O início da história em Cavaleiros do Zodíaco — Arco da Guerra Galática

Uma história sobre lendas e mitologia nascia há vinte anos em Cavaleiros do Zodíaco — Arco da Guerra Galática.

Há muitos anos, quando os Deuses ainda reinavam sobre a Terra, haviam jovens que constantemente protegiam Atena, a Deusa da Guerra […]. Eles são os Cavaleiros do Zodíaco. (Introdução do filme Saint Seiya, o Santo Guerreiro)

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Os mangakás (autores de mangás) buscam inspiração em diversas coisas para criar as suas histórias. À partir do tema dessas histórias é definido os gêneros e público do mangá. Esse processo não é regra, mas é uma das maneiras que funciona a roda das editoras de mangá no Japão. Nesse mundo, temos o gênero mais conhecido aqui no Brasil e o mais difundido pelo planeta, o Shonen, feito para crianças e pré-adolescentes, cuja base é sempre as grandes histórias de heróis.

Em 1986 Masami Kurumada vai ter a sacada genial de beber justamente da fonte de todos os heróis do planeta, a mitologia grega e com isso criar um dos maiores sucessos desse mundo de animes e mangás: Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco, na tradução brasileira).

A Mitologia

Saint Seiya conta a história de dez jovens que, durante a infância, são mandados à locais extremos do planeta para conquistar as sagradas armaduras da Deusa Atena. Entre eles temos Seiya, que é mandado para o Santuário na Grécia para conquistar a armadura de Pégaso.

Nesse primeiro arco, acompanhamos o retorno desses dez jovens depois de seis anos que o bilionário Mitsumasa Kido os enviou para conquistar as armaduras. Descobrimos que existem no total 188 armaduras e todos os homens e mulheres que são merecedores do seu uso são consagrados como Cavaleiros do Zodíaco (ou Cavaleiros de Atena).

Saori Kido, neta de Mitsumasa (que faleceu nesse período de seis anos), cria a Guerra Galática, um torneio entre esses dez cavaleiros, cujo vencedor ganhará a armadura de ouro de Sagitário, que faz parte da hierarquia das doze armaduras de ouro, as mais poderosas armaduras que representam os doze signos do zodíaco.

Somos introduzidos à história de Seiya e dos quatro co-protagonistas da série, que assim como na Bíblia e em histórias da idade média (podemos citar Guerra dos Tronos), não tem sobrenome, pois são órfãos e esse recurso narrativo mostra como os cavaleiros abrem mão de seus títulos para servir Atena.

Começando por Seiya, que é separado no orfanato de sua irmã Seika e é mandado para a Grécia, onde recebe o treinamento de Marin de Águia. Por ser oriental, ele sofre preconceito dos cavaleiros gregos do Santuário, especialmente de Shina de Cobra, que consideram que somente gregos podem obter a armadura de Pégaso. Após enfrentar e derrotar o gigante Cássius (alusão ao conto de Davi e Golias) ao expandir o seu cosmo (força interior que rege todos os seres vivos), Seiya conquista a armadura e foge de volta para o Japão para entregar a armadura para Saori e reaver sua irmã. Ao retornar, ele descobre que Seika fugiu para procurá-lo e nunca mais retornou. Então Seiya topa participar do torneio para encontrá-la.

Em seguida, temos Shiryu, jovem chinês que é mandado para os Cinco Picos Antigos na China, onde é treinado pelo Mestre Ancião, um cavaleiro aposentado que vive sentado em vigília constante em frente à cachoeira de Rozan. Com um treinamento baseado nas filosofias chinesas, Shiryu tem um treinamento diferenciado e conquista ao final dos seis anos, a armadura de Dragão.

Conhecemos também o russo Hyoga, que durante a infância, viu o navio que estava naufragar e sua mãe lhe da um lugar no bote salva vidas para que ele sobreviva. Mitsumasa Kido adota Hyoga e o manda para a Sibéria, onde justamente está o navio naufragado. Ao elevar seu cosmo, o jovem aprende a dominar o frio e começa a visitar o corpo de sua mãe que está inerte dentro do fatídico navio (num estado de complexo de Édipo que não é superado ao decorrer da série). Ao final do treinamento, Hyoga conquista a armadura de cisne.

