O novo perfil da Primeira-Dama

O casal presidencial de Scandal

Scandal não só trata dos desafios de Olivia Pope em manter intacta a democracia da republica americana. Por trás de toda articulação de Pope, há destaques, como Mellie Grant. A obstinada primeira-dama, por vezes, dita as regras do jogo e mostra que não é apenas um cargo ilustrativo ao lado do chefe da nação.

Fora da ficção, o novo perfil das primeiras-damas torna-se cada vez mais tendência no mundo. Elas trabalham e têm voz ativa sobre as ocorrências mundiais. Antes de mais nada, o título veio dos Estados Unidos, no século XIX quando o então presidente Zachary Taylor denomina Dolley Madison como tal durante a homenagem ao quarto líder da nação, James Madison. Dai pra cá, a mulher dos lideres do executivo recebem o titulo. Todavia, em alguns países como Portugal, o título não existe constitucionalmente, mas mesmo assim é usado pela imprensa.

Mas quem ditou as regras da boa primeira-dama? O modelo veio de Nancy Reagan, que, quando assumiu o cargo, afastou-se da profissão (Nancy era atriz com carreira hollywoodiana) e se limitava a cuidar da Casa Branca. Entre seus primeiros atos estão fazer uma reforma geral na residência mais visada de todo mundo e comprar louças, as quais escolheu a dedo. Nancy dizia não ter tino para assuntos políticos. O que mudou após a morte de seu marido, uma vez que a esposa de Ronald Reagan hoje apóia alguns projetos políticos, como a pesquisa de células-tronco, assumindo postura democrata.

Valérie Trierweiler: a pouco tradicional primeira-dama francesa

Um bom — e grande — exemplo da quebra de protocolo deixado por Nancy Reagan é Valérie Trierweiler, a atual companheira do presidente francês. Valérie, que tem seu oficio de jornalista e não abandonou o trabalho, não é casada oficialmente com François Hollande e tem filhos fora da união. A postura autoritária de Valérie lhe rendeu o apelido Valérie Rotweiler junto aos colegas de trabalho. Outro exemplo é Daniela Schadt, a primeira-dama alemã. Schadt também não é casada com Joachim Gauck, que é casado oficialmente com Gerhild Gauck. A companheira de Gauck também é jornalista e tem uma vida independente.

Para outra primeira-dama com papel ativo na sociedade não precisamos ir tão longe. Ruth Cardoso, a falecida esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, era socióloga ativa e fez vários estudos quando ainda ocupava o posto. Além disso, encabeçou vários projetos sociais, entre eles o Bolsa-Família. Ruth chegou a ser condecorada por seus trabalhos sociais e organizações que criou e a primeira a ocupar o cargo que possui diploma universitário. Atualmente o Brasil não possui primeiro-cavalheiro, uma vez que nossa presidente é divorciada. Neste caso — e quando o cônjuge é falecido — o posto é ocupado pela filha primogênita. Sendo assim, nossa atual primeira-dama é Paula Rousseff (quem mesmo?).

O caso brasileiro: a intelectual Ruth Cardoso

Mesmo com toda preocupação que se deve ter com o dirigente do país e sua forma de governar, muitas vezes o foco é desviado para sua vida pessoal, e principalmente, sua relação com a primeira-dama. Em Scandal, um exemplo bem claro, é a preocupação em torno da família quando Mellie fica grávida, e quando vaza o caso extraconjugal do marido. Além disso, a imagem de família perfeita e de casal unido ajudara Fitz a se eleger. Nos Estados Unidos isso é comum. A vida pessoal do presidente, atá mesmo antes de ser eleito, é de posse pública. Já na Europa, não diz respeito à população e muito menos à mídia. No entanto, o sensacionalismo fatura sobre isso — principalmente no Reino Unido.

A família real é o foco da mídia sensacionalista britânica. Lady Dai, Kate Middleton e até a mulher do primeiro-ministro como Cherie Blair (esposa de Tony Blair) não escapam dos flashes e dos boatos que correm pelas bancas de jornal. Cherie também manteve sua profissão como advogada, mesmo ao lado do chefe político do Reino Britânico. Ela, no entanto, é mais conhecida pelo seu nome de solteira, Cherie Booth. Mesmo fora do cargo, enfrenta e desmente as manchetes sensacionalista que acusam seu marido de ter um caso com a mulher de um importante empresário inglês.

O casal Clinton: unidos mesmo no escândalo de infidelidade

Mellie talvez seja o retrato de Hillary Clinton, a atual Secretária de Estado dos Estados Unidos. Hillary enfrentou, junto com seu marido, o famoso escândalo Lewinsky. O fato gerou um processo contra o presidente Bill Clinton, pedindo seu impeachment. O caso com a ex-estagiária Monica Lewinsky foi assumido por Clinton e perdoado pela sua mulher, que chamou o escândalo de estratégia politica. O caso teve projeção mundial. O julgamento foi televisionado, Monica participou de programas, o caso virou musical, o rosto de ambos estamparam marcas comerciais americanas. No final de tudo, Bill Clinton saiu do seu mandato com aprovação positiva e Monica, que já apresentou um reality show sobre namoro (ironia do destino?), escreveu livros, participou de programas, mas não consegue se estabelecer em um emprego.

A vida de um chefe é assim: mesmo que não seja do interesse alheio, todos gostam de vigiar. Mas o novo padrão de primeira-dama parece que veio para ficar. Muitas “Mellies” estão por aí, e se cada uma delas tiver uma Olivia Pope, sua vida está salva de qualquer perigo.

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