OITNB 2×01 — Thirsty Bird

Nem sempre é uma questão de certo ou errado, mas de fazer a escolha que cause menos dor aos outros, guardando as coisas para você mesma, esquecendo informações ou sentimentos e vivendo com os seus segredos.”
CHAPMAN, Celeste

E quase um ano depois, estou de volta a Orange is the New Black. Preciso confessar que OITNB não me convenceu logo de cara: o piloto era gostosinho, mas eu olhava o Jason Biggs lá e só conseguia pensar em American Pie. É nisso que dá o cara ter só um papel de destaque na vida — você nunca lembra dele como ator, você lembra dele como o Jim, que era virgem e se masturbava com uma torta. Lamentável.

Mas acabei superando esse desconforto inicial e me apeguei à série. E me apeguei tanto que matei os 13 capítulos da 1ª temporada em dois fins de semana. Por que estou contando toda essa história? Porque hoje, quando entrei na Netflix para começar a temporada, depois de ver a primeira toda praticamente de uma só vez, eu não lembrava quase nada. Mas o pessoal de lá é tão querido, mas tão querido, que tem um resumo bem bacana no início do episódio, pra refrescar a memória e nos trazer de volta pro universo e pras encrencas de Litchfield (ou não).

Terminamos a temporada passada com a Piper fazendo merda e dando uns bons sopapos na Caipira. Foi um final bem forte e eu esperava um início de temporada mais calmo, com aquela sensação de “onde estou? O que aconteceu? Hã? Hein?”. Bom, não me desapontei. Começamos a segunda temporada totalmente perdidos. Piper foi enviada para a solitária após atacar Pennsatucky e passou um mês jogada por lá. A moça fica tão zoada que começa a criar pinturas abstratas com seu café da manhã e é neste ponto que voltamos a nos familiarizar com o humor trágico que caracteriza a série: na primeira vez que Piper foi pra solitária ela surtou feio, nessa segunda ela já consegue fazer uma ou duas piadinhas, o que mostra certo crescimento na personagem, mesmo que ela desaponte no decorrer do episódio.

OITNB 2x01

O roteiro nos afasta totalmente da familiaridade de Litchfield, levando-nos para Chicago com a Piper, para que ela possa testemunhar no julgamento de Kubra Balik, traficante internacional e chefe de Alex. Mas ela não sabe disso e toda a agonia que sente por não saber onde está indo e por que está em Chicago é transmitida para o espectador.

A moça vai parar em um centro de detenção misto, com quatro colegas de quarto bizarras (a cagona, a astróloga, a do papel higiênico e a adolescente latina doida) e consegue se meter em encrenca logo no primeiro passo que dá no dormitório novo — o que é algo bem “Piperiano”, ressalta-se. O decorrer do episódio, porém, dá a entender que tais personagens não serão recorrentes na série, o que já considero uma perda, pois dei bastante risada com o esquema das baratas treinadas.

O episódio se desenvolve rapidamente, mas ainda assim falta um pouco da intensidade dos da temporada passada e isso acontece até a sua segunda metade, quando as coisas começam a ficar mais animadas. Confesso pra vocês que, quando Alex apareceu em Chicago, eu pensei: “ferrou!” Aquela mulher é encrenca certa e, mais uma vez, eu não estava errada. Surpreendeu-me muito o fato de Piper cair mais uma vez na conversa da Alex que, claramente, armou mais um golpe pra ela. E mais que surpreendida, fiquei irritada. É como se toda a evolução de Piper no primeiro ato da série fosse por água abaixo quando, mais uma vez, ela se torna o cordeirinho de sacrifício da Alex, é ridículo. Chega a ser frustrante ter que aguentar mais essa idiotice por parte da protagonista.

Claro que essa história é um gancho para deixar a Piper mais tempo na prisão, afinal, a série foi renovada pra essa temporada e mais uma (a terceira) e a tontinha só tinha 15 meses de pena. Um aumento deixa as coisas mais fáceis de serem trabalhadas mas, ainda assim, considero um sacrifício alto demais da linha evolutiva da personagem.

No quesito atuação, tudo nos conformes. Senti mais firmeza na Taylor Schilling nesse início de temporada, a cena do avião foi bastante intensa e bem trabalhada, assim como o testemunho no tribunal. Quando Piper fala das viagens que ela e Alex fizeram juntas, seus olhos chegam a brilhar, deixando claro que, mesmo com tudo que aconteceu, Alex ainda é seu grande amor, num ótimo trabalho da atriz, definitivamente. Quanto aos demais, tudo no lugar e vale ressaltar que Laura Prepon domina a tela totalmente — aquela mulher é muito magnética. Atuação nunca foi um problema para OITNB.

Fica a torcida para um retorno rápido para Litchfield, pois a ambientação e as personagens do núcleo fizeram muita falta. E que a Piper volte a evoluir. Não basta dar uma surra na Caipira se no mês seguinte você voltar a ser o patinho da Alex, né?
Todos os episódios das 2 temporadas estão disponíveis na Netflix e as críticas, uma vez por semana, aqui no Box. Vamos manter as coisas saudáveis e controlar o vício né? Até a próxima!

P.S.: Orange is the new Black é baseada em fatos reais, pelo menos em seu conceito — que saiu de um livro escrito por Piper Kerman, a moça que passou pela experiência mostrada na série. Não li o tal livro, portanto não sei até que ponto a série é fiel ou não, e a criadora, Jenji Kohan, já comentou em algumas entrevistas que a história de Piper Kerman foi apenas um ponto de partida. Ou seja, eu posso estar chamando a Piper Kerman de burra por ser enganada na questão do depoimento. Espero que ela perdoe esse meu pequeno deslize, se isso tiver realmente acontecido.

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