OITNB 3×08 — Fear and Other Smells

EPISÓDIO FEAR AND OTHER SMELLS TRAZ NOVA TRAMA PARA ALEX E INICIA ARCO FINAL DA TEMPORADA.

Eu sou seu amigo, e eu tenho um monte de amigos. Não se esqueça disso.” BALIK, Kubra

Terminei Fear and other smells com a sensação de que, sim, finalmente temos uma trama para a terceira temporada de Orange is the New Black. E uma trama que deu sinais de vida há uns quatro episódios, com Alex surtando ao achar que Kubra colocou alguém em Litchfield para matá-la.

Achei interessante Lolly ser usada como válvula de escape para essa paranoia de Alex porque ela não tinha mesmo grande utilidade até agora, fora a história das refeições kosher e alguns comentários engraçadinhos aqui e ali. Lolly é uma personagem com potencial e sua infantilidade serve para deixa-la ainda mais macabra. Uma ótima sacada.

Sendo o episódio focado em Alex, temos ainda uma visão esclarecedora de seu passado. A situação de abandono no cemitério e a falta que sentiu de Piper durante o enterro da mãe a jogam numa jornada auto destrutiva que apenas se encerra com a intervenção de Kubra. O traficante, no entanto, é tão ameaçador que mesmo sua tentativa de reconfortar Alex parece uma ameaça.

Fear and other smells

Sinto que, além de servir para formar um casal com Piper, Alex não tinha se envolvido realmente na temporada. Esse plot da paranoia vem para colocá-la num ponto de destaque e chacoalhar as coisas com alguma tensão, o que é sempre bom. Alex não é das minhas personagens favoritas, mas só temos a ganhar quando Laura Prepon protagoniza qualquer coisa.

De Alex para Piper, acompanhamos o desenvolvimento do bizarro negócio de cheiradores de calcinhas que, para mim, gerou a cena mais constrangedora da temporada, senão da série inteira. Vergonha alheia define o discurso motivador da Piper.

Infelizmente, a sensação que tenho é de que a personagem foi relegada a tramas infantis e desnecessárias para o andamento do show. Não consigo ver graça nessa história de vender calcinhas usadas e realmente esperava que, com a volta de Alex, Piper voltasse a ter relevância em OITNB. Mas já são oito episódios e nada de interessante aconteceu com ela ainda.

Essa questão da relevância de Piper já era algo previsto, tendo em vista que as demais personagens são mais excêntricas e chamativas que ela, mas não consigo ver a ausência de protagonismo dela como algo bom. A personagem sempre foi um ótimo gatilho de empatia na série e sinto falta disso.

Em outro plot temos Pennsatucky iniciando uma bizarra amizade com o guarda dos donuts — o que é uma ótima piada pronta. Ela se mostra bastante solidária e sequer tenta usar a ótima chance que tem de fugir do rapaz inexperiente. É um lado interessante que está sendo abordado dela e espero cenas divertidas saindo daí.

A parte realmente engraçada de Fear and other smells é o drama de Crazy Eyes com seu bestseller erótico. Ela passa na prisão pela mesma coisa que grandes autores passam no twitter e no facebook, com a galera se intrometendo, cobrando novas histórias, formando times para torcer por determinados personagens, enfim, enlouquecendo como se aquilo fosse tão importante quanto a vida real.

A comunicação não verbal empregada pela personagem nesse episódio é hilária e os olhares que ela lança a Poussey são mais potentes que qualquer discurso inflamado. Às vezes tenho a sensação de que Suzanne se tornou mais protagonista em OITNB que a Piper, pois seus destaques são infinitamente mais interessantes.

Temos ainda Healy mostrando mais uma vez o quanto pode ser mesquinho minutos depois de ter sido super simpático. Acho que o orientador é um dos personagens mais complexos e bem trabalhados da série, com vários ângulos a serem observados e capaz de despertar vários tipos de sentimento. Não é dos meus favoritos, mas gosto muito da forma como suas contradições são retratadas.

Por fim, temos a verdadeira trama chave da temporada, que é a venda de Litchfield. Não considero que essa venda não seja algo grande, mas é algo meio morno, se comparado ao pico de emoções que foi a segunda temporada. Estou realmente sentindo falta de emoção em Orange is the New Black.

É engraçado e interessante ver Caputo como o cara que pensa no futuro e tenta fazer algo bom para as meninas, mesmo que não seja mais que o seu dever. E não chega a ser uma surpresa acompanhar a forma com que os rumos da prisão são definidos agora que seus serviços foram terceirizados: o lema é cortar custos. Independente da comida ser uma porcaria, independente da possibilidade de um processo futuro por discriminação a minorias, independente de a administração estar criando um barril de insatisfações que eventualmente irá transbordar.

Acredito que, agora, entrando no arco final da temporada, algumas coisas mudem e o final deve ser devastador, como foram todos os outros. Mas, por enquanto, ainda dá pra melhorar.

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