O que sabemos sobre Ligações Perigosas

Esta segunda estreia nova minissérie da Rede Globo e por isso juntamos o que já sabemos sobre Ligações Perigosas.

Esta segunda, 4 de janeiro, estreia a nova minissérie da Globo. Para que você já comece a assistir com muito contexto e história, preparamos esse post com o que sabemos sobre Ligações Perigosas.

A trama ficará no ar durante duas semanas, de segunda a sexta, totalizando 10 capítulos. É uma adaptação do romance francês do século XVIII, Les liaisons dangereuses, de Choderlos de Laclos. A obra original foi publicada na França pré-revolução, em 1782.

Na época, foi considerada ofensiva por narrar a relação da aristocracia francesa, particularmente de dois indivíduos da alta sociedade que se consideravam superiores às emoções dos outros. A narrativa se dá através da troca de cartas, nas quais os personagens propõem manipulações e esquemas para iludir e enganar aos mais próximos, sem pudor. É interessante ver como o autor criou personas e como o texto era próprio a cada uma delas.

Foi pioneiro, por tratar a nobreza francesa de uma maneira diferente, como personagens cruéis — que conseguem tão profundos quanto seus esquemas e conexões.

Nos cinemas já tivemos diversas adaptações, mas podemos destacar duas por qualidade de elenco. Talvez a mais fiel seja a versão de 1989, do diretor tchecoslovaco Milos Forman, estrelada por um jovem Colin Firth e por Annette Bening nos papéis principais, Visconde de Valmont e Marquesa de Merteuil. É considerava ágil e picante.

Porém, a versão consagrada é do diretor britânico Frears, estrelada por Glenn Close e John Malkovich também nos papéis principais. Venceu o Oscar nas categorias roteiro adaptado, direção de arte e figurinos.

A história ainda ganhou os palcos em incontáveis adaptações. Ainda assim, a chegada à TV brasileira gera expectativa por ser a mais longa adaptação que a obra já ganhou. Desta forma, muito material literário “inédito” ganhará as telas.

A versão brasileira da Rede Globo

Assim como na obra original, a minissérie da Globo trará personalidades amorais e narcisistas, totalmente dissimuladas e inseridas numa elegante sociedade. É o tipo de trama que facilita a novelização, por seus personagens inicialmente maniqueístas, representando ou o bem, ou o mal.

Com o caminhar da história, veremos se a inocência resiste à malícia, ou se ganha novas camadas. É uma história de viradas. De vilões que jogam hora juntos e hora por si mesmos. De mocinhos e mocinhas que inicialmente são vítimas indefesas mas em outro instante podem virar o jogo, quase que por sexto sentido.

Você não tem limite. E mesmo assim eu te amo como se você fosse uma pessoa sensata.” — Augusto de Valmont

O roteiro é de Manuela Dias, com supervisão de texto de Duca Rachid. A direção geral é de Vinícius Coimbra e direção de núcleo de Denise Saraceni.

É Inteiramente gravada e pós-produzida em 4K, o que permite grandes avanços artísticos, se aproximando muito do que se vê hoje no cinema. Algumas cenas ainda foram envelhecidas.

“Dirigi uma das cenas mais bonitas da minha vida em Ligações Perigosas,” conta Vinicius Coimbra, o diretor. “Investimos na palavra e no talento dos atores com uma roupagem mais sofisticada, que agradasse o olhar e o coração das pessoas”.

As adaptações de roteiro

A trama original se dá em Paris e seus arredores. Na versão global os personagens estão no litoral sudeste do país, na fictícia Vila Nova. É uma sociedade altamente influenciada pela europeia, tanto na música quanto moda, cinema, arquitetura e hábitos. O ano é 1928, aproximadamente 150 anos após a obra original ser lançada na frança.

Este período foi escolhido por se enquadrar melhor com a sociedade brasileira. É a época na qual estes personagens poderiam ter as tais liberdades de Les Liaisons Dangereuses. Em ambos os casos temos pessoas a frente de sua geração, rompendo costumes enquanto esses costumes ainda ressoam e chocam. Isso fortalece a narrativa, colocando gerações opostas em conflito.

Você me ama porque não existe nada que você faça que eu não possa fazer pior.” — Isabel D´Ávila de Alencar

Em nossa versão, a Marquesa de Merteuil se torna Isabel D´Ávila de Alencar (Patricia Pillar) e o Visconde de Valmot é Augusto de Valmont (Selton Mello). Ambos são libertinos convictos e amantes ocasionais. Ricos, elegantes, descompromissados e amorais, ocupam o tempo com eventos sociais, festas, viagens e novas conquistas.

