O que você precisa saber sobre o assassinato de Versace

Com nova série abordando o assunto no canal FX, morte de Gianni Versace volta a intrigar a opinião pública.

Ryan Murphy está nos deixando mal acostumados. Além das séries de sucesso que criou para o público jovem, o talentoso showrunner tem mostrado bom faro para tratar histórias reais que prendem nossa atenção. Seu melhor treino foi a transgressora Nip/Tuck, que estabeleceu sua linguagem.

E quando você pensa que ele está chegando no ápice de sua criatividade, ele mostra que ainda tem mais a oferecer. American Crime History: The People Vs OJ Simpson é um belo exemplo. A recriação histórica era rica não apenas em figurino e cenário, mas também na caracterização e interpretação de cada personagem.

Logo depois, no início de 2017, chega Feud: Bette and Joan. A antologia narrou a antagônica carreira de duas das maiores estrelas de Hollywood. Era poesia e pura hipnose. Impossível não se deixar mesmerizar por Jessica Lange e Susan Sarandon.

E agora, no começo de 2018, o convite para se deixar levar com a segunda história de American Crime Story é sedutor. Quem já assistiu ao primeiro episódio pode admirar a habilidade de Ryan Murphy em contar uma história. A ordem com a qual apresenta fatos e detalhes, a riqueza de todos os elementos que enchem a tela – seja com cores, sombras ou música. O drama italiano vem na medida. Se é que há uma medida para tal drama.

Nos Estados Unidos a estreia aconteceu quarta passada, conquistado o topo da audiência na demo 18-49, entre séries originais de TV paga. Um pouco abaixo de sua temporada anterior. Mas isso já era esperado devido ao fascínio dos americanos pelo caso O.J..

Foram 0,7 milhões na demo este ano, enquanto O.J. marcou 2 milhões. Já em números totais, a diferença é pouca. Versace chegou nos 2,22 mi, enquanto The People v. O.J. Simpson marcou 2,48 mi.

Mas qual a relevância de Versace?

Provavelmente você já conhece a história desse que é um dos maiores estilistas da história. Mas vamos lá…

Versace (na série interpretado por Édgar Ramírez) fundou a sua própria marca em 1978. Seu estilo é considerado luxuoso, glamouroso e caríssimo. Rapidamente se tornou uma marca aspiracional. Todos queriam vestir um Versace. Assim, protagonizou a moda na cultura pop com looks ostensivos vestidos por princesa Diana e a popstar Madonna. Era o chamado power dressing, dos anos 80.

Sua marca eram as referências à cultura da antiguidade clássica, o que é facilmente explicado por sua origem italiana. Versace e sua irmã, Donatella (Penélope Cruz), brincavam em ruínas romanas quando criança. Ambos compartilharam muito mais do que a infância. Após sua morte, Donatella passou a administrar a empresa.

Quem é Andrew Cunanan

O assassino de Versace nunca foi provado como seu amante. Este é um ponto inicial que todos os espectadores dessa história devem se ater. Nem mesmo Donatella reconheceu Andrew Cunanan (Darren Chris) como tal.

O que se sabe sobre ele é que era um garoto de programa bem-educado e inteligente, com clientes ricos. Este envolvido com furtos e tráfico de drogas. Versace não foi sua única vítima.

Seu primeiro assassinato foi de seu amigo e possivelmente ex-amante, Jeffrey Trail. As razões do crime teriam sido passionais. O matou com uma arma que pertencia a Trail e a manteve desde então. A próxima vítima foi o arquiteto David Madson, encontrado com ferimentos de bala na cabeça. Outro crime passional, já que Madson era ex-namorado de Cunanan.

Em Chicago, Cunanan matou o milionário Lee Miglin, de 72 anos, poucos dias depois do crime anterior. Os detalhes do crime são pesados: Miglin teve seu rosto embrulhado com fita adesiva. Depois, foi golpeado com tesouras e teve sua garganta cortada com uma serra de jardinagem. Um crime sádico, visando à excitação sexual – motivo clássico dos assassinos em série.

