Nip/Tuck: De tão esticada, desencantou!

AVISO: Contém spoilers.

Quase sete anos atrás, Nip/Tuck tinha sua estreia na TV americana, atingindo ao fim do ano o status de série mais assistida na TV a cabo em 2003. A nova criação de Ryan Murphy (Popular, Glee) inovava ao abordar a vida de dois cirugiões plásticos de Miami, seus problemas familiares e casos excepcionais em sua clínica, fugindo do clichê que é a cirurgia plástica por si só. Graças a isso, Nip/Tuck foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Série de Drama em 2004.

A trama girava em torno de Sean McNamara (Dylan Walsh, A Casa do Lago) e Christian Troy (Julian McMahon, Charmed e O Quarteto Fantástico), sócios na clínica de cirurgia plástica McNamara/Troy e amigos desde a época da faculdade de Medicina. Sean parecia ter a vida perfeita ao lado da esposa Julia (Joely Richardson, O Patriota) e Christian ostentava luxo e poder, causando inveja em outros cirurgiões. Porém, a vida glamourosa de ambos era apenas uma fachada para problemas reais: fracasso no casamento, vida vazia, drogas, infelicidade.

Não podemos esquecer, claro, da fiel companheira e anestesista Liz Cruz (Roma Maffia, Profiler) e da fogosa Kimber Henry (Kelly Carlson em seu papel mais notável), que era apaixonada pelo Dr. Troy. E Matt McNamara (John Hensley), que apesar de ter dois pais, não criou juízo em momento algum da série.

Da primeira temporada à metade da quinta, Nip/Tuck se manteve impecável em seu roteiro. História muito bem construída, “retângulos” amorosos e segredos do passado de alguns personagens que fizeram toda a diferença. Teve espaço até para um psicopata. Mesmo com forte apelo sexual em seus episódios e situações bizarras que envolviam a maior parte dos pacientes da dupla de cirugiões, a série conseguiu manter um bom ritmo e tinha tudo para fechar com chave de ouro na quinta temporada.

E é aí que foi tudo por água abaixo. A greve dos roteiristas em 2008 fez a série quebrar na reta final da quinta temporada, voltando apenas um ano depois. Os fãs aguardaram com ansiedade, mas o que se viu foi decepção. O fim dessa temporada foi péssimo e já não havia mais sentido em continuar a série.

Diferente das inúmeras cirurgias que realizaram, esticar Nip/Tuck não teve um bom resultado. A sexta temporada foi arrastada e sufocante. As bizarrices já não eram originais e não agradavam mais. Os personagens se perderam, e alguns ficaram quase apagados — como a Julia McNamara. Só quem era fã mesmo, e tinha aguentado a longa jornada, não desistiu. Ainda assim, seu fim só chegou na sétima temporada — ou na segunda parte da sexta temporada, como muitos dizem. Mas eu prefiro dizer que foram sete temporadas.

Em março deste ano, finalmente, foi ao ar a season finale de Nip/Tuck. Alguns desfechos eram esperados, alguns foram desnecessários. Personagens que deviam ter ficado no passado voltaram e a explicação é simples: falta do que criar. Já não tinha muito mais o que fazer. A trama dos famosos cirurgiões de Miami (que depois foram para Los Angeles) já estava desgastada. Infelizmente, diferente de outros seriados que começaram bem, terminei o último episódio sem nenhuma pena e com um alívio imenso: aleluia!

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