O Dentista Mascarado: gás hilariante!

Em quatro anos seguidos de estreias da dupla Fernanda Young & Alexandre Machado na Globo, os autores ainda não tinham encaixado ramificações de personagens tão bem feitas na história e nem de forma tão competente. O resultado é bom e do qual pode-se muito aproveitar!

Entre gás hilariante e balde de água com açúcar, a série mais otária da história dos otarimos não tem nada. Infelizmente, o texto se provou menos voraz na estreia por causa da necessidade clara de toda a série apresentar de jeito mais minucioso possível os personagens. Isso é perdoável e deve melhorar nos episódios que se seguem.

O gosto de Fernanda Young por colocar atrizes de dramas das novelas para abusar do ridículo e da loucura (e materializá-la) é de conhecimento de todos. Agora foi a vez da grande Thaís Araújo, que foi o destaque do elenco, sem dúvidas. Sem medo de ser feliz, abraçou a personagem até as tripas. Se jogou. Nota 20!

"Qual a semelhança entre a anestesia e o japonês? Quando metem ninguém sente nada!"

Confortável, mas não muito, Adnet está completamente encarnado no papel, mas tem que se soltar mais e ter mais naturalidade — deve ter ficado acanhado por não estar acostumado a de fato atuar e nem a produções grandiosas-. Dr. Paladino representa bastante sua alma sacana e de cunho alegórico. Será que ele dá pitaco no roteiro? Deveria. Sobre o hype: Adnet é um ator em uma série. Como qualquer um.

Às vezes tedioso e sem propósito, a série teve alguns segmentos sem graça e talvez seria melhor se houvesse uma reflexão por trás do riso (que também deve aparecer ao longo do tempo, dependendo do olhar sensível de qualquer um).

A série conta com todas as referências e aspectos da vida normal de todos nós, como toda série da dupla. Também como toda série da dupla, a trilha sonora estava muito boa e incluía aquele instrumental de tom aventureiro que conhecemos em Os Normais e Separação (além da clássica “Eu quero mocotó” que também apareceu nas três produções). Não precisa ver mais de uma vez para notar as similaridades com as criações anteriores. O importante é que o texto continua ousado e nada conservador para o padrão Globo, o que é um ganho.

O grande problema dos críticos é querer sempre comparar qualquer série do casal posterior à Os Normais com a mesma. Em todos os aspectos. Os Normais foi uma obra única, a melhor série brasileira e até intocável. Os escritores não querem fazer novos normais, somente novas séries. A inteligência do texto não se compromete por não ser parecida com Os Normais, assim como nada na série.

Se tiver um bom desempenho, vamos torcer para que continue com mais de uma temporada, já que por conta de outros projetos do casal e dos atores (e dependendo da intenção) as séries têm sido curtas. Queremos uma série que perdure por anos e que nos dê a oportunidade de se apaixonar pelos personagens. História e boas piadas é o que não falta! Selo Young/Machado/Alvarenga de qualidade. No mais, é sempre um prazer experimentar e se deliciar com as viscerais loucuras desses três.

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