Once Upon a Time

O que deu errado em Once Upon a Time?

Com o final decretado, é hora de reconhecer que Once Upon a Time durou tempo demais na TV

A ABC bem que tentou, mas, mesmo com todas as transformações desta nova temporada, Once Upon a Time já não atende mais as expectativas do público. Não é só pela mudança de dia na exibição – dos domingos, passou para as sextas neste ano – a nova configuração do enredo está bem longe de ser uma das tentativas mais saudáveis de se salvar uma série de TV. Como resultado disso, a audiência sofreu uma queda significativa.

Isso pegou a emissora de surpresa, de início, mas para o público era claro: Once Upon a Time se encaminhava para sua aventura final. Por muito tempo, acreditou-se que o elemento duradouro do show era a mistura de contos de fadas com as situações modernas, ou as versões alternativas de histórias infantis e personagens da Disney.

Acontece que esse não era o principal motivo do sucesso das primeiras temporadas: o trabalho de cada personagem e a capacidade de expandir a narrativa de cada um deles fez sua carreira; mas até esses fatores têm seus limites.

Uma linha do tempo confusa

Durante um tempo, o show manteve uma linearidade de eventos que considerava o que estava acontecendo nas duas dimensões – Floresta Encantada e Stroybrooke – com fatos que criavam o enredo principal, como a Maldição da primeira temporada. Isso não significava que a cronologia de todos os eventos fossem tão específica como, por exemplo, Emma chegando à cidade 28 anos depois que a Maldição de Regina foi lançada. No entanto, pelo menos os fãs tiveram uma ideia de quando tudo ocorria.

À medida que mais maldições e vilões foram chegando à história, e a passagem do tempo tornou-se mais vaga tanto no presente como nos flashbacks, a linha de tempo tornou-se bastante complicada. Expressões como “muitos anos atrás” ou “muitos anos depois” se tornaram comuns, mas não funcionavam na mente da audiência. Uma linha de tempo é uma peça integral de construção do mundo, e todos sabem que a fantasia de qualidade precisa de dimensões bem estabelecidas.

Amor ou cilada?

Embora o amor verdadeiro tenha salvado muitas histórias em Once Upon a Time, o romance nem sempre funcionou da melhor maneira para os personagens. A relação de Rumplestiltskin e Belle teve seus belos momentos, no entanto, Rumplestiltskin abusou emocionalmente de Belle por muito tempo para fazer deste um relacionamento verdadeiramente merecendo  final feliz.

O perdão é um tema importante no show, mas isso não anula os anos de mentiras do vilão, e de promessas vazias. A independência e a compaixão de Belle a tornaram uma personagem incrível. É decepcionante olhar pra trás e perceber que muito da sua história se resumiu ao romance com Rumplestiltskin, tanto no presente como nos flashbacks.

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Outra tentativa falhada do show é fazer o “amor verdadeiro” acontecer em apenas um episódio. E o caso de Hades e Zelena, ou Ruby / Chapeuzinho Vermelho e Dorothy, que tiveram romances bem menos críveis que Emma e Capitão Gancho, ou Regina e Robin Hood. Enquanto uns tiveram tempo para se conhecer, costurar uma relação de confiança e se abrir vulneravelmente para o amor. Apressar o amor verdadeiro em outros casos prejudica o desenvolvimento gradual dos relacionamentos firmemente construídos.

Resoluções fracas para problemas simples

Acreditem se quiser, em sete anos ninguém nunca suspeitou que Regina foi a responsável pela morte do Lenhador, conhecido em Storybrooke como Oficial Graham – e isso foi na metade da primeira temporada. Mas esse é só um dos casos que foram simplesmente deixados de lado, mas que poderiam muito bem ter tido um ponto final.

Tal como acontece com o amor verdadeiro, o show constrói constantemente a redenção com certos personagens como Regina. Mas, para alguns, essa redenção é bem fácil, após um episódio ou uma ação positiva. O rei Arthur estava entre os personagens mais desprezíveis, sendo seu pior crime lançar as Brumas de Avalon nos olhos de sua esposa Guinevere para controlá-la e sempre o apoiar. No entanto, quando ele morreu e cruzou os caminhos com Hook no Submundo, o pirata convenceu o rei desastrado a ajudá-lo em uma missão para deter Hades. Essa boa ação de alguma forma redimiu Arthur de toda a sua vilania quando ele se torna líder do Submundo e planeja governar de forma benevolente. Reduzir um personagem como Arthur a apenas isso, mina a redenção gradual de personagens como Regina que precisam de vários episódios, ou até temporadas para provar que mudaram.

