O Vale (Quase) Tudo da Teledramaturgia Nacional

Neste Dia da Proclamação da República, a coluna O Melhor e o Pior de… encerra a #SemanaBrasilDoBox fazendo uma análise geral da nossa teledramaturgia. Passando pelas grandes novelas e seus clássicos vilões até as minisséries épicas e super produzidas, porque o Brasil também faz televisão de qualidade. E como nem tudo é perfeito, vamos abordar os dois lados das produções nacionais.

A RELEVÂNCIA DAS MINISSÉRIES

Sejam elas épicas, biográficas ou mera ficção, as minisséries são o biscoito fino da teledramaturgia brasileira. Mesmo que a audiência não seja a mesma da faixa das 21h, as minisséries saem na frente no quesito qualidade. Sem tempo a perder, já que estão sempre entre uma e cinco dezenas de capítulos, a história desses programas exibidos sempre um pouco mais tarde vão direto ao ponto, prezando pelo rápido desenvolvimento de seus personagens.

Quase sempre contando a vida de personalidades relevantes ou a própria História do Brasil, as produções conquistaram espaço na memória dos brasileiros. Como esquecer da antológica Anos Rebeldes, que marcou, e porque não, formou o caráter de uma geração? Os anos 90 ainda foram época de obras obrigatórias como Agosto, Hilda Furacão, O Auto da Compadecida e Chiquinha Gonzaga. Das produções mais modernas, vale assistir qualquer criação de Luiz Fernando Carvalho, um dos diretores mais inventivos da atualidade.

VILÕES QUE MARCARAM ÉPOCA

Não adianta quão bom seja o tema ou o elenco de uma novela, nada ficará mais marcado que o poder que um antagonista tem de gerar conflitos. Quer uma prova? Então aqui vai um exercício rápido. Qual o primeiro personagem que você lembra quando pensa em Senhora do Destino, Vale Tudo, A Escrava Isaura e A Indomada? Viu só? Nada disso é por acaso. A jornada do herói, fórmula presente em quase todas as telenovelas, só funciona com a presença de um vilão forte o suficiente para tirar o personagem principal do sério.

TEMAS DISCUTIDOS NA SOCIEDADE

A teledramaturgia não precisa ser apenas entretenimento. Mesmo a ficção é pautada na realidade, e pode cumprir um papel importante na sociedade abordando temas que fazem o público de casa se identificar, refletir e tomar um posicionamento crítico quanto ao que está sendo mostrado.

Gilberto Braga e Aguinaldo Silva souberam fazê-lo forma genial em Vale Tudo, questionando “até que ponto valia a pena ser honesto no Brasil?”; anos mais tarde Gilberto em parceria com Ricardo Linhares usaria a controversa Insensato Coração para fazer o país refletir até onde valia a pena fazer justiça com as próprias mãos através de Norma, personagem de Glória Pires.

A LONGA DURAÇÃO DAS NOVELAS

Sério, o que consegue ser mais exaustivo que acompanhar 180 capítulos consecutivos de uma narrativa, seis vezes por semana? O formato ultrapassado das novelas exige que o telespectador diga “sim” a uma relação estável que tem tudo para dar errado. Aqui acontece exatamente o contrário das minisséries. Criam-se núcleos muitas vezes irrelevantes e fora de contexto só para preencher tempo de tela para que a trama principal ganhe mais tempo para se desenvolver.

Nem vou muito longe e resgato uma das obras mais elogiadas por crítica e público dos últimos anos: Avenida Brasil. Alguém saberia me responder qual o sentido do núcleo do Cadinho naquela estória? Ele era o pai da moça que namorava o protagonista? Grande coisa! Raras foram as vezes que o personagem de Alexandre Borges flertou com outro tema senão a poligamia. Este é o exemplo perfeito para mostrar que mesmo novelas consagradas podem sofrer com a longa duração.

FALTA OUSADIA NA PARTE CRIATIVA

Uma ou outra novela traz algo realmente novo para o formato (alô, Cordel Encantado), entretanto a maioria dos roteiros escolhidos para se firmar na sua tevê durante nove meses não passa de material reciclado sem algo que lhe torne diferente de suas antecessoras. Pior que isso, só os autores que subestimam a inteligência do telespectador. O que falar das personagens de Salve Jorge além de suas sucessões de burradas e atos ilógicos? Ou das tramas do Leblon que são, hmm, nada mais que gente rica sendo linda no bairro do Leblon? O que aconteceu com a ousadia de criticar a política, ou simplesmente mostrar o quanto tem de gente sacana nesse país e cantar para que o Brasil mostre a sua cara? Por que as emissoras têm tanto medo de mostrar um simples beijo gay, algo completamente normal no horário nobre norte-americano? Ah, mas na novela tem aquele cara que pega várias ao mesmo tempo e o homossexual que tá virando hétero…

SÉRIES DE QUALIDADE CANCELADAS PREMATURAMENTE

Infelizmente, este não é um problema apenas dos produtos de fora. A diferença é que no Brasil, audiência não salva. Quem assistiu A Cura e não ficou com vontade de ver mais uma temporada? O grande problema aqui complementa o tema anterior: o medo do novo. A série de João Emanuel Carneiro só não foi renovada porque o autor, por contrato, precisa escrever novelas. O cara é tão bom que até a última novela dele teve ritmo de série. A Cura não foi a única a acabar cedo. A maravilhosa Alice, da HBO, só não foi renovada porque a protagonista Andreia Horta assinou um contrato de exclusividade para fazer novelas na Rede Globo. Percebe? Por mais ultrapassado que o formato esteja, a renovação da dramaturgia ainda parece longe de conseguir espaço.

E você, concorda com os pontos levantados aqui? Para você, o que há de melhor e pior na teledramaturgia brasileira?

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