OITNB 3×10 — A Tittin’ and a Hairin

EPISÓDIO A TITTIN’ AND A HAIRIN TRAZ ASSUNTO POLÊMICO E O AUMENTO DA TENSÃO ENTRE AS DETENTAS.

Eu sou um feminista.” — COATES, Charlie ‘Donuts’

Orange is the New Black é, das séries que já acompanhei, aquela que mais (e melhor) transita entre os conceitos de comédia e drama, tratando vários assuntos complexos com sensibilidade, leveza e, ao mesmo tempo, fazendo rir. Por mais que A Tittin’ and a Hairin tenha vários focos e tente fazer essa transição, o episódio é o mais dramático da temporada e as cenas que ficaram marcadas na minha cabeça foram os estupros sofridos por Pennsatucky.

Há pelo menos três episódios acompanhamos a construção do relacionamento entre Tucky e Coates, com ele se mostrando um cara bobão e deslumbrado com Tiff que, mesmo muito mais esperta, foi se encantando com ele também. Então, no episódio passado, tivemos a cena do lago. Aquela cena bizarra que mostrou que Coates tinha um lado bem estranho, que para mim foi extremamente assustadora, assim como a passividade de Pennsatucky ao ser apaixonadamente beijada por ele depois. Naquela hora deu pra perceber que havia algo muito errado com esse cara e também algo errado com ela que ficou lá, imóvel, aguentando.

A Tittin’ and a Hairin veio e nos explicou porque Tifanny ficou impassível ao ser beijada no episódio passado e ao ser estuprada nesse. Ela aprendeu, desde cedo, que mulheres deveriam ficar quietinhas e aguentar a “picadinha de abelha” que, assim, conseguiriam o que queriam e os caras também. Porém, eventualmente apareceu o cara que não precisava receber nada em troca para gostar dela, que se preocupava com o prazer dela também e que a via como uma pessoa e não como uma boneca inflável viva.

A Tittin' and a Hairin

Mas, como a vida não é perfeita, o magic man se foi e ela ficou sozinha, com os caras achando que, porque antes ela aceitava um tratamento tratamento degradante, não tinha mais o direito de mudar de ideia.

Os flashbacks fazem um paralelo perfeito com a realidade vivida por Tiffany em Litchfield. Ela conhece esse cara, aceita as investidas dele, afinal ele é bacana com ela, traz rosquinhas e tudo mais. Acha que precisa fazer algo para ele, para conseguir o sorvete que está com vontade de comer. Nessa cena temos o momento em que ela realmente passa a acreditar nos sentimentos bacanas de Coates. Ele fala pra ela:

Você não precisa fazer nada.

E ela realmente sente que não precisa, que ele é um cara bacana, fofo e que gosta dela.

Isso tudo apenas para ser total e brutalmente desiludida quando num rompante de fúria ele decide que eles vão transar porque “é aquilo que ela quer”. Não importa se ela negou ou se ela ficou imóvel, traumatizada, pois na cabeça desse tipo de cara “não” quer dizer sim e ficar imóvel quer dizer “faça comigo o que você quiser”. É machista e doentio. E, claro, é irônico pois foi esse cara que falou lá no início do episódio que “é um feminista”. Bela maneira de ser feminista.

As duas sequências são extremamente tristes e ambas focam expressão de resignação no rosto de Pennsatucky. A diferença é que na agressão de Coates tem o fator “decepção com o cara de quem ela estava começando a gostar de verdade”. Toda a ilusão que ela criou a respeito daquele cara se quebra ali, todo o encantamento, a alegria que ela teve nos últimos dias ao passear com ele de furgão se esvai com a violação, independente de quantos “Eu te amo, Dogget” ele esteja gemendo em cima dela.

Só pra terminar o tópico, vi gente comentando em alguns sites que como ela ficou imóvel o sexo foi consensual. NÃO FOI. Foram dois estupros, independente da imobilidade de Pennsatucky e, se alguém pensa o contrário, comece imediatamente a rever seus conceitos e repense tudo o que sabe sobre sexo consensual.

No mais, temos as explosões de tensão entre Gloria e Sophia, e Alex e Lolly. Ambas as cenas tem motivações confusas por trás. Gloria coloca em Sophia uma culpa que não é inteiramente dela, envenenada pela insuportável Diaz, e acaba se dando mal, pois Sophia, mesmo sendo uma moça delicada, é muito mais forte. Espero que as duas se acertem, pois fico desconfortável em ver duas personagens tão queridas em lados opostos de uma briga.

Em relação a Alex e Lolly eu nem sei bem o que falar. Quando o clone da Ellen Degeneres começou a falar em NSA, espionagem internacional e terrorismo eu caí na risada. Toda aquela tensão e drama pra nada, porque Lolly é realmente uma doida inofensiva com mania de perseguição. E Alex, além do estresse por se meter numa briga com uma maluca dessas, ainda pegou Piper no maior “chamego” (e me perdoem por essa palavra, realmente não achei uma melhor) com Stella.

Piper que, já decidi, está um pé no saco essa temporada. Não aceito essa mudança no perfil dela e nas suas atitudes, chega a ser constrangedor.

Pra terminar, não vejo muita relevância na trama de Suzanne e sua virgindade. Na realidade, achei meio estranho, pois lembro da fixação dela com Piper na primeira temporada e tem uma cena bem sacana dela brincando no chão com a Big Boo que de jeito nenhum combina com esse perfil tímido que ela tem adotado. Claramente o sucesso de Uzo Aduba mudou os rumos da personagem pois ela tem se mostrado menos louca e mais infantil do que era anteriormente..

Enfim, um bom e dramático episódio. O mais marcante da temporada, sem dúvidas. Tenho tentado ver um por semana, para diminuir o tempo de ansiedade quando acabar mas tá difícil aguentar sem maratona… Um dia ainda serei disciplinada o suficiente e sofrerei menos. 😉

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