OITNB 2×02 — Looks Blue, Tastes Red

Você quer ouvir minha música? ‘I am beautiful in every single way. Words can’t bring me down’.” — JEFFERSON, Tasha ‘Taystee’

E depois de uma imersão forçada no Centro de Detenção em Chicago, voltamos à familiaridade de Litchfield. Mas voltamos sem a Piper que, pelo jeito, continua por lá. O segundo episódio da temporada de Orange is the new Black traz aquela sensação gostosa de quando voltamos pra casa depois de uma viagem muito longa e estamos com muita saudade, tem um gostinho de nostalgia e cai como uma luva depois da montanha-russa que foi Thirsty Bird.

Looks Blue, Tastes Red é focado em Taystee e essa foi uma escolha muito acertada. Começamos o episódio vendo a versão criança da Taystee em uma feira de adoção de crianças negras. Ela, já extrovertida e expansiva desde pequena, tenta ganhar a atenção de uma família de pais brancos, mostrando algumas de suas habilidades. É nessa mesma feira também que ela conhece Vee Parker, a traficante que acaba tornando-se uma figura maternal em sua vida e que provavelmente tem muito a ver com os motivos para Taystee ir parar em Litchfield.

A atriz mirim escolhida para interpretar a pequena Tasha me conquistou totalmente com seus míseros três minutos de tela. A menina é uma graça e fala igualzinho à Taystee. Ficou muito perfeito, e aquele otimismo constante, animação e sagacidade ficaram muito bem retratados. Tasha se destaca desde novinha, mas isso não é visto exatamente como algo bom — tendo em vista que ela não conseguiu ser adotada. Mas, mesmo conforme os anos vão passando e a personagem cresce, a essência de Tasha continua presente em Taystee: ela é uma garota feliz e inteligente, que apenas procura a melhor forma de conduzir sua vida. Não ficam bem claros os motivos que a levam a entrar para “o negócio”, mas fica claro que, apenas após procurar e unir-se a Vee e RJ, Taystee teve uma ideia de como é ter uma família. A cena do jantar dos três é super cotidiana, mas bastante comovente.

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O arco da personagem é extremamente bem construído e nos faz conhecer Taystee de verdade. Ela tem uma necessidade intensa de se provar, desde pequena. Ela sempre foi uma criança rejeitada, mas sabe muito bem que é mais do que o que as pessoas veem. É inteligente, consciente de suas habilidades e quer que o mundo a veja como ela mesma se vê. A música que ela, ainda criança, definiu como sua, cai como uma luva. Ela é linda em todos os sentidos, sim, e não importa o que os outros dizem.

Além do foco especial em Taystee, temos algumas sidestories interessantes, mostrando o cotidiano de Red, Daya e Pennsatucky, as três com destaque maior que o das outras detentas.

Red ainda sofre as consequências de não ter mais sua gangue a apoiando. Além disso, em casa as coisas também não vão bem, o que se reflete em seus créditos na lojinha da prisão. Conforme as coisas vão piorando, o cabelo vermelho vai desbotando, e não demora para as outras senhoras da prisão de aproximarem dela. Eu particularmente concordo com a Maria em cada palavra que ela diz sobre Red: ela é uma ursa. Está apenas hibernando e se preparando pra atacar. Uma hora dessas ela bola um plano maluco, retoma o comando da cozinha e vai ferrar todo mundo que torceu o bico pra ela, mas por enquanto ela tá fazendo uma hora com as senhorinhas. Mal posso esperar para ver Red voltando a ser Red. Ela tem classe.

O arco de Daya é ligeiramente indigesto e serve para nos lembrar que: 1 — Ela existe e está grávida de um guarda; 2 — o guarda é muito bonitinho. Eu gosto da personagem e gosto do romancezinho dela com o guarda, apesar de achá-lo um verdadeiro banana. É interessante também a abordagem do relacionamento dela com suas “duas mães”. Foi divertido o diálogo das duas após envergonharem Daya (“é isso que os pais fazem: envergonham os filhos”), assim como foi divertida a pequena disputa para decidir quem tinha o melhor laxante de família.

Quanto à Pennsatucky, a primeira fala dela já demonstra que continua tão maluca quanto antes da briga com Piper: “a última coisa que lembro é que eu era um anjo”. Gargalhei nesse momento, não tive como evitar. No entanto, a conversa com Healy deixa bem claro que ela pode ser maluca, mas continua bem esperta. Ela finalmente consegue um jeito de consertar aqueles dentes e admito que isso me deixou bastante feliz. Não aguentava mais ver aquela boca dela toda detonada — e isso me lembra algo, porque raios todas as fiéis da Dogget tem aqueles dentes destruídos? Gente, que nojo.

No todo, foi um ótimo episódio. Fiquei com uma ou outra pulga atrás da orelha pois na primeira temporada, quando Taystee sai da prisão, ela vai para a casa de uma tia, mas o episódio de hoje mostra ela num abrigo. Afinal, ela tinha uma tia mesmo? Não era uma tia e eu confundi tudo? Os roteiristas esqueceram que ela tinha uma tia? Se ela tinha uma tia, porque ela vivia num abrigo quando criança? Ou deixei passar algo? Enfim, não faz muita diferença, mas fiquei encucada com isso.

Outra questão é a quantidade de gente relacionada que está presa no mesmo lugar. Daya e a mãe, Taystee e Vee, Piper e Alex. Gente, será possível que só tem uma prisão no estado de New York? É muita coincidência, né não?

Antes de concluir, duas observações:

– Só eu acho que o Larry vai pegar a melhor amiga da Piper?

– Só eu não senti falta nenhuma da Piper e da Alex?

E é isso aí, pessoas. Até semana que vem!

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