Por último, temos os irmãos Shun e Ikki. Ambos são adotados por Mitsumasa. Ikki sempre foi explosivo e Shun dócil. Quando foi decidido o destino de treinamento deles, Ikki pede para ir no lugar de Shun para a Ilha da Rainha da Morte, conhecido como o local mais parecido com o inferno. Lá, o rapaz conquista a armadura de Fênix, porém como consequência, Ikki enlouquece com tanto ódio (que no arco seguinte, iremos entender as causas e motivações). Shun é enviado então para a Ilha de Andrômeda e volta com a armadura de Andrômeda (único cujo treinamento e mestre não é mostrado).

No decorrer do torneio, outros cinco rapazes são mostrados: Geki de Urso, Jabu de Unicórnio, Ban de Lionet, Ichi de Hidra e Nachi de Lobo. Cada um vai sendo derrotado no torneio que é interrompido durante as semifinais por Ikki de Fenix que rouba a armadura e promete se vingar de Saori Kido e todos que estão envolvidos com o torneio. Ao final do arco, Ikki rouba a armadura de Sagitário e foge.

Análise

Observando o enredo do mangá, vemos elementos de diversas mitologias e religiões durante a história. A história do Rei Édipo, os mitos de Hércules e Perseu. Conceitos budistas, filosóficos e cristãos. Também o estudo de astronomia e astrologia. Porém nada de forma aprofundada. É tudo muito raso, mas serve para instigar o leitor a buscar mais referencias sobre o assunto.

Comparando com Percy Jackson, que tenta traçar cópias dos acontecimentos da mitologia grega com roupagem moderna, Saint Seiya traz a mitologia e cria novas histórias e possibilidades à partir dela, pois através do cosmo, cada cavaleiro usa golpes extraordinários que muda completamente o status dos combates mitológicos. Enquanto Hyoga usa golpes com gelo, Shun usa sua corrente para se proteger a atacar. Seiya dispara centenas de socos por segundo como meteoros e Ikki usa o fogo e manipulação da mente para afligir seus oponentes. O uso de estratégia e a combinação de poderes de cada um é que faz a diferença em cada combate (podendo comparar ao meta-game dos jogos de Pokémon).

A arte do mangá é um pouco sofrível às vezes. Quem é fã, já ouviu falar a famosa história que Kurumada utiliza o mesmo rosto para todos os seus mangás (todos os protagonistas deles são parecidos com o Seiya). Além da dificuldade dele de desenhar mulheres, tanto que Saori e Mino são as únicas cujo rosto aparece. As demais, ele desenha com máscara para facilitar seu trabalho, numa sacada genial de roteiro que diz que as mulheres que são cavaleiras não podem lutar sem máscara.

Já tivemos duas edições do mangá no Brasil, a primeira publicada pela Conrad em 2000 no formato meio-tanko e a última pela Panini em 2012, no formato normal. As capas trazem uma borda azul que era adotada pela JBC na época e deixava a capa um pouco feia. O arco da Guerra Galática abrangia os volumes 1 a 3, composto por 10 capítulos. Ponto positivo para a tradução, que trazia elementos da dublagem clássica do Brasil.

Não é o melhor mangá da face da terra, nem os desenhos dele são uma arte (fãs de Kurumada vão contestar, mas uma análise mais aprofundada da obra do autor mostra o quanto às vezes ele é preguiçoso). Mas o leitor é conquistado pelo carisma dos protagonistas e os elementos clássicos do gênero shonen, onde a busca dos sonhos e os valores da amizade faz com que nós acompanhemos a jornada de cada um deles em busca à um final feliz que sabemos que às vezes nunca vai vir.

Clique para ver a capa original e a brasileira.

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