OITNB 2×07 — Comic Sans

A gente aprende uma coisa nova a cada dia aqui na prisão!” — JEFFERSON, Tasha

Orange is the new Black é uma série categorizada pelo próprio Netflix como comédia, mas que raramente causa gargalhadas. Seu humor é mais refinado, e o peso do drama faz com que eu sempre termine um episódio mais reflexiva do que terminaria o de uma comédia comum. Comic Sans me fez dar boas risadas, mas o drama no final me deixou com um nó na garganta e, mais uma vez, trouxe aquela lição magnífica que a série sempre nos traz: a vida é feita de risadas, mas é feita de lágrimas também. A vida é uma mescla disso tudo e, sendo uma série que, de maneira peculiar, claro, retrata a vida, Orange is the New Black mais uma vez foi precisa e tocante.

Comic Sans é focado em Black Cindy e, pela primeira vez na temporada, não fiquei arrebatada pela história de alguma personagem. Cindy é irresponsável e sem noção desde sempre e ressaltar pontos como o roubo de objetos no aeroporto e abandono da filha não ajudaram a aumentar minha empatia pela personagem. Ela foi totalmente eclipsada pelos plots de Piper, Caputo e até Bennet, que mesmo tendo um tempo menor em tela, finalmente mostrou um pouco de sangue no olho.

Cindy é usada para ilustrar o crescimento do império de Vee em Litchfield. A nova líder das negras criou uma rede de montagem e venda de cigarros na prisão e com isso se tornou ainda mais poderosa. Ela usa as moças e promete lhes pagar uma miséria, enquanto fica aos fundos, sem realmente meter a mão na massa. Não consigo gostar dessa mulher. Entendo a necessidade dela para a série, pois a movimentação que ela trouxe é muito interessante, mas não consigo deixar de odiá-la. Só posso, com isso, elogiar o magnífico trabalho da atriz Lorraine Toussaint, que consegue nos trazer uma Vee tão odiosa.

oitnb 2x07

Nesse esquema de cigarros, Vee consegue finalmente envolver Poussey, o que me deixou com uma pulga atrás da orelha, afinal, se precisar sacrificar alguém não tenho dúvidas quanto a quem será escolhida, e eu gosto demais da Poussey para vê-la se ferrando.

Piper volta a ter um papel de destaque no episódio, e as cenas mais engraçadas são aquelas em que ela se reúne a Daya, Morello e Gonzales para editar a primeira edição do Clarim do Xadrez (morram com esse nome). Daya demonstra um talento inesperado, fazendo uma tira muito esperta em que compara Healy a uma morsa, Morello se encontra em sua coluna sobre beleza e Gonzales demonstra um ótimo senso crítico que, sinceramente, não imaginava que ela tinha.

Só porque você vai escrever quadrinhos, não significa que tenha que usar Comic Sans.” — GONZALES, Flaca.

Mais que comandar o Clarim, Piper mostra um pouco daquilo que aprendi a gostar nela na primeira temporada: a empatia imensa que tem pelas outras presas. O cuidado dela com a velha doidinha é tocante, assim como a alternativa rápida que encontra para oferecer uma coluna a Morello, quando percebe que romance não é a melhor opção para a colega no momento. Piper é uma personagem completa e complexa, e é muito bacana quando Orange is the New Black consegue nos trazer várias nuances dela em apenas um episódio. Se nos últimos seis ela andava meio chatinha, em Comic Sans ela volta aos poucos a ser protagonista, e isso se mostrou uma vantagem. Acredito que daqui pro final da temporada ela passe a ganhar destaque, como aconteceu na temporada passada.

Acredito, ainda, que Piper acabará por se envolver na provável revelação das falcatruas de Fig dentro da prisão. É notável que ela está com isso formigando na cabeça, por mais que tente manter a razão e não se meter em encrenca. A cena do casal Fig deixa bem claro que algo está muito errado na administração das contas da prisão e é chocante ver quão hipócrita é a conversa dos dois. Eles se veem como os bonzinhos, aqueles que querem mudar o mundo para melhor, mas como grandes canalhas da humanidade, não levam em conta o prejuízo que podem trazer às pessoas que estão em uma situação de dificuldade. É típico de gente rasa pensar que suas atitudes são para o bem maior, por mais que prejudiquem quem está embaixo, e mesmo a fraca tentativa de humanizar Fig não me convenceu. Ela, por sinal, deveria abrir o olho e prestar atenção no assistente arrumadinho do marido, porque aquela troca de olhares foi meio suspeita.

Preciso falar ainda de Bennet e sua surpreendente explosão de atitude ao finalmente dar um basta na chantagem que estava rolando por parte das latinas. Eu estava achando-o muito mole ao suportar aquela zona em sua prótese, sinceramente, e fiquei satisfeita com seu posicionamento mais firme. Claro que aquilo lhe traria problemas com Daya, mas também restaura um pouco do respeito que as presas deveriam ter em relação a ele — respeito que ele põe em risco por se relacionar com Daya, o que acaba ficando bastante complexo, analisando friamente.

Ainda nos guardas, e juro que tô quase acabando, Caputo voltou a ser um sacana e está tampando o sol com a peneira. Estipular uma meta de ocorrências é incentivar punições por nada, sem atacar a verdadeira raiz do problema. Claro que ele visa uma possível promoção e, talvez, o aumento da disciplina na prisão, mas não é a estratégia mais inteligente. Sinceramente não sei se vindo dele daria pra esperar algo melhor.

Por fim, a situação da senhora meio maluquinha, Jimmy, é lamentável. É algo que dói na ficção e dói ainda mais na vida real — acreditem, eu já vi. E mostra que quando as pessoas mais precisam da ajuda e da assistência do estado, dificilmente ele está disponível para atendê-las. Vale lembrar, ainda, que ela se machucou apenas porque a guarda que deveria estar monitorando-a constantemente estava fazendo uma festinha no horário de trabalho. Uma infeliz sequência de erros.

Agora, pra quem foi corajoso e chegou aqui, algumas observações rápidas:

– Larry e Holly: eu sabia. E não acho nada demais, nem nada relevante. Por sinal, o único movimento de Larry na temporada foi incentivar Piper a fazer o jornal.

– O repórter: doeu ouvi-lo falar que ninguém liga para mulheres agredidas e estupradas. Dói mais ainda saber que é um fiel retrato da realidade.

– Red e Gloria: será que rola uma união aí? As duas são tão contrabandistas quanto a Vee, mas minha resistência à última é maior. Acredito que seja porque ela chegou agora e ainda não teve seu próprio episódio para gerar empatia.

E é isso. Até semana que vem!

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