Netflix O Mecanismo, Press Conference Rio de Janeiro Belmond Copacabana Palace March 2018. Photo: Alexandre Loureiro / Netflix - Felipe Prado, Marcos Prado, Daniel Rezende, Erick Barmack, Carol Abras, Jose Padilha, Selton Mello, Elena Soarez, Enrique Diaz, Jonathan Haagensen.

O Mecanismo: Netflix lança nova série no Rio

Baseada na cronologia da Operação Lava Jato, novo drama produzido por José Padilha e Elena Soarez destrincha a corrupção no Brasil.

Pronta para mais um passo no mercado brasileiro, a Netflix realizou nesta semana, no Rio de Janeiro, dois dias de lançamento da série O Mecanismo. Com texto de Elena Soarez, baseado no livro Lava Jato: O juiz Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil, de Vladimir Netto, e produção de José Padilha, o novo drama de oito episódio trata de um tema sensível para o nosso público: a Operação Lava Jato.

O elenco é liderado por Selton Mello, que interpreta o delegado Marco Ruffo. Durante sua carreira na Polícia Federal, ele ficou obcecado por crimes fiscais, mais precisamente mirando no doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz). Ele tem como apoio a policial Verena Cardoni (Caroline Abras), que vê nele um mentor. Inspirados em pessoas reais com uma dose de ficção, é possível enxergar as referências aos casos e escândalos recentes da política brasileira em cada personagem da atração.

O que é O Mecanismo?

Embora a policia e os políticos sejam órgãos vitais da série, o Mecanismo é o fator principal, é o que faz a trama girar. Para José Padilha, que está em seu segundo trabalho na rede de streaming, a tradução disso para dimensões reais pode ser enxergado na dinâmica em que a política vive, e que necessita de uma rede bem interligada, envolvendo também as maiores empresas do Brasil.

Primeiro, precisamos entender o que estamos chamando de mecanismo. No Brasil, a corrupção é uma estrutura política, porque os partidos são financiados por empresas que depois colocam pessoas em cargos-chefes. Tudo isso é corrupção“, afirmou Padilha, reforçando que a corrupção é algo histórico, que veio desde a exploração colonial pelos portugueses, no século XVI. “É a lógica da corrupção que determina esses cargos, o mecanismo começa a ser montado pelo inchaço de verba, lavagem de dinheiro, caixa 2, em todos os estados, no governo federal, no executivo e no legislativo“, conlcuiu.

Embora tenha sido uma marca vexatória do Brasil lá fora, a equipe está segura que o tema servirá como discussão e reflexão para além das nossas fronteiras. “Na América Latina, em geral, as pessoas vão entender a história, até porque a lógica política no Brasil não é tão diferente no México e na Venezuela“, disse Padilha.

O evento aconteceu num dia difícil para o Rio de Janeiro. Há horas depois do lançamento, na noite de quarta-feira (14), a vereadora do PSOL Marielle Franco foi executada quando voltava de um encontro com militantes. Durante a coletiva de imprensa, realizada no dia seguinte, Padilha e o elenco lamentaram o ocorrido, e reforçaram o quanto “o mecanismo” é atuante na nossa sociedade. “Ela representa o que acontece todo dia nas comunidades no mundo. É uma violência silenciosa que acontece com as mulheres negras“, lamentou Padilha.

“Ela representava o que acontece todo dia nas comunidades, em qualquer lugar do mundo. Estamos sabendo do caso porque ela é conhecida. Imagina quem não é. É uma violência silenciosa” – Jonathan Haagensen

Discussões políticas

Em meio à polarização que a nossa política vive hoje, a curiosidade geral era se e para que lado O Mecanismo apontaria. Embora os personagens lembrem figuras de ambos os lados, a série se desonera de qualquer posição, e Padilha reforçou que o objetivo maior da produção é levar o espectador à reflexão. “A corrupção está presente tanto na direita, quanto na esquerda“, disse o diretor.