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Ainda envolvendo Regina, a resolução de sua complicada relação com Emma não ficou de acordo com o que as duas construíram narrativamente ao longo dessas temporadas. Elas vieram de lados opostos no início, aprenderam a confiar uma na outra, e até se salvaram do lado sombrio – além do fato das duas serem consideradas igualmente por Henry como suas mães. Na despedida, parecia que mal se conheciam.

Histórias despediçadas

Muitos vilões com potenciais realmente malignos, como Jafar e Jekyll e Hyde foram introduzidos durante as temporadas, mas eles são rapidamente mortos ou derrotados para introduzir outras histórias e outros vilões. O acúmulo e a atuação impressionante desses personagens icônicos tornam seus fins rápidos como uma traição para o público. Através de Jekyll e Hyde, houve um potencial incrível para explorar a Terra das Histórias Não Contadas, e Jafar foi configurado para ser a antítese perfeita para Aladdin e toda a mitologia dos Salvadores. Em vez disso, o show os desperdiçou, apesar do amplo material de origem para aproveitar e do seu rico potencial.

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Além dos vilões, muitos personagens importantes e histórias foram simplesmente abandonados. Lily e Malévola podem ser as mais memoráveis, especialmente tendo em conta o cliffhanger no final da quarta temporada, sobre a misteriosa identidade do pai de Lily. Apesar das promessas dos produtores, esse mistério nunca foi revelado, e os fãs nunca descobriram como o relacionamento das duas evoluiu. Encontraram uma na outra o que estariam procurando por suas vidas inteiras? Malévola renunciou completamente a vida de maldades ou ela teve uma recaída? Lily e Emma voltaram a ser amigas?

Outros personagens e histórias, como Jefferson / Chapeleiro Maluco também foram frustrante. Sua habilidade de viajar entre reinos parece poderosa, e seu passado intrigante no País das Maravilhas e em outros reinos poderia ter ligado vários pontos da narrativa. Mulan, Merida, Dorothy, Chapeuzinho Vermelho e Ariel também se juntam a este grupo.

Mundos sem leis

Todo o enredo de Once Upon A Time foi construído na Maldição, algo que Rumplestiltskin manipulou para acontecer porque era a única maneira de viajar através dos reinos para reencontrar seu filho na Terra sem Magia. No início, viajar entre reinos era complicado e bastante difícil de dar certo. À medida que o show continuava, tornou-se mais fácil, se tornando apenas uma questão de conveniência para o enredo. Os feijões mágicos e os tipos onipresentes de portais usados por muitos personagens reduzem a base do show. O que parecia um plano de gênio na primeira temporada agora é algo tolo e desnecessário.

Ressuscitar também dependia de magia, e os efeitos nem sempre eram positivos, mas com o tempo foram se mostrando outros meios de retornar personagens à história, invalidando toda a base criada pelo show. David dividiu seu coração com a Branca de Neve, Gancho voltou do mundo dos mortos como presente de Zeus, e Robin Hood tinha uma versão alternativa caminhando por outros reinos. Além de mostrar inconsistência, dava a impressão que os personagens principais nunca estavam em perigo real se pudessem sempre voltar a viver.

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Efeitos não tão especiais

Once Upon a Time pode não ter o orçamento de Game of Thrones, mas os efeitos especiais são muito importantes para esse tipo de show. Às vezes, parecia menos imersivo, pois tira o público da cena e faz você rir. Monstros e seres fantásticos parecem tão falsos que roubam as intenções dramáticas e as emoções que pretendem passar na tela. O mesmo problema ocorreu com os cabelos flamejantes azuis de Hades, infelizmente, criando um efeito cômico, apesar do bom desempenho de Greg Germann.

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Mesmo com a mudança de elenco e de configuração, o passado não ajudou a sétima temporada, e a alternativa mais viável para o futuro era, senão, terminar de uma maneira digna. Pelo menos, mesmo com todas as derrapadas no caminho, que Once Upon a Time tenha um final feliz.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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