No Brasil x Argentina, a Rainha perde a coroa

Tida como favorita, Sophia Abrahão dançou e perdeu para Felipe Simas.

A décima terceira temporada da Dança dos Famosos apresentada todo domingo no Domingão do Faustão chegou ao seu final no último dia 11 de dezembro. Depois de 15 semanas de disputa, 480 horas de ensaio, 182 figurinos, 83 jurados, muitas lágrimas e suor, mais uma temporada foi concluída com êxito.

Se bem que, em 2016, a Dança dos Famosos foi marcada por muita polêmica. Injustiças sempre acontecem em reality show e estamos preparados. Mas quando a injustiça é grande demais e constante acaba incomodando. A principal delas envolveu um de seus participantes: o cantor Sidney Magal. É inegável a importância de Magal para o cenário musical e para o pop brasileiro. Um dos mais relevantes cantores responsável por quebrar paradigmas ao rebolar e dançar nos palcos numa época em que homens não faziam isso. O grande problema é que esse histórico pesou mais que a dança apresentada nos palcos do Domingão.

Magal mal se movia durante as apresentações. Tudo ficava por conta de sua parceira, Camila Lobo. E, ainda assim, foi o responsável por eliminar Leona Cavalli, Letícia Lima e quase tirar Brenno Leone da competição. Nada contra tudo o que Magal representa, mas se o quadro é sobre dança é a dança que deve falar mais alto.

A rainha deposta

Desde que a décima terceira temporada da Dança dos Famosos começou, foi ficando bem claro, programa a programa, que Sophia Abrahão era a franca favorita ao título do reality. Não dava, ao menos naquele início, encontrar alguém que fosse capaz de fazer frente ao favoritismo dela. Longilínea, técnica, segura, perfeita. Sophia não cometia erros. Invariavelmente, arrancava notas 10 de todos os jurados.

Como se não bastassem as notas dos jurados, Sophia ainda contava com um grande exército na internet. Pela primeira vez, a Dança contou com votação por meio do twitter. Como a atriz é bastante popular entre os mais jovens, estes garantiam a ela altas notas, o que a colocava sempre no topo. Não havia quem pudesse fazer frente ao poder de Sophia. Tanto era assim que ela já entrou com ares de vitoriosa durante a final.

Mas eis que a rainha foi deposta.

O Dante do cavalo alazão

Felipe Simas é um galã. Sua aparência inicial diz o contrário, mas basta conhecê-lo com mais profundida para perceber que ali está um verdadeiro lorde. Rebento da família Simas, exímios capoeiristas e que já fez um campeão na mesma Dança (a saber, Rodrigo Simas), Felipe mostrou-se discreto e disciplinado. Sem firulas ou invencionices, inicialmente, perdeu espaço para Nego do Borel. Mas a constância de Felipe e sua busca pela execução perfeita fez com que, pouco a pouco, se firmasse como o mais forte entre os homens.

Sua grande virada foi com o rock, no qual mostrou que era possível entregar uma dança correta coreograficamente e ainda assim exibir humor. Seu maior momento foi na valsa, onde executou com maestria passos do balé clássico como se tivesse feito aquilo sua vida toda. Tal apresentação colocou-o a um décimo de Sophia. Mas precisou do passo doble para empatar com a então certa campeã.

Claro que Felipe não fez isso sozinho. A maior responsável por tamanha precisão dos movimentos foi Carol Agnelo. A professora já havia chegado a uma final da Dança com Nelson Freitas, mas acabou perdendo na ocasião. Com Simas, Agnelo teve a chance de brilhar. E brilhou.

Assim, o cenário para a final estava traçado.

É preciso dois para dançar um tango

Oito jurados foram convocados para avaliar os dois últimos ritmos. Bruno Astuto ficou bastante empolgado com as apresentações de Simas. Maria Júlia Coutinho fez a linha “jurada técnica”. Kaká não se comprometeu. Tatá Werneck, além de não se comprometer dando 10 para todo mundo, ainda foi responsável pelos comentários mais engraçados da noite. Viviane Araújo, a vencedora da edição passada, continuou sendo diva, emocionada e nostálgica. Na parte técnica, Fernanda Chamma pegou fogo com Simas. Ana Botafogo foi bem pontual. J. C. Viola também se empolgou com Agnelo.

Rainer Cadete e Juliana Valcézio completaram o quadro. A dupla estava ali mais para cumprir tabela mesmo. Rainer chegou à final segurando suas coreografias na simpatia e no carão. Nunca dançou muito bem. Mas sempre sorrindo, conseguiu tirar Brenno Leone. Sua apresentação no tango foi exagerada. No samba, proporcionou um lindo festival de vergonha alheia. Estava ali para se divertir. E se divertiu.

O tango de Simas teve um início nervoso. Mas foi ganhando confiança logo em seguida. Seus movimentos de perna foram tão incríveis que davam a impressão de não haver ossos ali. Um tango seguro e discreto.

Sophia foi mais ousada. Um tango com direito a um acachapante mergulho sobre seu partner Rodrigo Oliveiro. Marcado por pegadas bem colocadas e executas, o tango de Sophia era mesmo o de uma vencedora.

Então, veio o samba. Como bem destacou J.C. Viola, o samba de Simas não teve muito dos passos clássicos do ritmo. Mas o jurado técnico salientou que, em treze anos de Dança dos Famosos, foi a coreografia mais original de todas apresentadas. O efeito câmera lenta com direito a limpada no terno é um daqueles momentos entra para a história do quadro (assim como a pedalada no ar na célebre valsa de Agatha Moreira).

Sophia veio com um samba de gafieira bem mais clássico, com quase todos os passos do ritmo. Mas também veio com pegadas. Se no tango, os passos aéreos foram um verdadeiro show, aqui não chamaram a atenção. Ao contrário, acabaram atrapalhando a evolução da coreografia, principalmente porque não foram bem finalizados.

Três décimos definiram o campeão. Felipe Simas sagrou-se o grande vencedor somando 79 pontos. Sophia amargou o segundo lugar com 78,7. Venceu a simplicidade, a humildade e o bom mocismo de Simas. Lembrou muito a vitória de Fernanda Souza sobre Sheron Menezes. Como esperado, Rainer ficou em terceiro.

Com o fim da Dança dos Famosos, as tardes de domingo voltam a ficar um pouco mais modorrentas. Agora é aguardar pela próxima edição e ver quem realmente tem ginga no pé e o apoio da internet.

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