OITBN 3X12 — Don’t Make Me Come Back There

Orange is The New Black mostra o lado humano de Aleida e debate a transfobia, em Don’t Make Me Come Back There.

O que estraga são seus sentimentos. Eu amava você. Queria você por perto. E agora você está aqui, fazendo as mesmas cagadas que eu. Eu tentei, sabia? Mas foi em vão. Você terminou igualzinha a mim. Fiz filhos, depois fodi com a vida deles. Sou uma péssima mãe. Nunca quis que se sentisse como eu me sinto.” DIAZ, Aleida.

Talvez um dos grandes méritos de Orange Is The New Black seja ter, e conseguir contar, tantas histórias sem atropelamento, sem deixar nenhuma de lado e esse episódio é um grande exemplo disso.

Pelos flashbacks, acompanhamos a relação de Aleida com Daya na infância, enquanto no presente víamos Daya dar à luz ao seu filho. No passado, com sua primeira filha, Aleida realmente tentou ser uma boa mãe, mesmo que tenha sido do seu jeito torto. Levar a garota ao acampamento para ter férias era apenas uma desculpa, uma ilusão para ela mesma. Conforme dito em uma conversa com Maria, não são as crianças que precisam da mãe, e sim as mães que precisam delas. Isso não poderia se encaixar melhor com Aleida, que de tão infeliz e fracassada em sua vida, sempre recorreu ao amor de seus filhos para pelo menos tentar esquecer a sua infelicidade. Mas a ganância e o ego de Aleida sempre foram maiores que o amor por seus filhos, o que refletiu na relação deles atualmente, principalmente com Daya.

Com Daya dando à luz na prisão, Aleida tentou ajudar sua filha, mas recebeu a recusa da menina. Quando Daya mais precisou da ajuda da mãe, ela não esteve lá; agora que já está na prisão, por que precisaria? Com isso, voltamos ao que Maria disse. E, sabendo disso, Aleida decide abrir mão da sua ganância pelo amor de sua filha e fez o que achou certo: mentiu para a mãe de Mendez, disse que o bebê nasceu morto. Mesmo querendo acertar, a mãe de Daya errou.

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Com a mãe de Mendez podendo criar a criança, ao menos ela teria educação, segurança e uma vida boa. Mas Aleida foi egoísta e não pensou no que sua ação causaria a criança, só pensou em si mesma, em sua relação com Daya, que não parece que irá melhorar depois disso.

Aleida também esteve envolvida no caso da agressão de Sophia, ainda que indiretamente nesse episódio, mas diretamente nos anteriores. Ao espalhar boatos de que a cabeleireira ainda tinha pênis alimentou a intolerância velada de todos, resultando na agressão covarde. Aleida realmente não participou do ataque, mas é tão culpada quanto quem fez o trabalho sujo, assim como quem ficou em silêncio e ignorou o que estava acontecendo.

Todas são legais na maior parte do tempo, sabia? “Sophia, conta as fofocas.”, “Que tal franja, Sophia?”. Você começa a achar que faz parte da turma. Mas algo muda e você vê que ainda é uma aberração, nunca será da turma.” BURSET, Sophia

Sophia, decidida a ter justiça, enfrentou Caputo, que mesmo sabendo que ela estava certa, não pode ajudar, pois a empresa que comprou Litchfield obviamente não gastaria seu tempo — nem seu dinheiro — tentando resolver. Assim, Sophia declarou guerra a eles, mesmo sabendo que essa guerra já tinha um ganhador, e não era ela.

Para calarem a boca de Sophia, a mandaram para a solitária, com a desculpa de que seria para a sua proteção. A cena foi de arrepiar e ao som de Too Dry to Cry, de Willis Earl Beal, acompanhamos Sophia sendo levada para a solitária com a cabeça erguida, mostrando que aquilo não a destruiria, enquanto, por acaso, encontrava Glória no corredor.

Glória talvez seja a única envolvida nessa briga que entrou nela sem preconceitos, não entrou para atacar Sophia por ser transexual, isso tudo apenas começou por causa do instinto materno das duas, decididas a defenderem seus filhos. Os seus olhares para Sophia durante o episódio mostrou o arrependimento de Glória, que mesmo não tendo dito nenhuma palavra contra Sophia às outras detentas, sabe que teve sua parcela de culpa nisso tudo. Glória se calou, ao invés de parar a sua amiga de espalhar os boatos. Deixou seu orgulho falar mais alto, e a situação chegou a um momento crítico, que resultou no final do episódio.

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Enquanto isso, Boo e Dogget planejavam a vingança contra Donuts, por estuprar a caipira. As duas sabiam que contar para a Caputo não resolveria nada. Logo após o escândalo do estupro de Daya, a prisão não poderia estar envolvida em mais um escândalo, e assim como fizeram com Sophia, provavelmente, fariam com Dogget.

Sendo assim, elas decidem revidar na mesma moeda: estuprar Donuts. Mas estuprar não resolveria nada, apenas as colocariam no mesmo nível dele, as fariam estupradoras também e no fim nada seria resolvido. A cena em que elas tentam realizar o plano é muito tocante, quando Dogget diz que não sente raiva, apenas tristeza.

Não sinto raiva. Só tristeza.DOGGET, Tiffany.

A personagem cresceu muito desde a primeira temporada. Lá no começo, quando ela perseguia a infiel da Piper, ninguém imaginaria isso, né? A amizade com Big Boo foi um acréscimo à personagem, que nessa temporada mostrou suas nuances e tirou a impressão de que ela era uma pessoa má. Até por que, ninguém é totalmente bom e ninguém é totalmente mau, não? Piper, nesta temporada, é um exemplo disso.

A história das calcinhas foi algo engraçado no começo, mas que rapidamente cansou. Porém, graças a ela, descobrimos a real Piper, aquela com quem ela lutou nas duas temporadas anteriores, sempre se martirizando quando essa Piper transbordava e a víamos sendo egoísta e mesquinha. É um tanto absurdo ver Piper trocar Alex por Stella, sendo que ela mandou Alex para a cadeia novamente só por que se sentia sozinha. Mas o destino é justo e o Karma veio mais rápido que o esperado: Stella vai sair logo da prisão. É preciso confessar que foi gostoso ver Piper se dando mal nesse “relacionamento” antes mesmo dele começar.

Vimos a preparação do enredo de Taystee para a próxima temporada: ela virando a “mãe” do grupo das negras. Nada mais justo, depois de passar a temporada inteira cuidando das meninas e resolvendo as burradas delas, como o roubo do milho de Red nesse episódio.

E sobre o plot do milho envolvendo Red e Healy, só uma coisa a dizer: esperamos que esse casal nunca aconteça! Red é uma personagem maravilhosa e não merece ter que aturar Healy, com todos seus preconceitos e inveja.

Por fim, é necessário comentar a tentava de suicídio de Soso, que passou a temporada inteira sendo atormentada pela fanática da Leanne. Soso, realmente, é uma personagem chatinha, mas não merece a morte. Suas intromissões fariam falta. Ainda bem que Poussey a achou e, se tudo der certo, as duas poderiam se unir para vencer a depressão.

Um ótimo episódio, sem dúvidas, que encaminhou tudo muito bem para a season finale, que não será tão eletrizante como a da temporada passada, mas que promete muito.

Deixem sua opinião logo abaixo e votem! Até a próxima.

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