O Grande Gonzalez 1×04–05 — O Cameraman/A Assistente de Palco

O Grande Gonzalez perde tempo com O Cameraman, mas corrige a rota com A Assistente de Palco.

Há duas frases em O Cameraman que descrevem muito bem como eu me sinto sobre este episódio e sobre O Grande Gonzalez como um todo. A primeira vêm do titular Cameraman, interpretado por Rafael Infante. “Gente,” Ele diz após os policiais rebobinarem a fita mais uma vez. “Vocês não acham que a gente não tá perdendo muito tempo na fita não? Eu tô cansado, a gente tá vendo essa fita que é uma repetição de si mesma, e você começa a achar que ali tem coisa que não tem.”

O Cameraman é basicamente isso, uma repetida procura por detalhes que não confirmam nada. Algumas revelações são feitas, mas elas não tem o peso que as informações descobertas nos últimos episódios tinham. Acredito que isso é porque não há muitas piadas para sustentar o efeito dramático da história.

No lado dos policiais, tudo se resume a uma longa piada sobre os desejos secretos do policial de Tabet que acaba ficando repetitiva demais. No lado do caso, a maioria do humor vêm dos personagens reconhecendo a presença da câmera (ou não) e interagindo com ela.

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A segunda frase importante vem do outro policial. “Não sei pra vocês,” Ele suspira. “Mas pra mim tá parecendo que o cada vez que a gente vai para um caminho a gente se perde mais… alguém tá entendendo alguma coisa?” É então que o policial de Tabet olha diretamente para câmera, quase perguntando para nós se concordamos com essa afirmação.

Se esta cena tivesse acontecido nos episódios anteriores, eu teria rido e considerado ela uma pequena forma de metalinguagem, um comentário sobre a própria estrutura da série, mas depois de O Cameraman eu acho que ela é mais uma declaração dos roteiristas do que uma piada. A medida que cada episódio passa, mais e mais detalhes são adicionados, e muitos deles parecem ser completamente esdrúxulos.

Antes, as piadas e o modo de contar a história tornavam a quantidade de detalhes mais digestível. Só que em O Cameraman, os detalhes acabam afogando o espectador.

Há uma cena que exemplifica muito este meu pensamento: o Cameraman está gravando o garoto da festa dando um depoimento, e ele revela quem era a mulher vista nos últimos episódios entrando em momentos íntimos com todos os homens trabalhadores na festa. Mas os policiais prestam mais atenção na imagem do palhaço Rômulo voltando com a caixa das torturas, e Antônio correndo atrás dele.

Sim, essa parte do episódio confirma que o palhaço trouxe a caixa, que Antônio não mentiu, mas será que ajuda no caso? Ou será que distrai da verdade escondida no submundo da festa?

Por exemplo, você sabe o que toda a história do vendedor de “cachorro quente” é? Será que isso vai para algum lugar, ou vamos ter a famosa ‘história que parecia importante mas não é’, tão familiar para os fãs de filmes de detetive? E o episódio acaba cometendo algumas gafes: porque a câmera pega um áudio tão bom de pessoas longe dela?

Isso não quer dizer que O Cameraman é um episódio ruim. Há muitas boas piadas, como as quase-quebras da quarta parede (‘parece que tem gente lá fora esperando deixa, não é?’), o Cameraman tentando atiçar a vontade do policial encantado com ele (‘eu adoraria fazer um luau e surfar no Arpoador de noite com você’) e a volta do misterioso vendedor de “cachorro quente” (‘siiim, a KGB não existe mais’), mas o episódio como um todo acaba sendo um borrão no incrível show que é O Grande Gonzalez.

Em compensação, A Assistente de Palco volta a série para a estrutura de antes sem fazer mais do mesmo. Com uma cena inicial que recria um interrogatório famoso do cinema com o toque brasileiro, o episódio estabelece que dessa vez os policiais estão separados.

O que é algo perigoso, pois a química entre os dois é o que conecta os episódios e expande o caso de Gonzalez, e muito excitante, porque pela primeira vez vamos revisitar a casa de festas após o crime.

A investigação da casa de festas marca o retorno do comentário social sutil que O Grande Gonzalez gosta de fazer, com os policiais mais interessados em como a notícia vai sair na manchete do jornal do que aceitar as evidências e realmente procurar respostas.

Novamente, os personagens também comentam a própria situação, tentando tecer a verdade com base em todas as pontas soltas (afinal, o que é que o glacê tem a ver com o Gerardi gostando de Shazam? E como é que agente pode colocar o tigre no meio de tudo isso?). Infelizmente, a história dos investigadores acaba encalhando no final do episódio, batendo na mesma tecla de que a polícia não sabe o que faz.

Um leitor comentou na crítica de Antônio que O Grande Gonzalez o faz lembrar-se de Arrested Development, e eu concordo no quesito ‘que tipos de coisas birutas esses personagens vão fazer’. Com o retorno do tigre de Gerardi, O Grande Gonzalez chega mais perto desse almejado nível, mas ainda não passa de outras séries como Archer e Bojack Horseman.

Enquanto isso, a interrogação da Assistente do Palco (interpretada pela Thati Lopes, veterana do Porta dos Fundos) traz de volta as revelações sobre detalhes extras e conecta algumas pistas soltas de O Cameraman (como o motivo por trás da destruição de uma das câmeras).

Ao mesmo tempo, o episódio dá mais tempo para Luis Loblanco, que faz parte da cena mais engraçada do episódio quando tenta pegar a Assistente e o Cameraman ‘no ato’, e que também revela o motivo por trás do truque da caixa da tortura.

É o primeiro episódio desde Gerardi que desenvolve Gonzalez como um personagem, nos dando uma visão privilegiada de como o pobre ex-mágico pensava.

Tudo isso, todo o desenvolvimento, a investigação e a conexão de detalhes serve para uma razão: introduzir o novo principal suspeito. Novamente, devo lembrar que desde Gerardi, os policiais não tem um principal suspeito.

A revelação de quem era a mulher misteriosa e de seu passado sórdido é uma excelente maneira de concluir a primeira semana de O Grande Gonzalez, fechando todas as linhas de investigação e abrindo uma nova para ser analisada na semana que vem.

Principalmente porque, segundo a linha de suspeitos revelada nos trailers e propagandas da série, faltam apenas três pessoas: Dona Fernandes. o vendedor de “cachorro quente” e o pai do aniversariante. Mas faltam cinco episódios. Que revelações vêm por aí? Fique ligado aqui no Box de Séries!

O que você achou do quarto e quinto episódio de O Grande Gonzalez? Deixe a sua nota e comente!

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