O surpreendente Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Depois de tantas adaptações fracas ou que fugiam do universo criado, Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos é a primeira obra fiel dos games.

Chega a soar como uma piada começar uma crítica de um filme baseado em um jogo, mas seu maior desafio é transpor para a tela o universo e a sensação de interatividade. Diversos filmes falharam com isso, mas não é o caso de Warcraft. Fãs, preparem-se para ter uma grande surpresa.

Warcraft é um local dividido em 7 reinos, mas nesse filme iremos conhecer somente o reino Azeroth que tem a raça humana no comando, um local tranquilo que se vê em apuros quando guerreiros orcs invadem a região para tentar dominá-la. É nesse encontro entre os humanos da equipe Aliança e os orcs da equipe Horda que acontece um grande duelo, em que cada lado tem disputas pessoais em jogo para tentar salvar seu povo e suas famílias.

O roteiro de Charles Leavitt, responsável por assinar o longa No Coração do Mar, consegue abordar diversos assuntos de uma maneira tão natural e, principalmente, consegue dialogar com os dois públicos: os fãs e aqueles que estão tendo um primeiro contato com a franquia. Claro que no início você pode até achar que vai ficar um pouco perdido com a história, mas em questão de minutos você já está dentro daquele universo e aos poucos vai absorvendo todas as informações necessárias. Um outro acerto do roteiro é a maneira que os personagens são apresentados ao público, é de uma fácil compreensão saber os propósitos de cada um e quem é o vilão e quem é o mocinho.

O diretor e também roteirista, Duncan Jones (do ótimo Contra o Tempo), já havia assumido ser um verdadeiro fã da franquia e isso ajuda muito em sua direção. Ele se mostra muito preciso na ambientação da história, nas tomadas fantásticas de câmera — que dá ao espectador toda a sensação de ser um dos guerreiros nessa batalha -, além de um novo olhar para o 3D, que se junta a lista dos filmes eficientes.

Warcraft filme

Sabemos que esse é o primeiro filme de uma possível nova franquia, o longa não é 100%. Uma das grandes falhas do filme encontra-se em seu ato final, que soa como uma apressada cena de batalha. Aquela sensação de quero mais fica nítida nessa parte, até porque a desigualdade entre orcs e humanos é mais do que óbvia.

Outra grande falha apresentada está em sua parte técnica, a montagem escolhida para apresentar o filme é um tanto quanto decepcionante. É como se estivéssemos vendo um longo episódio de uma série, onde há cortes no meio de uma cena importante para uma cena onde nada está acontecendo ou que ligue aquele momento. E isso dura praticamente da metade até o final do longa.

O elenco traz os nomes de Dominic Cooper (de Need For Speed e da série de TV Preacher) como o Rei Lllane, Travis Fimmel (da série Vikings), Ben Foster (dos filmes Pandorum e X-Men: O Confronto Final), Paula Patton (dos filmes Déjà Vu e Missão Impossível: Protocolo Fantasma), Toby Kebbell (dos filmes Quarteto Fantástico (2015) e do inédito, Ben-Hur) e Ben Schnetzer (dos filmes A Menina que Roubava Livros e Orgulho e Esperança). Entre erros e acertos o longa consegue ter dois destaques, um positivo e um negativo. O positivo é que Ben Schnetzer consegue mais uma vez roubar a cena em um filme, aqui como o mago Khadgar e o destaque negativo é novamente para Dominic Cooper, que está sempre igual em todos os seus longas e parece que estamos vendo uma repetição de personagens.

Além da história central, a trama ainda apresenta outras subtramas que merecem o seu destaque. Como o preconceito que acontece quando passamos a conviver com algo diferente, o amadurecimento de uma pessoa diante os desafios da vida, o verdadeiro sentido da palavra nobreza, sem contar as diversas teorias que ficam em aberto sobre a expansão do universo com os acontecimentos desse primeiro capítulos.

A parte técnica, apesar de falhar na montagem, acaba acertando nos efeitos visuais, que são incríveis durante todo o filme — é raro encontrar aqueles errinhos básicos. Os figurinos estão idênticos ao dos jogos, a maquiagem, os cenários e a trilha sonora, tudo é épico e um trabalho que realmente não havíamos visto em nenhum filme adaptado de jogo.

Agora uma pergunta que fica no ar é o porque a crítica internacional está massacrando o filme, os erros são mínimos e isso não desmerece nem um um pouco o longa.

Warcraft — O Primeiro Encontro de Dois Mundos é um grande acerto para o início de uma nova franquia nos cinemas. Preparem-se para ótimas cenas de ação embaladas por uma trilha sonora poderosa e uma narrativa envolvente. Depois de anos errando, finalmente temos um filme que consegue acertar em sua adaptação e que consegue não só falar com aqueles que entendem e sim com o público em geral.

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