Cinco dias depois, Cunanan encontrou sua quarta vítima: o coveiro William Reese, de 45 anos. Este foi o primeiro assassinato a ser testemunhado, o que o colocou na lista dos 10 mais procurados do FBI. Após este crime, se escondeu na Florida.

Sua afronta era gigantesca. Chegou a usar seu nome real para penhorar itens roubados, mesmo sabendo que a polícia verifica registros de casas de penhores sobre esse tipo de mercadoria.

O próximo crime seria o do famoso estilista italiano, um dos assassinatos mais famosos do século XX. Versace foi morto em frente a sua casa, em plena luz do dia, num crime planejado cuidadosamente.

Foi atingido por dois tiros fatais na nuca, à queima-roupa, quando voltava para casa depois de ter comprado o jornal e tomado café no famoso News Café. As teorias do crime são de que Cunanan tinham em Versace a imagem do homem famoso, rico e popular que ele gostaria de ser. Mas as motivações de seu crime nunca foram descobertas. Chegaram a cogitar que ele havia sido diagnosticado como HIV positivo.

Oito dias após o assassinato de Versace, a policia montou um cerco que durou mais de quatro horas em uma luxuosa mansão, num canal de Miami Beach. O evento foi acompanhado por mais de 100 agentes do FBI, da polícia e uma equipe SWAT fortemente armada.

Tentaram negociar com Cunanan, mas sem sucesso. Após uma saraivada de bombas de gás lacrimogêneo, a polícia invadiu o local e encontrou o assassino estirado em uma cama, morto com um tiro na boca. Usou a mesma arma com a qual matou todas as suas vítimas.

Uma autópsia revelou que ele não possuía o vírus HIV. Cunanan deixou poucos pertences pessoais, o que surpreendeu a todos, dada a sua reputação. A polícia não encontrou nada muito importante, registrando, por exemplo, uma coleção extensa de de livros de C. S. Lewis.

O que a família Versace achou da série?

Donatella Versace e sua família classificam a série como algo “doloroso de assistir”, segundo o jornal La Repubblica. Ícone da moda, afirmou que não pretende assistir à produção.

“Eu não vi nada da série, nem pretendo ver, pois é doloroso de assistir. É difícil, mesmo depois de tanto tempo, ver Gianni representado de forma mentirosa”, contou a estilista.

O clima entre a produção da série e a família não é nada positivo. Talvez por isso Lady Gaga, anteriormente cotada para interpretar Donatella na série, não deu vida à personagem. A cantora é amiga pessoal da estilista.

A briga começou quando os Versace divulgaram uma primeira nota criticando a série, chamando-a de “pura ficção”. Ryan Murphy não ficou calado. Respondeu citando o livro no qual se baseou.

Gianni foi morto em 1997, deixando um império da moda, sua família italiana e o parceiro, o modelo Antonio D’Amico (Ricky Martin ).

Antonio disse ao jornal The Guardian que o programa não retrata a realidade dos fatos. “Tanta coisa foi escrita e falada sobre o assassinato, houve milhares de suposições, mas nenhum vestígio da realidade”, desabafou.

“A foto de Ricky Martin segurando o corpo em seus braços é ridícula”. Segundo D’Amico, não aconteceu essa cena que se assemelha à Pietà de Michelangelo. Ele também afirma que na série o estilista parece ter vergonha de sua homossexualidade, sendo que tinha orgulho na vida real.

“Vivíamos como um casal natural, nunca houve problema”, disse. “Ele nunca tentou esconder quem ele era”.

As controvérsias sobre a série estão apenas começando. Afinal, foi exibido apenas um episódio do total de nove. Nos Estados Unidos a série vai ao ar toda quarta-feira.

American Crime Story: The Assassination Of Gianni Versace é exibida no Brasil toda sexta, no canal pago FX.

Sobre o Autor

Caio Fochetto

Fundador do site BOXPOP, profissional de mídia e comunicação com experiência em TV aberta, TV paga, portal web e rádio. Potterhead sonserino com muito orgulho e apaixonado por cultura pop.

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