O Iluminado — Livro x Filme

Tido como uma das obra-primas de King, o livro O Iluminado é excelente e muito bem escrito, porém sua adaptação nas telas difere totalmente do conteúdo literário.

“Eu não vou te machucar. Só vou esmagar os seus miolos.” Provavelmente foi isso que Stephen King, mestre do horror, quis falar para Stanley Kubrick, cineasta renomado, ao ver o resultado final da adaptação de O Iluminado, dirigida por Kubrick. Quem nunca assistiu o filme ou leu o livro deve estar se perguntando ‘’porquê?’’ e a resposta se encontra no livro.

Tido como uma das obra-primas de King, o livro realmente é excelente e muito bem escrito, porém sua adaptação cinematográfica difere totalmente do conteúdo literário. Kubrick quis fazer o filme à sua maneira, contar sua própria versão de O Iluminado, mas infelizmente usou apenas o básico do livro (família Torrance, hotel Overlook, quarto 237 e zelador Grady) e entregou um filme que pouco lembra o livro. O filme é tido como um dos grandes clássicos do suspense, obra-prima de Stanley Kubrick e excelente, mas após ler o livro fica difícil enxergá-lo como tal.

o iluminado capa livro

O livro, que conta a história da família Torrance, demora um pouco para criar a ambientação, mas isso é proposital e o motivo de King fazer isso é para que o leitor se sinta parte da história e possa, em sua cabeça, imaginar tudo o que acontece nas páginas, montando seu próprio filme. A escrita é excelente, rápida e sem rodeios e a construção dos personagens é uma das melhores, tornando fácil nos apegarmos e temermos por eles, especialmente pelo pequeno Danny, que protagoniza a maior parte do livro.

Jack, que era professor de inglês, tem problemas com bebida e após ser demitido, por agredir um aluno, tem a chance de começar novamente, com o emprego de zelador do Overlook, indicado por seu amigo Al, um famoso hotel que fica nas montanhas do Colorado e que já teve seus dias de glória. É a chance que ele tem para terminar de escrever sua peça, na qual ele vem se empenhando há um bom tempo, e se reaproximar da esposa e do filho, já que seu casamento estava na corda bamba devido aos problemas com bebida e após quebrar o braço de Danny, em um ataque de fúria.

Durante o inverno o Overlook fica fechado, já que as estradas ficam cobertas de neve e é impossível chegar ao hotel, mas é necessário que alguém esteja lá para fazer manutenções e regular a caldeira diversas vezes ao dia, já que ela pode explodir e mandar o hotel para os ares. Como isso duraria meses, Jack leva sua esposa e filho com ele, mas no Overlook nada é o que parece e o hotel tem um passado violento, uma natureza maligna que quer Danny a qualquer custo e vai fazer o que for preciso para tê-lo.

No livro, Wendy é uma personagem com papel forte, tem atitude e, embora fique com medo do que acontece no hotel, luta para sobreviver em meio à tanta loucura, já no filme ela é apenas histérica e não tem grande serventia, fora gritar de pavor ao ver seu marido tentar matá-la com um machado, naquela que é uma das cenas mais antológicas da sétima arte.

O pequeno Danny, interpretado por Danny Lloyd no filme, tem grande destaque no livro e, para quem não sabe, é o iluminado do título. Danny é um menino especial, diferente dos outros, pois pode ouvir pensamentos e ver o passado e o futuro. Desde o início não se anima com a ideia de ir para as montanhas com a família, já que Tony, seu amigo imaginário, lhe diz que algo ruim pode acontecer caso ele vá para lá. Ele protagoniza a maior parte do livro, contado em grande parte sob seu ponto de vista, e é um verdadeiro menino prodígio com seus 5 anos de idade, extremamente inteligente.

Claro que o filme tem seus méritos, como, por exemplo, seus últimos 30 minutos e a interpretação — brilhante — de Jack Nicholson, como um pacífico aspirante a escritor e pai de família que fica ensandecido diante da imponência e natureza malévola do hotel Overlook, além do pequeno Danny Lloyd, que se saiu muito bem em cena. O mesmo não pode ser dito de Shelley Duvall, que, interpretando Wendy, entrega uma performance mediana como uma esposa e mãe que entra em pânico e histeria ao ver que seu marido, gradualmente, se afasta cada vez mais da pessoa que ela conhecia.

A trilha sonora é muito bem conduzida e aparece nos momentos certos, sendo quase um personagem da trama. O tema musical do filme é icônico e, hoje em dia, não há quem nunca tenha ouvido.

o iluminado poster

No filme, a loucura de Jack não é bem explicada e acontece bruscamente, como que de uma cena para outra. Já no livro, temos uma ideia mais ampla do que acontece e vemos como a natureza maligna do Overlook o afeta até que ele em nada lembre o personagem que conhecemos na primeira página do livro, o que não acontece no filme, dando a entender que ele já era meio perturbado e que o isolamento só piorou tudo, ao invés da loucura ser por influência do hotel. Tony também não é muito citado, sendo que no livro ele tem um papel importante e aparece bastante.

Repleto de cenas que arrepiam a espinha, O Iluminado é realmente uma obra-prima da literatura e tem passagens memoráveis, como a do quarto 237, que me fez sonhar com a velha da banheira (coisa que não aconteceu quando assisti o filme), o elevador que funciona sozinho durante a noite, assustando toda a família Torrance (com exceção de Jack) e o final, que é completamente diferente do final — excelente — do livro. Já o filme, embora se saia bem como um suspense, falha miseravelmente como adaptação do excelente livro, sendo mediano.

Leia o livro e assista o filme, mas tenha em mente que embora contem, basicamente, a mesma história, o conteúdo de ambas as obras é totalmente diferente.

Vale lembrar que, em 1997, foi feita uma nova versão de O Iluminado para a TV, na qual Stephen King prefere e é mais fiel ao livro. Em 2014, King lançou Doutor Sono, que é uma espécie de continuação de O Iluminado e mostra a vida adulta de Danny.

Tido como obra-prima de Stephen King e clássico do cinema de suspense, O Iluminado é, indiscutivelmente, uma história excelente e, ainda hoje, causa as mais diversas reações em quem entra em contato com a obra, independente de seu formato.

E você, prefere o livro ou o filme? Deixe sua resposta nos comentários.

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