O Globo de Ouro finalmente se aproxima do gosto do público

Em categorias principais, novos destaques como This is Us e Westworld comandam as indicações (e são fortes favoritas).

Desde que a The CW ganhou sua primeira indicação em 2014, o Globo de Ouro nunca mais foi o mesmo. Agora, é de se esperar um tudo. Este ano não foi diferente; ou melhor, o que reinou foi a diferença. A lista de indicados veio com produções de baixo custo e o retorno da NBC e da HBO.

Assim como Gina Rodriguez e Rachel Bloom em edições anteriores, nomes inesperados apareceram na lista — e não será nenhuma surpresa se vencerem. Esse é o caso de Nick Nolte (Graves), Billy Bob Thornton (Goliath), Charlotte Rampling (London Spy) e Wynona Ryder (Stranger Things). Enquanto isso, ficaram de fora Fargo e Mr. Robot, e tem quem acreditava na indicação de Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar.

A NBC não estava morta…

Demoraram dez anos para a NBC se tocar que precisava de sérias mudanças. Não adianta reciclar, tem que fazer algo novo, mais atraente. This Is Us é o primeiro show da emissora indicado a um prêmio desde Heroes (!!!).

This Is Us é atraente pela complexidade dos seus personagens, o grau de relacionabilidade com o público e a riqueza de detalhes. Basta o primeiro episódio para ter certeza que seu lugar na lista é mais que merecido.

Para completar, Mandy Moore e Chrissy Metz concorrem ao prêmio de atriz coadjuvante. Uma pena é Milo Ventimiglia ter ficado de fora.

Porque né…

A supremacia HBO

Depois de anos em sequência comendo pelas beiradas, a HBO está de volta com tudo e 14 indicações. Além de, é claro, a super Game of Thrones, a rede ainda conseguiu colocações com a nova sensação Westworld, a elogiada minissérie The Night Of e a sempre querida Veep — todas grandes favoritas aos prêmios.

As categorias de comédia foram as mais beneficiadas com indicações de Julia Louis-Dreyfus (Veep), Issa Rae (Insecure) e Sarah Jessica Parker (Divorce). A força feminia na HBO é tanta, que até entre os dramas, quem dominou foram elas: Evan Rachel Wood (Westworld) compete como melhor atriz, Lena Headey (Game of Thrones) e Thandie Newton (Westworld) para atriz coadjuvante, e Kerry Washington (Confirmation) para atriz em minissérie ou telefilme.

Isso não quer dizer que os rapazes não mereciam. Jeffrey Wright, Ed Harris e Anthony Hopkins tiram o fôlego dos espectadores de Westworld, assim como Thomas Haden Church é o alívio (realmente) cômico de Divorce. O indicado ao Emmy Kit Harrinton também foi esquecido pela academia.

HBO respira aliviada neste momento

O que está acontecendo com a Netflix?

A rede ~que mais cresce~ no mundo, aos poucos, está sendo superada. Mesmo com um catálogo diverso, suas produções estão sendo deixadas de lado, em detrimento de outras plataformas do mesmo nicho, como Amazon.

House of Cards, Orange Is the New Black e Narcos não marcaram nenhuma indicação (mesmo a série das prisioneiras de Jenji Kohan assumindo uma carga bem mais dramática). Luke Cage, assim como Jessica Jones, foi além das expectativas, mas não foi o suficiente para convencer a academia de televisão. Mais fantasmagórico ainda é esquecerem de Black Mirror.

As chances estão nas mãos de Stranger Things e The Crown. O drama de ficção científica que virou a queridinha do público concorre a melhor série, mas a surpreendente indicação de Wynona Ryder a melhor atriz (mesmo ela parecendo a coadjuvante de toda história). A adaptação da peça The Play também foi eleita um dos melhores dramas, e ainda conta com as indicações da dupla dinâmica Claire Foy e John Lithgow.

O natal chegou mais cedo

Abraçando a diversidade

Muita coisa mudou desde que Viola Davis foi declarada a primeira atriz negra a vencer uma categoria principal no Emmy. Não que hoje exista uma cota, mas a lista de indicados está ficando, aos poucos, mais colorida.

Não é só ocasionalmente. São discussões importantes e pertinentes, como o preconceito, a (falta de) políticas públicas e oportunidades, a segregação. É a plataforma levantada por séries como Atlanta, a nova comédia do FX, e Black-ish. ambas indicadas a melhor série.

Como reflexo disso, Donald Glover, Issa Rae, Anthony Anderson e Tracee Ellis Ross são merecidamente reconhecidos por discutir tais temas sem forçar a barra, de uma maneira natural, com a dose certa de realidade e seriedade.

Ainda há um caminho para percorrer, mas o resultado está aparecendo.

Melhor Rap: Broken Pussy!

Hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou…

É notável que antigos vencedores do Globo de Ouro não retornaram esse ano. Taraji P. Henson ainda brilha como Cookie Lyon em Empire, e Mr. Robot está cada vez mais sombria. Mas é hora de dar lugar a outros destaques.

A super-poderosa franquia American Horror Story se reinventou em seu sexto ano, mas não conseguiu fazer o mesmo feito da fraca Hotel e surpreender o público. Fargo também ficou de fora esse ano, e isso sim é algo a se lamentar.

Esse novo tempo, no entanto, tem permitido que atores como Matthew Rhys e Keri Russell (The Americans), Caitriona Balfe (Outlander), Charlotte Rampling (London Spy), Nick Nolte (Graves) e Billy Bob Thornton (Goliath) sejam notados.

Claro que tem aqueles que mereciam concorrer: Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead), Sam Heughan (Outlander), Freddie Highmore e Vera Farmiga (Bates Motel), Tatiana Maslany (Orphan Black) e séries como Younger, Unbreakable Kimmy Schmidt e Better Things precisam ser vistas com mais atenção pelos votantes.

Tá me ouvindo, Deus?

Já deu!

Para esses, a cerimônia de 2017 deveria terminar com um troféu abacaxi e um grande selo de “JÁ DEU!”:

  • Liev Schreiber (Ray Donovan) e Bob Odenkirk (Better Call Saul): pra quê, gente? Se for pra fazer número no evento, me chama que eu vou!
  • Mozart in the Jungle e Transparent: entendo, são super produções, mas já está caducando, não é? Só servem pra assustar a concorrência.
  • Modern Family: Não foi indicada, mas é bom sempre lembrar que ninguém se importa mais.
  • Empire: idem.
  • Pedirem indicações para Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar. Foi bom, mas só na teoria.
  • Categorias de coadjuvantes: mas que bagunça, hein, Globo de Ouro! Misturar tudo numa categoria só não deixa a competição mais acirrada, parece bagunça e preguiça de assistir mais vídeos de candidatos.

A 74ª edição do Globo de Ouro acontece no dia 8 de janeiro, mas as apostas já começaram! Confira a lista completa aqui nesse link e faça as suas.

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