O caldeirão macabro de American Horror Story: Coven

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Morcego, ratazana, baratinha e companhia, está na hora da… FEITIÇARIA! Morgana de O Castelo Rá-Tim-Bum é certamente a bruxa que todo mundo queria ter em casa. Um doce de pessoa, uma tia amável para o Nino, uma mulher sábia e poderosa. Mas as bruxas que estão soltas na coluna de hoje não são tão boazinhas assim.

Trazendo um conflito épico, American Horror Story — um dos maiores thrillers da televisão — tratará esse ano sobre a bruxaria, mais especificamente sobre a disputa entre as bruxas de Salém e o Voodo. E como pano de fundo Nova Orleans, cidade conhecida pelas experiência sobrenaturais.

De fato, quando se fala em bruxaria, imagina-se logo mulheres velhas, dominadoras da magia negra, ranzinzas, com um grande nariz e uma verruga na ponta, chapéus pontudos e gatos pretos. Essa descrição se aproxima muito da Hag, conhecida pela tradição inglesa como uma fada idosa, que vive em florestas escuras e que se alimenta de carne. No entanto, não são detentoras da magia, ao contrário da Witch (feiticeira).

Desde que o mundo é mundo, a bruxaria — ou os seus contos — está nele. Na antiguidade clássica, filósofos como Lucius Apuleius acreditavam que mulheres sob a forma de corujas (Lilith) se alimentavam de carne humana e possuíam magia. O auge da crença foi na Idade Média, onde a Inquisição perseguiu e dizimou os ditos hereges. As bruxas então foram relacionadas a Lúcifer, que era correspondido como o mal encarnado. No entanto, o demônio da crença cristã não faz parte do panteão pagão. Publicações como a bula Summis Desiderantes Affectibus, do Papa Inocêncio VIII, e Malleus Maleficarum, dos inquisidores Heinrich Kraemer e James Sprenger, instituíram a perseguição à bruxaria. Embora existissem também bruxos, as mulheres eram, na maior parte das vezes, relacionadas a essas práticas. Além da conhecida fogueira, a Inquisição também usou como tortura — e consequente execução — o potro (cama de ripas onde o causado era amarrado até causar feridas), a roda (a vítima era amarrada à parte externa de uma roda posicionada em baixo de um braseiro) e a pedra (colocada sob o torturado até que morresse asfixiado).

Mergulhando no universo de Coven, mesmo tendo tradições diferentes, a história das bruxas de Salém e do Voodo se convergem. Salém é um pequeno povoado de Massachusetts, no norte dos Estados Unidos, onde, em 1692, casos de bruxaria foram julgados e condenados. Tudo começou com a escrava negra Tibuta, que contou para alguns jovens histórias do voodo africano, e no decorrer dos dias as meninas tiveram pesadelos e comportamentos estranhos.

Em seu julgamento, Tibuta não só assume sua culpa como também acusa outras pessoas de praticarem magia negra. Cerca de 150 pessoas foram presas, das quais 20 foram condenadas à morte.

Já a tradição vodoo vem dos ancestrais africanos, mas foi remodelada na América e em Nova Orleans se assimilou à língua francesa e é comumente chamado de Creole de Lousiana. São práticas vindas do Benin e da Nigéria. A religião voodo teve tanta influência em Nova Orleans, onde hoje existe um museu para relembrar as prática e a religiosidade de seus adeptos.

Um dos mais conhecidos personagens foi Marie Laveau, que será interpretada pela espetacular Angela Basset em Coven. Pouco se tem certeza sobre a vida de Laveau, que era filha de um homem branco e uma mulher negra. Casou com um negro livre, que morreu misteriosamente. Tinha uma cobra chamada Zumbi, e dizia-se que suas práticas eram uma mistura da religião cristã católica e do Vodu.

Alguns atribuíam à Laveau a adivinhação do futuro e cura de doenças. Outros diziam que ela contava com um rede de informante e além de provocar Síndrome de Munchausen profissional, um transtorno onde são causadas doenças e traumas psicológicos. Em 1881, o noticiário local afirmou que Laveau teria morrido, no entanto, seu espírito ainda era visto na

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cidade. Sua filha deu prosseguimento às suas práticas, tomando para si o nome de Marie Laveau II.

Outra figura conhecida em Nova Orleans — e que também estará em American Horror Story, vivida por Kathy Bates — é Madame Delphine LaLaurie. Foi casada três vezes, dentre os quais sua última união foi com o traficante de escravos Dr. Louis LaLaurie. Ambos ficaram bastante conhecidos e realizavam festas suntuosas com convidados ilustres. No entanto, Madame LaLaurie é personagem central de um dos contos mais macabros de Nova Orleans. Acredita-se que ela torturava seus escravos. Alguns livros escritos após sua morte dizem que LaLaurie tinha um apetite sádico e costumava tirar partes dos escravos para que parecessem com animais. Em Darkness: Ghosts and Vampires of New Orleans (1998), Kalila Katherina Smith conta que uma das vítimas teve sua pele arrancada e seus braços amputados para que parecesse uma lagarta, outro teve suas pernas quebradas em ângulos estranhos para que se assemelhasse a um caranguejo.

A morte de Madame LaLaurie é outro mistério acerca de sua vida. Indícios apontam para uma fuga para Paris, onde LaLaurie morreu em uma caça a javali. Em 1924 foi encontrada uma placa de cobre no cemitério de St. Louis com o nome dela inscrito, reformulando assim a história e acreditando-se que Delphine morreu em uma revolta de escravos. Sua casa já teve mil e uma utilidades, até ser comprada pelo ator Nicolas Cage.

Segure o seu chapéu, a vassoura da Suprema Fiona em American Horror Story acaba de decolar e muita magia vem por ai, misturado com a sensualidade e o mistério que só Ryan Murphy e sua equipe sabem fazer. Com um elenco de peso (não é uma piada a respeito da Gabourey Sidibe), Coven vem com tudo e não só com o tradicional ‘medinho’ que dá nos fãs, mas também contará com a tradição e os mitos de Nova Orleans, que assustam muita gente até hoje.

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