Os inimigos: Roberto Ibrahim e Marco Ruffo

“As pessoas discutem como se fizesse diferença” – José Padilha

A equipe espera que, ao longo dos episódios, percebamos que o mecanismo é algo visto como necessário por ambos os lados, que não abrem mão da corrupção, mesmo em transições de governo, a fim de se manter no poder. “Para a esquerda foi golpe, para a direita foi impeachment, não sabemos qual narrativa vai se manter no futuro, mas precisamos levantar a discussão“, levantou Padilha.

Mais do que política

Muito do que veremos nos oitos episódios de O Mecanismo, irá despertar para a realidade e os fatos. Ambientada em 2013, a série mostra o país governado por uma presidenta, e empresas como a PetroBrasil e a Miller & Brecht fazem referência à empresas na mira da Polícia Federal.

A construção dos personagens, no entanto, vai além dos fatos. Parte disso é trabalho da escritora Elena Soarez, que adicionou algumas camadas ao material de origem para que se comunicasse com cada espectador de maneiras diferentes. A roteirista adiantou que foi importante dar um pouco de humanidade aos personagens. “Tínhamos uma pesquisa toda desenhada, mas depois fomos para os personagens, para dar cuidado a cada um deles“, disse.

Essa posição também foi defendida pela atriz Caroline Abras, que vive a policial Verena, pupila do protagonista. “Me afastei ao máximo da realidade para criar uma personagem que desse um toque feminino em um universo tipicamente masculino“, contou ela, que se diz orgulhosa de interpretar uma mulher no comando de uma operação tão grande como a Lava-Jato. “Minha personagem é multifacetada, e não é direcionada por um exemplo específico“, reforçou.

Caroline Abras como a delegada Verena Cardoni

Marco Ruffo, inclusive, é inspirado no delegado federal Gerson Machado, mas Selton Mello precisou ir além para que a audiência visse nele um herói comum. “Acredito que o público se identificará com o lado cidadão do policial, um cara que quer justiça e que as coisas sejam melhores“, disse.

Em oposição a ele veremos o doleiro Roberto Ibrahim, retratado por Enrique Diaz, que qualificou a relação dos dois como uma mistura de Tom & Jerry com Caim e Abel, já que há uma história que liga os dois, mesmo estando em lados opostos na trama. “Os dois cresceram no mesmo ambiente, mas decidiram operar em posições que lhes davam satisfação – no caso do Ibrahim, foi o conforto“, contou o ator.

O que esperar da Netflix no Brasil?

Também participou do evento o vice-presidente de desenvolvimento da Netflix, Erik Barmack, que mostrou animação com o nosso mercado e o nosso público. Para ele, O Mecanismo (assim como as demais produções brasileiras: 3%, A Coisa mais Linda, Samantha! e a recém anunciada Sintonia) é apenas o começo da relação da rede streaming com os nossos talentos. “Dark (Alemanha) e La Casa de Papel (Espanha) foram verdadeiros sucessos fora de seus países, e tenho convicção que O Mecanismo fará o mesmo“, apontou.

Sobre a escolha da série para o seu catálogo, Barmack afirmou que o tema foi o fator mais importante: “Buscamos temas que possam ser globais, e a corrupção é um tema que é relevante na América Latina“, contou ele, que diz estar satisfeito com o trabalho de José Padilha, Elena Soarez e todo o elenco da série.

Com o sucesso no exterior da ficção científica 3%, e agora com uma série de cunho político, Barmack acredita que a tendência é ampliar o campo de ação da Netflix no Brasil. “Já temos um romance [A Coisa Mais Linda], uma comédia [Samantha!] e agora um drama sobre juventude [Sintonia], nosso desejo é se comunicar com cada tipo de público, em cada esfera da sociedade“.

Será que teremos segunda temporada? José Padilha já pensou em como dar continuidade para história, e até deixou pontas soltas no final do primeiro ano, mas quer esperar o efeito que a série pode causar. “A gente está fazendo algo baseado no mundo real, e cada dia tem mais eventos acontecendo. Já temos ideias do que vai ser a segunda temporada, mas ainda não posso dizer se acontecerá“, disse.

Curioso para saber mais sobre O Mecanismo? A primeira temporada de oito episódios estreia no dia 23 de março, na Netflix. Saiba mais sobre a série neste link.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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