinheiro” e passou a ser uma cantora com reconhecimento da indústria, depois de conquistar seu primeiro CMA de melhor cantora, ela ainda tem que usar suas forças para evitar levar uma surra de uma rival em coma.

É aí que a loira se revela a Rainha do Oportunismo, aproveitando seu lançamento para pagar de amiga de Rayna e prestar tributos à sua “mentora e ídolo”. Juliette não faz isso por ser ruim ou vazia de compaixão, mas por entender a indústria à qual pertence. Quem pode culpá-la por fazer o que é preciso para sobreviver?

Embora eu acredite que ainda vamos ver muito de sua “bitchness”, o melhor do episódio foi vê-la realmente abalada pela condição de Rayna, já no hospital. Jules passou tanto tempo tentando superar Rayna, que se esqueceu que a admiração pela rival ainda estava dentro dela. Admiração esta que é atrelada às melhores lembranças com sua mãe, Jolene. Aliás, foi isso que o público também lembrou, das canções de Rayna que embalaram algum momento marcante de suas vidas. E, assim, como todos estavam fazendo, Juliette também comprou o disco de Rayna que mais lhe marcou. Lindo e dolorido momento, Juliette admitindo um sentimento para si mesma que ela só assumiu falsamente em público. E ainda tem a amizade que está se formando com Maddie, o que pode fazer com que a jovem aspirante a rainha se torne, pela primeira vez, responsável por alguém, fazendo o papel de uma irmã mais velha.

I Fall To Pieces (nome de um sucesso de Patsy Cline) foi um excelente episódio, com tudo o que nos fez cair de amores por Nashville na temporada passada. Agora é só aproveitar para matar a saudade.

Assista ao promo do próximo episódio, Never No More.

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