Netflix aposta no funk (e KondZilla) para sua nova produção brasileira

Nova série da rede de streaming, Sintonia, lança um olhar sob a cultura da periferia no Brasil.

O Brasil tem sido importante para a Netflix, e o interesse da rede de streaming no nosso mercado cresce a cada dia. O drama 3% foi sucesso no exterior, e neste ainda virão mais três produções originais: a série política O Mecanismo (assinada por José Padilha), a comédia Samantha!, e a série Coisa Mais Linda.

A novidade da vez é Sintonia, drama produzido pela Losbragas – empresa de Alice Braga, que também está por trás de Samantha! –  e que tem um novo integrante por trás: KondZilla. O dono do maior canal do YouTube no Brasil é criador e diretor da atração, que tem como cenário a periferia da cidade de São Paulo. Os protagonistas Doni, Nando e Rita cresceram em uma favela, e foram influenciados pelas drogas, funk e a cultura religiosa, e transformam tudo isso em experiência para suas vidas.

É o projeto mais antigo da minha vida, eu sempre sonhei em criar e dirigir uma ficção. Espero que seja mais uma das minhas realizações a inspirar mais molecada de favela a persistir com seus sonhos também, nada é impossível. Favela venceu!” – KondZilla

O que esperar de Sintonia?

Essa não é a primeira série da Netflix que trata de um tema e demografia bem específicos. Em outra escala, o drama musical The Get Down mostrava o crescimento do soul e do rap nos anos de 1970, no Bronx, Estados Unidos, e diversos fatores que influenciavam a vida e o crescimento de jovens neste ambiente. Mesmo com tema tão amplo, a série durou apenas uma temporada.

Sintonia talvez repita um tema que é amplamente visto pelo mundo quando o assunto é Brasil: funk e criminalidade. Mas não seria a subcultura também uma parte importante do Brasil? Não podemos negar a influência de ritmos alternativos na formação do somos hoje como país, e como isso está presente na nossa cultura popular e entretenimento. É um traço que conta um pouco de quem somos: a origem, a marginalização demográfica, as desigualdades.

Um nome como KondZilla traz não só a força da internet – seu canal tem 29 milhões de assinaturas, e é responsável por lançar e gerenciar nomes que viram tendência no funk e nas redes sociais – mas também uma visão interna da coisa toda. O seu portfólio, hoje já reúne 570 videoclipes produzidos, com visualizações que variam de 6 a 200 milhões, em sete anos de trabalho.

Aliado a ele, Alice Braga é um nome que vem fazendo seu espaço no mercado internacional, e carrega no seu currículo a série americana Queen of The South, e os filmes Cidade de Deus e X-Men: Novos Mutantes. Junto a ela, o irmão Felipe Braga e a produtora Rita Moraes coordenam as atividades da Losbragas, que já foi indicada ao Emmy Internacional pelos documentários Latitudes e Vida Fora dos Campos.

Sintonia é um projeto extremamente relevante, pois é focado em criar uma plataforma original para talentos das favelas do Brasil – como o Kondzilla – poderem contar suas próprias histórias, de seus próprios pontos de vista. Uma voz emergente que encontrou seu lugar fora da mídia tradicional, Kondzilla nos mostrou uma mensagem poderosa e força criativa, estabelecendo o que se tornou um dos maiores canais de música do Youtube no mundo. Sintonia é uma narrativa em primeira pessoa e estou honrada em ficar ao lado dele enquanto conta sua história – da periferia do Brasil para o mundo” – Alice Braga

O importante é notar que a Netflix tem apostado no Brasil como qualquer outra localidade, de forma variada. O Mecanismo aborda um tema político, sensível para nossa vivência, e Coisa Mais Linda retrata a bossa nova e sua influência sob o conservadorismo nas décadas de 50 e 60; mas também temos Samantha!, que explora personagens que cabem em qualquer realidade (uma ex-celebridade que quer voltar aos holofotes),  e 3% apresenta uma distopia que dá oportunidade ao público brasileiro (e do exterior) de enxergar um outro potencial dos nosso produtores.

Quando estreia?

Sintonia está nas fases iniciais de produção, ainda não teve seu elenco divulgado. A previsão de estreia é para 2019 no catálogo mundial, mas antes disso teremos, sim, produções brasileiras pela Netflix. O Mecanismo é a próxima, com data marcada para 23 de março; Samantha! e 3% são esperadas para o segundo semestre, e Coisa Mais Linda também deverá chegar ao catálogo ano que vem.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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