A reputação do bon vivant Augusto é conhecida na cidade. Isabel faz menos alarde — por ser mulher. Ficou viúva ainda muito jovem e é admirada por estar “à frente do seu tempo”, sem desrespeitar as regras sociais da boa conduta. Neste ponto, ambas as histórias são iguais.

Discretamente, os dois protagonistas mantêm uma relação de cumplicidade. Entre quatro paredes, a dupla arquiteta planos e envolve outras pessoas em seus jogos de prazer. Querem mostrar que não são manipuláveis nem descartáveis como os outros. E competem entre si para provar quem é mais hábil na arte da sedução.

A disputa de poder que existe entre os sexos é notável desde o livro. Em uma passagem, a marquesa de Merteuil diz para o visconde que nasceu para vingar seu sexo. E que não se casou outra vez para não ter ninguém lhe ditando regras. “O duelo entre feminino e masculino, matriarcado e patriarcado, é uma das forças motrizes da sociedade desde sempre e está muito presente na trama de Laclos, “ diz Manuela Dias, autora.

Heitor Damasceno (Leopoldo Pacheco) é o caso mais recente de Isabel — no original é o aristocrata Gercourt. O rico comerciante nunca se casou e enche a viúva de presentes e elogios. Vaidosa e segura de si, Isabel se diverte com a convicção de que logo o amante a pedirá em casamento, para então responder “não” e humilhá-lo.

A surpresa é que Heitor pede a mão da jovem Cecília (Alice Wegmann) — no original, Cecile — filha de Iolanda Mata Medeiros (Lavinia Pannunzio), prima de Isabel. A menina tem 17 anos e desde os 10 vive em um internato de freiras. Aos olhos de Heitor, é a noiva perfeita e mãe ideal para os filhos que pretende ter. No fundo, anseia apena pela virgindade da garota.

Isabel se sente humilhada pela “rejeição” e arquiteta sua vingança. Com ajuda de Augusto (Selton Mello), vai fazer com que Cecília perca a virgindade antes do casamento. Para isso, vira confidente da sobrinha e passa a manipular a inocência da garota, que está apaixonada por seu professor de música.

No original francês o professor de música é o jovem Danceny. Aqui será Felipe Labarte (Jesuíta Barbosa), que troca a arpa francesa pelo violoncelo. Ambos se apaixonam, mas não vivem o romance. Felipe quer se casar com Cecília, para apenas então tocá-la.

A cada dia, a minha fraqueza se fortalece. Eu não estou mais sendo guiada pela virtude. Por mais que eu reze, tudo que é fundamental se tornou supérfluo.” — Mariana de Santanna

É aqui que entram os esforços de Augusto, a quem Isabel pede ajuda. Augusto tem suas prioridades, como conquistar a jovem devota e casada Mariana de Santanna (Marjorie Estiano) — Madame de Tourvel. Ela passa uma temporada na Quinta de Consuêlo (Aracy Balabanian) — Madame de Volanges. Assim, Mariana fica à mercê do conquistador.

Um dos enredos nunca explorado nos filmes é a conexão entre a criadagem, que na Globo ganhará volume. Augusto, por exemplo, contará com auxílio de seu lacaio Vicente (Renato Góes), que se envolve com Júlia (Yanna Lavigne), criada de Mariana. Ingênua, a moça acaba revelando informações que ajudam Augusto a se aproximar cada vez mais de sua presa.

Ambos sedem, mas Augusto deverá ser surpreendido por algo novo para ele: o Amor. E isso põe em xeque tudo em que acredita. “É quase que um veneno para Augusto, porque é incompatível com a vida que ele tinha antes,” diz o diretor.

Com locações e cenários imponentes a série agradará aos olhos. Algumas das cenas foram gravadas na Argentina, em belíssimas paisagens. Mas talvez o figurino seja ainda mais chamativo. Ainda mais com detalhes de uma fotografia e iluminação de cinema.

Outro destaque de Ligações Perigosas está na trilha sonora atemporal, mas não como no filme Maria Antonieta, de Sofia Coppola. O produtor musical Sacha Amback aliou a música instrumental ao uso de sintetizadores, que para ele “Funciona como uma textura, faz uma ambientação sem destoar da época”.

Está pronto para a nova e luxuosa minissérie da Globo? Assista esta segunda, logo após A Regra do Jogo.

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