O Grande Gonzalez 1×10 — A Reconstituição

O Grande Gonzalez literalmente enforca a sua história e transforma A Reconstituição em uma autópsia de série.

Gente, estamos reconstituindo o assassinato de um mágico em festa de criancinha. Sei que parece engraçado, mas não é.” — POLICIAL, Um

Mas que porra foi essa?

Já passei por muitos finales que me deixaram completamente perplexos. Até hoje lembro da ferida que o último episódio de How I Met Your Mother deixou em mim. Os meses que eu passei contemplando qual era o ponto de desenvolver uma temporada inteira que se passava em uma noite se no último episódio você iria jogar tudo pro ar.

A diferença entre aquele finale e este é que não tenho ideia do que se passou na cabeça dos criadores de O Grande Gonzalez ao desenvolverem este episódio. A verdade é que estas criticas são nada mais do que interpretações pessoais. Não importa o quanto foi escrito sobre a comédia, se Ian SBF resolver dizer que O Grande Gonzalez é sobre a crise econômica de 2008. A palavra final é dele.

O episódio em si se movimenta entregando piada atrás de piada. Nem todas funcionam (como vamos ver mais tarde), mas ao menos o espectador não se sente entediado ou perdendo tempo. Em seu décimo episódio, O Grande Gonzalez aperfeiçoou a arte de começar um episódio com uma bomba, revelando que o primeiro Gonzalez, o que morreu, era informante da polícia.

É aí que começam os problemas com… bem… tudo!

A revelação de que o Gonzalez era informante saiu, literalmente, do nada. Faz sentido no contexto da série, mas porque os roteiristas esconderam este pedaço de informação do público até o último minuto? A verdade é que ele escondeu porque o trabalho de Gonzalez serve para conectar o seu assassinato com a história até então aleatória do vendedor de cachorro quente.

Aquele chute pessimista estava certo: a história inteira tem a ver com a conspiração da KGB.

Não que a conspiração não faça sentido, porque faz. Só que, como o próprio Gonzalez diz na última cena, “beleza, parabéns”. É um final que os roteiristas já estabeleceram, mas não quer dizer que ele é satisfatório. Especialmente porque ele foi relegado a posição de piada secundária durante a série inteira e, do nada, é o que movimenta todo o assassinato.

A face de completa confusão dos personagens no final da série deve ser repetida pelo público.

O pior de tudo não é o fato de que toda aquela investigação era, no final, tangencialmente relacionada com a história de Gonzalez. Ou o fato de que o seu assassino é nada mais do que um detalhe relegado para os últimos minutos. Mas sim que tudo isso é revelado no espaço de dois minutos.

Os outros vinte e sete minutos pertencem a uma recapitulação extensa dos eventos do dia em que Gonzalez morreu. É uma recapitulação engraçada, sim. Mas a graça só disfarça o quanto este episódio foi perda de tempo.

Talvez se a série tivesse acabado com os policiais revelando tudo, eu teria uma opinião mais concreta. Só que o papel de vomitar explicações no espectador pertence a três crianças empilhadas uma em cima da outra, o vulto misterioso que apareceu no fundo de quase todos os episódios. Eles contam tudo, até detalhes que talvez eles não conseguiriam ter notados, e até revelam que Antônio era um velho usando uma mascara.

Sim. Você assistiu dez episódios e a resolução do mistério foi uma paródia de Scooby Doo.

Se você quer saber #QuemMatouGonzalez, foi sua alergia ao camarão que entrou acidentalmente em sua caixa, quando Vanessa usa a água do camarão para encher a caixa de tortura, após Antonio cortar a água da casa de festas. Sério mesmo.

Será que o Porta dos Fundos fechou a sua primeira série com um grande “te peguei” para o público brasileiro? Será que O Grande Gonzalez é uma performance, uma comédia conceitual, que nunca se interessou pelo mistério que usava para atrair as pessoas, apenas pelas piadas instantâneas?

Se O Grande Gonzalez nunca se interessou pelo mistério, então A Reconstituição é o João Kleber das séries. Uma pegadinha que o público demorou duas semanas para entender. Mas é preciso bater palmas para o Porta dos Fundos, pois a série faz graça e fascina por ser bem redigida e trabalhada.

Mas no final, a única coisa que se pode pensar ao ver o corpo morto de Gonzalez 2 antes dos créditos foi “ah não, de novo não!

O que você achou do último episódio de O Grande Gonzalez? Deixe a sua nota e comente!

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