OITNB 2×06 — You Also Have a Pizza

Amor não é olhar um para o outro, mas olhar na mesma direção.” — WASHINGTON, Poussey

A “televisão” tem muitas formas de falar sobre o amor. Todos os anos, próximo ao dia dos namorados, os meios de entretenimento se enchem das mais variadas referências e homenagens, lembrando essa data que, por mais que seja comercial, acabou realmente virando uma forma das pessoas demonstrarem o amor, nas suas mais variadas formas.

Orange is the New Black decidiu mostrar o amor com um lindo episódio focado em Poussey. A personagem que vinha, cada vez mais, ganhando um destaque todo especial na temporada, finalmente teve parte de sua história contada, e de uma forma bastante inesperada.

You Also Have a Pizza nos mostra um Poussey muito jovem, intensa e apaixonada. O cenário é a Alemanha, onde P acompanha seu pai militar e encontra o amor nos braços da filha de um general local. Os flashbacks nos mostram o relacionamento de Poussey com sua namorada alemã, Franziska, até o momento em que o pai da moça alemã as descobre e despacha a família de Poussey de volta para a América, gerando uma reação explosiva de P.

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O plot é bem trabalhado e retrata bem os conflitos que jovens homossexuais tem com seus pais quando estes não os compreendem e nem tentam compreender. Mas, ainda assim, achei o tempo de tela dos flashbacks de P ligeiramente menor que o tempo de Gloria. Senti falta de uma conclusão, talvez do motivo pelo qual Poussey foi presa — não consigo lembrar se já foi dito na série ou não.

O episódio é repleto de doçura, e isso casa perfeitamente com a personalidade de Poussey. Nossa P. é uma personagem doce e intensa. Seus principais plots na série deixam isso bem claro: a paixão platônica por Taystee e a coragem única ao peitar Vee. Ao acompanhar um pouco de sua vida pregressa, conseguimos ter uma leve noção de por que P é tão esperta e arredia ao lidar com Vee. Instintos não vindos de uma vida na rua, como poderíamos imaginar se fôssemos nos apegar a estereótipos, mas sim vindos de experiências anteriores enriquecedoras, mesmo quando tinha problemas como o que teve com o pai de Franziska.

Ainda na onda do amor, temos Piper recolhendo depoimentos das presas sobre o que é, afinal, o amor. Ela consegue autorização de Healy para editar um jornal para as presas com a desculpa de entretê-las, no entanto, seu verdadeiro objetivo é investigar os desvios que Fig vem fazendo, numa ideia inspirada por Larry. Eu já comentei por aqui que a Piper anda bastante coadjuvante e não tenho grandes objeções quanto a isso, mas vale ressaltar que ela continua sendo a parte constante em todos os episódios, com exceção do episódio da Taystee, Looks blue, tastes red. Estou numa fase em que acho reconfortante ver a Piper no meio de todas as histórias aleatórias que acontecem ao redor.

Temos ainda Red voltando a distribuir presentinhos na prisão, depois de muito engenhosamente encontrar uma forma de voltar a receber contrabando de fora, e Crazy Eyes tendo um momento fofo, porém esquisito, com a Morello. Suzanne tem uns momentos de sabedoria que são imbatíveis. É o tipo de personagem que quando você menos espera vai soltar uma frase genial — e depois vai fazer algo engraçado, para desmitificar o momento.

Vee continua construindo sua teia por Litchifield, mexendo seus pauzinhos pra colocar quem ela quer no lugar em que ela quer e se torna cada dia mais poderosa. Red continua sendo a única a vislumbrar o perigo que ela representa e acredito que esse seja o motivo da acelerada que vem dando em seus planos.

No mais, o episódio traz ainda Bennet e Daya no que deveria ser um momento fofo, mas não funciona muito bem. E nesse plot há, também, um bom fantasma pra nos trazer lembranças. Em breve o guarda mais sacana daquela cadeia estará de volta, resta saber como ele voltará.

E no fim de um episódio focado no amor, temos uma demonstração de afeto mais paternal, no momento em que Healy divide com Pennsatucky, que achei muito doce. Healy é um personagem que tem várias facetas e eu gostei bastante dele no passado, mesmo que tenha me decepcionado com muitas de suas atitudes. É interessante ver seu lado mais gentil aflorando novamente e a interpretação de Michael Harney consegue trazer perfeitamente a ambiguidade que a personagem pede.

Pra terminar, algumas observações:

– Gente, a doidinha do Jack fugiu e foi dar bem no bar que o Caputo toca com sua banda. E TODOS os guardas da prisão que estão de folga estão por lá também! Prevejo problemas…

– E, falando em Caputo, ele está menos sacana nessa temporada, não está? Tô até estranhando.

– A Morello está começando a ficar com um olhar meio “Crazy Eyes”, notaram?

– Achei meio perda de tempo esse plot Nicky-Boo pegando todas. Espero que tenha algum desenvolvimento agora que acabou.

E é isso, gente. Até semana que vem!

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