O encanto de La Casa de Papel

O sequestro que colocou o mundo sob a síndrome de Estocolmo em La Casa de Papel

Houve um assalto com reféns. Seis dias de cativeiro que acabaram em uma relação de afeto entre assaltantes e vítimas.

Não. Não estamos falando de La Casa de Papel (ainda), mas de um assalto a banco que aconteceu em Estocolmo no ano de 1973. Naquela ocasião, todos os reféns passaram a defender seus sequestradores e essa história deu origem ao que o criminologista Nils Berejot denominou de “síndrome de Estocolmo”, na qual a vítima tende a identificar-se emocionalmente com o sequestrador.

Parece que alguém perdeu o posto de melhor sequestrador da ficção.

Desde dezembro, quando a Netflix disponibilizou a primeira parte de La Casa de Papel em seu catálogo, el Professor e seus discípulos arrastaram multidões de expectadores. Vale lembrar que a série já havia feito muito sucesso na TV espanhola (no canal Antena3), porém o alcance mundial só veio com a rede de streaming.

Mas, afinal, por que tanto sucesso, se “o roubo do século” é um tema tão batido na ficção?

Precisamos convir que o roteiro é bem amarrado, embora alguns diálogos sejam bem piegas. Há também todo o cuidado técnico com cenografia, fotografia, música e os figurinos, os quais são responsáveis por toda a (incrível) identidade visual da série. Mas, o que nos prende mesmo… São os personagens.

Resultado de imagem para la casa de papel gif
Que ideia maravilhosa, aquela máscara de Dali!

Cada sequestrador tem sua personalidade tão bem trabalhada, com seus defeitos e qualidades, suas explosões de temperamento e de carinho entre si, que, de repente, esquecemos da 1ª regra do Professor  e já nos vemos totalmente envolvidos em um relacionamento pessoal com 9 criminosos.

Ah, os queridos Tóquio, Rio, Nairóbi, Berlin, Moscou, Denver, Oslo e Helsinque… Onde, diferente das primeiras aparências, não há um protagonsita. A gangue que ganhou o coração do mundo.

Sim, é como se o público inteiro estivesse sofrendo da Síndrome de Estocolmo.

Somos pessoas que clamam por justiça na vida real, mas ao assistir a série, torcemos pelos bad guys e queremos que a policia inteira exploda. Ficamos contra os reféns que querem se rebelar e fugir do cativeiro, vibrando com cada vitória dos bandidos.

Outro fator que conta na conquista da empatia do público é o enredo narrado por uma das sequestradoras, bem como os flashbacks do treinamento, onde eles mais parecem uma família de férias do que alunos sendo treinados para o maior assalto já visto. Outras séries que também passam essa ideia são Breaking Bad e Sons of Anarchy, por exemplo.

Toda versão que nos é contada diretamente, tende a conquistar nossa empatia, tanto na ficção, quanto na vida real. E isso diz muito sobre nosso contexto sócio histórico.

De toda forma, estamos presos nesse “amor bandido”. Resta (aos pacientes que não se renderam ao torrente), esperar abril para poder conhecer o desfecho do assalto e o destino dos sequestradores. Até porque, para os reféns, ninguém está ligando muito, não é mesmo?

 

Bella Ciao agora é hino.

Sobre o Autor

Ana Paula Souza

Psicóloga por vocação, Cientista da Religião por curiosidade e bailarina por paixão. Às vezes metáforas descrevem o mundo melhor que dissertações.

Deixe um comentário

clique para comentar

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

The Handmaid's Tale voltou!!! O que rola de novo nesta temporada? Descubra mas SEM SPOILER!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!