OITNB 3×05 — Fake It Till You Fake It Some More

EPISÓDIO Fake It Till You Fake It Some More FOCA NO NÚCLEO LATINO E TRAZ CLIMA DE ENSINO MÉDIO PARA A SÉRIE.

Às vezes, ideias são melhores que a realidade” — WARREN, Suzanne (Crazy Eyes)

Se Orange is the New Black se passasse no Brasil, Flaca jamais teria sido presa (nem Piper, sejamos realistas). Eu poderia me perder aqui, explicando diversos conceitos jurídicos pra vocês que os deixariam de cabelo em pé, então prefiro apenas afirmar que, nunca, jamais, em hipótese alguma, ela estaria em uma prisão federal por vender papeizinhos aos colegas de sala. Isso no caso de ela conseguir provar que eram apenas papéis mas, enfim, não é esse o mérito da questão.

O mérito é que temos, pela primeira vez na série (de acordo com o que consigo lembrar, ao menos), a história de alguém que foi parar em Litchfield mesmo sendo inocente. Marisol Gonzales era mimada, folgada, chatinha e meio burra, não há como negar, mas não era uma traficante, pelo menos a partir do que podemos entender a partir dos flashbacks apresentados em Fake It Till You Fake It Some More!

A história de Flaca não era bem a que estive mais ansiosa para acompanhar, mas é inegável que casou perfeitamente com o outro plot do episodio, relacionado à seleção para as cobiçadas vagas de trabalho que pagam um dólar por hora.

Kids: Yum!

A Bruna citou na coluna de spoilers que sentiu um clima de colégio no episodio e concordo totalmente. Tivemos os tipinhos clássicos de ensino médio pra identificar e Piper, claaaaro, era a CDF. Ela nunca decepciona.

No final das contas, o tal teste era simplesmente um artificio da nova administração para fazer com que as moças sentissem que eram competentes para o misterioso trabalho que pagava tão bem. A revelação, ao final do episódio, é hilária e reflete com perfeição a frase de Crazy Eyes que usei na chamada do episódio. Às vezes, fantasiamos demais sobre algo e, quando vamos ver, são apenas calcinhas. Adoro quando OITNB trabalha essas metáforas sem cair pro lado do clichê.

Nesse episódios tivemos a introdução de um plot que acredito que causará certa tensão: Alex começou a ficar paranoica, achando que Kubra colocou alguém em Litchfield para vigiá-la e até mata-la, se tiver chance. A coisa vai ficar mais interessante conforme essa paranoia dela for crescendo. Piper não a esta levando a sério, então prevejo lágrimas e ranger de dentes caso haja realmente uma espiã na prisão com o intuito de atacar Alex. Seria um rumo cruel, mas não vejo muita surpresa aí.

Em relação a Red e Healy só consigo dizer que, uau, fui surpreendida. Não sei se a intenção dela desde o inicio era seduzir o conselheiro para que ele a mandasse de volta à cozinha ou se ela resolveu tentar essa jogada após notar o interesse dele. Achei uma boa tentativa, mas foi precipitada. Red poderia ter esperado mais um tempo e matar essa questão de uma vez. Se estivesse envolvido no nível certo, Healy cederia. Ele já demonstrou em outros momentos ser capaz de ignorar certas regras para favorecer suas presas favoritas e Piper foi uma delas.

Por fim, a nova administração aparenta ser tão relaxada e inapta quanto a de Fig. Designar tarefas sem conhecer o perfil das detentas é uma atitude descuidada e, como Caputo fez questão de explicar, não dá pra deixar incendiárias na cozinha nem presas violentas trabalhando com eletricidade. Agora teremos presas trabalhando com tesouras. Genial.

Eu associei o local de trabalho das costureiras àquelas fábricas que vemos em matérias sobre escravidão no Brás e no Bom Retiro: apenas um lugar fechado, com várias máquinas e muito trabalho. As meninas podem até ganhar mais por fabricar calcinhas, mas não vai ser um trabalho fácil. A reação incrédula de Cindy é a voz de todas as moças: era apenas aquilo? Todo aquele drama e aquele teste apenas para calcinhas? Não que seja fácil, mas não é preciso nenhum conhecimento de costura no nível das Drags de RuPaul para fazer calcinhas, convenhamos.

Já afirmei isso em outra review e falo novamente: uma terceira temporada com cara de primeira. Plots curtinhos de, no máximo, três episódios, passagens hilárias, flashbacks metafóricos e muito Vauseman pra deixar a galera feliz. Seria imprudente dizer que essa já é a melhor temporada de Orange is the New Black, antes de chegarmos pelo menos ao episódio 7, mas o caminho já está pavimentado. A série está em ascendência e só um erro muito grave conseguiria destruir essa temporada.

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